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Transistor kills the radio star?

A procura de interactividade na rádio

«One relatively simple model of interactivity as a continuum, which operates from only one dimension, can be found in the writing of Everett M. Rogers (1986). Rogers defines ‘interactivity’ as “the capability of new communication systems (usually containing a computer as one component) to ‘talk back’ to the user, almost like an individual participating in a conversation” (1986: 34). And – a bit farther down – “interactivity is a variable; some communication technologies are relatively low in their degree of interactivity (for example, network television), while others (such as computer bulletin boards) are more highly interactive” (: 211). Based on this definition, Rogers has created a scale, reprinted in Figure 2, in which he lists ‘degrees of interactivity’ for a number of selected communication technologies on a continuum from ‘low’ to ‘high’.As can be seen in Figure 2, Rogers primarily refers to the concept of ‘interactivity’ within the consultation pattern. The basic model is clearly ‘human- machine interaction’, understood in the context of interpersonal communication (‘talking back’). It is also because of this consultative aspect (selection available between channels and programs) that classical transmission mass media such as TV and radio can be considered ‘interactive’ – although to a lesser degree. As is presumably also apparent, this attempt to sort and define is relatively rough and lacking in information – a trait that is intensified by Rogers failure to deliver explicit criteria for the placement of each media.»  fonte:  JENS F. JENSEN, «Interactivity’Tracking a New Concept in Media and Communication Studies»

Os «early adopters» e a geração iPod

«No modelo da difusão das inovações de Everett Rogers23, os inovadores e os «early adopters» representam a vanguarda no que respeita à adopção de novas ideias, tecnologias, produtos ou serviços»

(http://www.cecl.com.pt/investigadores/jrosa/reloaded.html#Ref07)

Utilizar «iPod generation»?

«O «nome guarda-chuva» que parece actualmente acolher mais seguidores é o de «Web 2.0». O facto de este ter sido proposto pelo presidente de uma empresa de manuais de programação, Tim O’Reilly (cf. O’Reilly, 2005), não constitui um bom «cartão-de-visita», pelo menos num contexto de rigores académicos do qual se deve afastar tudo o que aparente ser um slogan saído duma campanha de marketing. É, além disso, uma expressão tão vaga que dela não se infere qualquer diferença a não ser a abstracção do número: de 1.0 para 2.0 -- algo que não ocorre com outras expressões que com ela competem, como a de «web semântica» ou «web social». Fortes reservas, sem dúvida, mas que preferimos suspender invocando um argumento com tanto de nominalista como de pragmático -- mais vale um nome que diz pouco mas que sugere muito do que um outro que responde em vez de estimular o questionamento. «Web 2.0» tem como vantagem o facto de apontar para uma mudança em curso, uma mudança comparável à que começou há cerca de década e meia, apesar de nada nos dizer acerca dessa eventual mudança, obrigando-nos por isso a identificá-la… ou, no pior dos cenários, a negar a sua existência»

Uma utilização muito mais à letra: «Natalie Coughlin, Olympic champion and world record holder over 100m backstroke and in line for several prizes at Beijing 2008, is the Apple of the eye of the iPod Generation.»
http://www.swimnews.com/News/displayStory.jhtml?id=5660

Excesso de oferta terá de ter consequências

«Várias estimativas de diversos países (ver Pool et aI., 1984) indicam que a oferta está a crescer a uma taxa anual constante de 8-10 por cento. Cada vez um maior número de organizações e de indivíduos são capazes de enviar informação a grandes distâncias a custo mais baixo; [Já] o consumo de informação está a crescer, mas muito mais lentamente, de acordo com as medições da quantidade de informação recebida ou a que se presta atenção. Na realidade, isto significa que a procura de informação é inferior à oferta, por uma série de razões, entre elas a limitação de recursos e de capacidade de processamento;  (...) A situação caracteriza-se por um insustentável desequilíbrio entre oferta e procura. (...) Do ponto de vista do receptor ou utilizador da informação, a «saturação» refere-se à maior dificuldade em encontrar informação útil ou adequada por entre oferta vasta, confusão, inconsistência e crescente dificuldade e custo de processamento e armazenamento da informação. » (McQuail e Windahl, 173) 

