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Transistor kills the radio star?

8.0 Conclusões?

O futuro da rádio: as pessoas passam cada vez mais tempo no computador

«Radio will continue to gravitate towards the internet, because that is where people will be spending more of their work and leisure time.» Lehman, 2004: 724

Há futuro se a rádio se tornar noutra coisa (um fornecedor de conteúdos)

«Play to the available audience because the next generation is busy on their cell phones and iPods. Don't try to aim for the generation you need so badly -- the one you let get away by doing nothing to fill their needs for the past ten years. The result: Gen Y has no strong attachment to radio and isn't likely to get one.

But...
Can radio be saved by becoming a content provider for the Internet and for consumption on mobile phones and devices?
You bet.
And that's why I am so optimistic about the future of radio-produced content away from the terrestrial signal. But radio people hardly know about the preferences of this elusive generation. I get emails every time I write about them from angry broadcasters who think Gen Y is the enemy. No, you are the enemy -- you've proven to be your own worst enemy.
They are not. They are your future business because terrestrial radio will never again be a growth business.»

fonte: Jerry del colliano, The Inconvenient Truth About Radio 14/01/08

Uma previsão: a internet vai fazer viver a rádio

«A terceira vida da rádio foi antecipada pela chegada de uma nova tecnologia: a Internet. A Internet tal como a Rádio foi algo de um discurso similar sobre as suas capacidades libertadoras da criatividade e da comunicação humana. E em grande medida foi capaz de viver, até hoje ao nível das expectativas criadas pelo seu discurso. Embora tecnologicamente diferentes no seu âmago, as duas tecnologias de massa mais similares nas suas características de proximidade e criação de laços sociais são de facto a Internet e a Rádio. Daí que a resposta às diferentes variantes sobre “O fim da rádio” só possam ter como resposta que a “Internet não matou a rádio mas deu-lhe uma terceira vida”. Uma vida diferente das anteriores, é claro. Mas uma nova vida sem dúvida. Uma vida alicerçada no facto de a rádio ser o media que mais facilmente se adapta à Web 2.0.»

fonte: CARDOSO, Gustavo, «A terceira vida da rádio», Editorial Obercom, s/d (2007?)

(conc) «A rádio como um media de futuro»

É a opinião de Gustavo Cardoso (Obercom):

«(...) A rádio é considerada por muitos autores como um meio de futuro e também eu creio que o que assistimos é à sua vitalidade e não ao seu desaparecimento, daí que concorde com Enrico Menduni sobre a rádio como um media de futuro. (...) a “Internet não matou a rádio mas deu-lhe uma terceira vida”. Uma vida diferente das anteriores, é claro. Mas uma nova vida sem dúvida. Uma vida alicerçada no facto de a rádio ser o media que mais facilmente se adapta à Web 2.0.»

fonte: CARDOSO, Gustavo, «A Terceira Vida da Rádio», editorial Obercom,

As auto-estradas da informação bloqueadas em 2010?

«The internet is being stuffed with multimedia assets, and broadband pipes are powering the action.  For artists, labels, and everyone in-between, that allows broader expression, and deeper connections with fans. But internet capacities could become strained within a matter of years, according to a recent report from the Nemertes Research Group.  The alarmist finding outlines traffic jams by 2010, unless ultra-expensive infrastructure upgrades are made.  "Our findings indicate that although core fiber and switching/routing resources will scale nicely to support virtually any conceivable user demand, internet access infrastructure, specifically in North America, will likely cease to be adequate for supporting demand within the next three to five years," the report asserts»

 

O lado perverso da web social (2.0)?

«Com o surgimento da Web 2.0, que se caracteriza por uma nova geraçao de «sites» participativos, como o MySpace ou o YouTube - que apostam em conteúdo gerado pelo utilizador, a tam no conteúdo gerado pelo utilizador, a entrada em redes sociais e a partilha interactiva -, os utópicos informáticos profetizaram uma maior democratização do mundo: mais informação, mais opiniões, mais de tudo e, quase sempre, sem filtros nem acesso pago.
O empresário de Silicon Valley, Andrew Keen, salienta, porém, na obra provocatória «The cult of the amateur» [editora Currency, não traduzido em português] que a Web 2.0 também tem um lado obscuro. Afirma que «a revolução da Web 2.0 favorece a observação superficial do mundo, em detrimento da verdadeira análise e a opinião imediatista em vez do julgamento ponderado». (...) Ao monopolizarem abusivamente a nossa atenção, os blogues e outros 'wiki' desmantelam as indústrias da edição, da música e da informação, que geram os conteúdos que estas produções digitais pretendem 'integrar'. A nossa cultura está em vias de canibalizar a sua juventude, de destruir as próprias fontes do conteúdo que os jovens tanto procuram», escreve.
Michiko Kakutani, The New York Times, Nova lorque (original:
http://www.nytimes.com/2007/06/29/books/29book.html?_r=2&oref=slogin&ref=arts&pagewanted=all&oref=slogin)

A rádio deve esperar para ver?