[A situação de elevada oferta de informação também pode ser vista de forma positiva. Existe mais escolha, a custo mais baixo para os consumidores, e mais possibilidades de acesso a canais de comunicação. O crescente excesso da oferta sobre a procura não tem de ser prejudicial e pode ser gradualmente corrigido (por exemplo) por um fluxo de comunicação (necessariamente mais equilibrado) ponto a ponto mais interactivo e por progressos na gestão da informação (armazenamento, substituição, acesso)] (idem)

McQUAIL, Denis e WINDAHL, Sven (2003), «Modelos de Comunicação», Editorial Noticias, Lisboa

Ainda (as ondas de choque) sobre o que fizeram os Radiohead

Em continuação a este texto:

«(...)se tornaram responsáveis por aquilo que o «Times» de 7 de Outubro designava como «The day the music industry died»: (...)Tradução rápida e evidente: uma das mais notórias bandas mundiais assume publicamente que, para o bem e para o mal, a música gravada é já, tendencialmente, gratuita e que a única forma de minimiar os prejuízos é usar as armas do «inimigo», passando a encarar o CD (físico ou virtual) como mero material de promoção para o que realmente conta - os concertos. (...) Enquanto estratégia de «marketing», deverá ser considerada, desde agora mesmo, exemplo brigatório de «textbook». Até porque o «espírito los tempos» não sopra noutra direcção senão nesta: a vertiginosa queda nos números de vendas de CD, nesta década, não pára de acelerar (no último ano, menos 10% em Inglaterra, 25% em França, 35% no Canadá); a cadeia de lojas HMV anunciou que, nos seis primeiros meses de 2007, as vendas se reduziram em 50%, e Richard Branson, após prejuízos de 50 milhões de libras, declara o óbito das Virgin Megastores; a EMI (cujo número de funcionários, em dez anos, a nível mundial, encolheu de 10 mil para 4 mil), adquirida pelo grupo financeiro Terra Firma, vale actualmente um terço do que representava em 1997; paralelamente, a partilha de ficheiros ilegal pulveriza diariamente recordes (e toma risíveis todas as invesidas «repressivas» sobre milhares de milhões de corsários) enquanto os números de público presente em conccrtos (com bilhetes a preços que, no caso dos Police e Rolling Stones, variavam entre as 70 e I50£), no Reino Unido - até ao final leste ano, 450 festivais de música -, cresciam 11%». (LISBOA, João, «Hail to the thief», Actual/Expresso, 20/10/07, pág 50/51)

Bandeiras vermelhas sobre a escuta de rádio entre jovens (EUA)

Conclusões do Youth Radio Study, da Paragon Media Strategies («Paragon Media Strategies surveyed 474 Millennials age 14-24 via internet survey.  Many of the findings can be used for benchmarks as we chart how the young’s (14-24 year olds) new media usage impacts radio listening.  One caveat: because the survey was conducted on line, we’re more likely to be dealing with early adopters to New Media».  «The teens and young adults in the Youth Radio Study represent the next generation of 25-54 listeners.  There are some red flags in this study about respondent’s radio use and also some constructive information about how radio can generate more radio listening from them»):

* 73% of respondents say a majority of their music listening time is spent listening to music on sources other than radio (CDs, MP3s, iPods, streaming, satellite radio, etc).
* Radio maintains a strong 41% of 14-24's time listening to recorded music.
* Throughout the study, females 19-24 indicate their use of radio is significantly more than the other three age/gender groups.
* Listening to music on sources other than radio is pronounced among younger and male respondents.
* iPods and personal mixed CDs are the major threats to radio time spent listening (TSL).
* 78% have iPods, and half of them (49%) are now listening less to radio (18% are listening more).
* 68% of iPod owners have personalized playlists; they are creating their own content.
* Over three-quarters listen to personalized music CDs (mix CDs), and a third of them (32%) are now listening less to radio (19% are listening more).
* Listening to audio over the internet is also an important reason among those who say they're listening to radio less.
* There is a lot of churn in radio tuning. 44% are listening more and 40% are listening less to radio than before»

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Renascença com canais temáticos e... video