«Consider how the industry is currently moving towards deprecation of subscription music services, or tossing out DRM-protected music downloads. Even satellite radio’s future hangs in the balance, as lawsuits, increased music royalty rates and possible rejection of a proposed merger all loom on its horizon.

One thing satellite radio has done right in this analysis is to make itself a relatively simple consumer proposition — in fact, it attempts to model the familiar operation of local radio as much as possible. In this respect satellite radio differentiates itself quite well from Internet radio, but its service availability and robustness still lag a bit behind local radio, and of course its cost is significantly higher. So on balance, even satellite radio has an uncertain future in this analysis.

Next up is wide deployment of wireless broadband (WiMax, etc.), which brings substantial portability and otherwise increased availability (i.e., higher Convenience) to Internet radio. It is unlikely that wireless Internet radio will ever match local radio’s user friendliness, however, particularly in terms of one-button, instant access.

Yet wireless Internet radio’s proliferation of portable, narrow music formats may actually hurt satellite radio more than it does local radio. Is the enemy of my enemy my friend?

Ultimately, the fragmentation and complexity of the new media marketplace could become local radio’s strongest unintentional allies. Being old school isn’t necessarily bad here. This is not to say that radio should not explore and embrace change where it makes sense, but while doing so it should always remember the fundamental values of simplicity and stability that put it where it is today»

fonte: «Will Radio’s Inertia Be Its Savior?», Radio World, by Skip Pizzi, 11.07.2007

Eventuais conteúdos pagos significarão mais exigência e qualidade?

«Internet se convierte así en una plataforma ideal para la oferta de contenidos personalizados o contenidos a la carta que podrían ser incluso abonados en lo que se alzaría como una nueva modalidad de pago por visión, en este caso, pago por audición. Entonces es evidente que si este nuevo tipo de usuario en la red puede exigir un determinado contenido o, es más, tiene que pagar por el producto, será más exigente en cuanto a su calidad. Se impone así una renovación en el lenguaje radiofónico a la búsqueda de una mayor expresividad y, sobre todo, de una mayor explotación radiofónica de las posibilidades sonoras que ofrece Internet.»

fonte: RODERO ANTÓN, Ema, La radio en Internet», Tercero Congreso de Periodismo Digital, 2002, pag 3

Será necessária uma nova linguagem audiovisual ou um novo estatuto para a audição?

«As múltiplas perspectivas para o futuro do suporte áudio revestem de incertezas as reflexões a respeito de como o som se constituirá enquanto ferramenta e meio, enquanto emissão preponderante no que poderá vir a ser o rádio e articulado com letterings (texto), imagens fixas e imagens em movimento em possíveis novas configurações para o que habitou-se a chamar, até então, de linguagem áudio-visual»

«A defesa de um novo estatuto para a audição nada tem de saudosismo ou nostalgia. Ao contrário, quer antes problematizar as os limites e possibilidades da presença do som em novas mídias, podendo assim escapar a antigos vícios e mitos que passaram a envolver a produção de sentido pelo som. Um novo estatuto para o ouvir diz respeito à revalorização da força sígnica do som. Trata-se da recuperação do sonoro enquanto elemento constituinte ativo da significação dentro do processo enunciativo. Um novo estatuto para a audição significaria, assim, a recuperação da emissora sonora enquanto efetivo momento de vivimento de experiência estética. De ativação, pelos sentido da escuta, de memórias, imaginários e representações. Estimular o receptor a ser, sempre, um co-autor na construção do sentido na enunciação, na privilegiada condição de sujeito ativador desses protocolos»

fonte: SALOMÃO, Mozahir, «O suporte sonoro e as novas mediações», 2006,

«Todos estes novos elementos [linguagem que apresenta textos aninações e video, a existencia de informações complementares e simultâneas à emissão em directo, etc], em conjunto, contribuem para a construção de uma nova estrutura discursiva para a mensagem radiofónica, que assim pode potenciar a busca de novos conteúdos e o desenvolvimento de novas linguagens. Este facto estabelece as bases para a construção de uma nova estrutura discursiva para a mensagem radiofónica, que assim pode potenciar a busca de novos conteúdos e o desenvolvimento de novas linguagens. Este facto estabelece as bases para a conversão do ouvinte em utilizador multimédia, que se serve da interactividade para configurar a estação em função dos seus interesses específicos e impulsiona a oferta de canais dedicados que fragmentam a audiência e criam novos paradigmas de consumo radiofónico. (...) Com estas características, a rádio na internet passa a ser um meio em que a multimedialidade, hipertextualidade e interactividade são factores determinantes na sua linguagem específica. Para além disso, a co-autoria do receptor no processo de enunciação transforma-o numa espécie sofisticada de ouvinte, num “realizador de hipertexto” (Guàrdia, 2001), com responsabilidades acrescidas na condução dos mecanismos comunicacionais» (Tese de Mestrado de Pedro Portela, pag 57)

Seres “tecnologicamente hipercomunicados, mas socialmente isolados”?

Mário Kaplún fala em seres “tecnologicamente hipercomunicados, mas socialmente isolados” (Kaplún, 1998). Com a extinção da prática social e de cidadania, a estes seres para quem as possibilidades de interacção são maiores que nunca, nada restará para comunicar senão pobres relatos das suas pseudoexperiências virtuais (Kaplún, 1998). (tese de mestrado de Pedro Portela), pag 23

A era electrónica não traz a democratização?

«A ilusão de que a era eletrônica traga necessariamente consigo a democratização do acesso, da produção e da distribuição do conhecimento é um engano corrente que a observação do percurso do rádio informativo ajuda a elucidar» (MEDITSCH, 1999:278).

«As técnicas não determinam nada»?

«"As técnicas não determinam nada. Resultam de longas cadeias entrecruzadas de interpretações e precisam, elas próprias, de ser interpretadas, conduzidas para novos caminhos pela subjetividade actuante dos grupos ou dos indivíduos que delas se apropriam. Mas, ao definirem em parte o ambiente ou os condicionamentos materiais das sociedades, ao contribuírem para estruturar as actividades cognitivas dos colectivos que as utilizam, elas condicionam o devir do grande hipertexto. (...) A situação técnica inclina, pesa, pode mesmo interditar. Mas não dita." (Lévy, 1990:236-7) 

Uma ideia mais larga de rádio de palavra

«A definição aqui proposta de rádio informativa acompanha esta ideia de um alargamento e de uma transformação ocorridos no campo jornalístico. (...)A rádio informativa fala de coisas que anteriormente não eram notícia (a hora certa, por exemplo), e revoluciona a ideia da reportagem com as transmissões ao vivo. Aprofunda e contrapõe ideias e opiniões com facilidade e orienta as massas urbanas como o cão de um cego. (...) Por isso, requer uma nova conceptualização que dê conta da sua amplitude e especifidade». (Meditsch,1999: 21) 

Começar a digitalização com uma mentalidade analógica

Parece que se empezó la digitalización con una mentalidad analógica, esto es, el desarrollo de un estándar para cada medio (excepto en el caso japonés) cuando cada vez parece más claro que el futuro apunta hacia una concepción de estándares multimedia adaptados a una recepción multiplataforma. Por ser éste un período de transición, los cambios suelen quedar reflejados en la proliferación de estándares hasta el punto de que algunos declinan justo cuando empezaban a despuntar. Además, a diferencia de la televisión, la ausencia de una fecha fija para el apagón analógico (switch off ) obliga a una coexistencia entre ambos paradigmas, el analógico y el digital, lo que a menudo provoca más confusión y podría llegar a convertir a la radio en la principal competidora de sí misma.»

fonte: BONET, Montse, «La radio digital, estándares tecnológicos y plataformas de distribución», Portal de la Comunicación In-Com-UAB, A modo de conclusión

«Como será a 'rádio' daqui a 10 anos?»

Responde Helen Shaw:

«The future of radio, as we describe it, will be multi-platform with live and recorded audio content being delivered through analogue AM/FM to digital terrestrial to satellite radio and Internet based protocols. Over the next ten years as radio moves further into a digital domain, technology is transforming how we receive radio, what we receive and how we interact with it. This paper looks at the dynamics shaping radio’s future and how the bottom up pressure of consumer/citizen demands – through the development of a personalised media market, like podcasting – is proving more successful than the top down approach of technologies like DAB which have been driven by European policy elités rather than market demand.» (Shaw, 2005: 2)

«No corredor do infinito, tudo é possível»

«Nos mundos do entretenimento e da informação, já ultrapassámos as restrições de capacidade dos canais e do espaço de prateleira, bem como as suas exígências de uniformização. Em breve superaremos também os condicionalismos de capacidade da produção em massa. A explosão da variedade que observámos na nossa cultura, graças às eficiências digitais, irá estender-se a todo e qualquer aspecto da nossa vida. No dia de amanhã, a questão que irá colocar-se não terá a ver com as virtudes ou defeitos de um maior leque de escolhas mas sim com aquilo que realmente queremos. No corredor do infinito, tudo é possível» (Anderson, 2007: 242) 

«A rádio está para a próxima geração como a máquina de escrever para todos nós»

«There's a reason Steve Jobs didn't put a radio in the iPhone. Radio is to the next generation -- what a typewriter is to all of us today. Or a console Philco radio. It's so yesterday. And for those of you who think -- no problem -- we'll someday offer up our terrestrial streams for mobile use, check with the next generation first. The entire concept of 24-hour radio is over with the next generation, too.

Look, baby boomers and Generation Xers will still listen, but if you were raised on the Internet, live every minute with your cell phone (hint, hint) and conduct your relationships online, you have little need for 24 hour broadcasting. (...) Radio is not in their lives the way it was in ours. If it was, Steve Jobs would have made iPhone or at least iPod radio capable.

(...) How can I say this delicately? Not only is iPhone a competitive threat to radio. It is the killer app. We've reached the tipping point. No doubt this first iPhone will be seen as primitive in years to come, but today it represents a form of new age consolidation in its own right -- consolidating an iPod music player, with a mini-computer, the Internet, photos, calendars and even a telephone. I love radio. Loved it then and really respect a lot of people who are toiling away in it now while their bosses are showing the world their ignorance. But I don't like when the honchos who run radio bury their heads in the sand. Clear Channel determining that the iPhone is not a competitive threat is ill-informed, misleading and dangerous to an industry that so desperately needs to find its future.

There is a future for radio people, but it's not on terrestrial radio. It's in the content business with the delivery system that the marketplace chooses. That delivery system is not likely to be a radio. And you can see how ridiculous an HD radio looks right now as well. (...)»

fonte: JERRY DEL COLLIANO, Inside Music Media, «Clear Channel: iPhone "Not a Competitive Threat" », 03/07/07

COLLIANO, Jerry del, «Clear Channel: iPhone "Not a Competitive Threat" », Inside Music Media, 03/07/07 [http://insidemusicmedia.blogspot.com/2007/07/clear-channel-iphone-not-competitive.html]

Como será a rádio em 2015 na Europa?

Conclusões de um estudo envolvendo 40 especialistas do Canadá, Dinamarca, Finlândia, Irlanda e Grã-Bretanha:

- most Europeans would have digital terrestrial radio. The DRACE report says DAB will be a strong option in the UK and Denmark, but supplemented with Digital Radio Mondiale (DRM) and DMB; DAB is “an expensive and uneconomic system.”; Nevertheless, by 2015, Finns are likely to be using the DVB-H technology developed by Nokia, while Canadians will have IBOC, DAB and satellite radio 

-  TV-style digital switchover for radio is very unlikely. They also predict that given existing market penetration, FM radio will continue to play a significant role in both Europe and Canada.

- most respondents predict there will be distinct national solutions. Differences in national regulation and frequency administration will fragment the digital radio landscape.

- there will be an increase in personalized and on-demand radio, with more listener sovereignty, personalization options and the gradual disappearance of schedules. Radio will be available when and where listeners want it.

- traditional broadcast radio will continue to play an important role in people’s lives. This is attributed to the strengths of linear radio, including mobility, ease of access and localism, as well as powerful journalistic and artistic content.

(excertos deste texto: «DRC07: radio in 2015», Multimedia meets radio, Mike Mullane on 04 June 2007)

 

Previsões (em 2006) para o futuro

«The next step will be content designed and delivered to mobile phones, hand-held personal devices (PDAs), games consoles or connected media players, potentially using the – newer – smaller and higher quality MP4 or AAC format (the format used in iPod offering improved quality over MP3). The current ‘next generation’ or ‘3G’ mobile phones do offer the capacity to access the web with speeds capable of sustaining audio streaming, and downloadable applications already exist to run Podcasting clients on ‘smartphones’. This could be a step forward, bypassing the computer altogether andcapturing content on the playback device. (...)  It is likely that with the increased choice, digital content (whether via DAB, satellite, webcasting or Podcasting) that is ‘in tune’ with audiences, using formats and styles other than mainstream music, will develop. Linked to this, a role for speech-led content may develop (Berry, 2004).» (Berry, 157-158)

«Uma tecnologia tão recente pode servir uma comunidade?»

«(...) Generation Y is arguably the first generation to use technology to facilitate communication, to spawn creativity and to air political views on a grand scale. But this raises the question: if the gatekeeping role has been acquired by an entire generation, could an even newer technology be embraced by the whole community?(...)»

fonte: «The Impact of Digitalization», KPMG, 2007 (8-11)