«Canais temáticos online e uma aposta mais forte no vídeo são algumas linhas de força da estratégia do grupo Renascença para o meio internet a serem implementadas no próximo ano. "No primeiro trimestre de 2008 queremos arrancar com canais temáticos musicais e que são montados a partir de marcas muito conhecidas e emblemáticas do grupo Renascença", avança ao M&P José Ramos Pinheiro, administrador do grupo que agrega a Renascença, RFM e Mega FM. Nas intenções do grupo está, então, a criação de canais musicais online, a funcionar 24horas por dia, com base em rubricas ou programas conhecidos das emissoras. "A RFM será a primeira estação a avançar canais temáticos", precisa o responsável. Nas intenções do grupo está ainda a expansão deste conceito à área informativa. "Poderemos ter outros canais que podem ir do desporto à religião, onde iremos apostar em áreas informativas específicas", refere José Ramos Pinheiro, iniciativas que estão apontadas para o primeiro semestre de 2008. (...)A aposta no vídeo está igualmente na estratégia do grupo Renascença para o próximo ano. "Em 2008 iremos cimentar essa aposta", assegura José Ramos Pinheiro. O responsável relembra que o vídeo já marca presença, por exemplo no site da Renascença, mas o objectivo é "estruturar uma oferta com um conteúdo que vive especificamente na web e que vai basear-se na imagem ou vídeo, uma Web TV ou uma Web Vídeo." Uma estratégia extensível a todos os produtos do grupo e que se tem reflectido na redacção. "Temos contratado novas pessoas para os novos projectos, temos ido buscar competências que não tínhamos. Temos vindo a recrutar pessoas para os projectos à medida que forem lançados", diz. Um investimento total que o responsável preferiu não revelar.»

fonte: «Grupo Renascença vai lançar canais temáticos online», Meios & Publicidade, 26 de Outubro de 2007, por Ana Marcela

Página do Público com videos

«O vídeo vai chegar em breve ao site do Público, com conteúdos audiovisuais produzidos internamente e provenientes de agências noticiosas, revelou ao M&P António Granado, editor do Publico.pt.O lançamento do serviço intitulado Público Vídeo será acompanhado de um "refrescamento" gráfico e de navegação da homepage do Publico.pt, que fará a adaptação aos novos conteúdos multimédia. (...) "Hoje em dia um jornal veicula informação, independentemente do suporte", explica o editor do Publico.pt. E o online abre possibilidades "infinitas" de exploração de novas vertentes jornalísticas. O mais difícil, segundo António Granado, é a adaptação das próprias redacções, sendo importante "sensibilizar as pessoas para o mundo multimédia". Embora o objectivo seja colocar online vários vídeos por dia, Granado adianta que o Público Vídeo, "não vai competir com as televisões" em termos noticiosos, uma vez que "não vai apostar em breaking news", mas antes na reportagem ou na entrevista»

fonte: «Site do Público com canal de vídeos», Meios & Publicidade, 26 de Outubro de 2007, por Maria João Morais

Milhão e meio a aceder a sites de rádios

«Os resultados do estudo Netpanel da Marktest mostram que cerca de 1,5 milhões de internautas navegam a partir de casa em sites de rádios. A RFM lidera em utilizadores e a Cidade em tempo de acesso. Entre Janeiro e Setembro de 2007, foram 1 475 mil os residentes no Continente com 4 e mais anos que acederam a sites de rádio a partir de casa, o que corresponde a 48.8% dos internautas nacionais. Neste período, foram visitadas cerca de 53 milhões de páginas de sites de rádio, uma média de 36 por utilizador. O tempo total de navegação nestes sites aproximou-se de 758 mil horas, uma média de 31 minutos por utilizador. Foi em Fevereiro que mais utilizadores acederam a estes sites, num total de 569 mil, ao contrário de Agosto, que recebeu 414 mil utilizadores únicos. fonte: «1,5 milhões visitam sites de rádios» , Marktest.com, 23 de Outubro de 2007

A rádio via satélite (EUA) é igual à hertziana?

Esta análise mostra que, em certos canais, rádio hertziana e rádio via satélite são mais do mesmo (no que toca a passar sempre as mesmas músicas). Há, até, quem diga que: «their channels sound very much like terrestrial radio (including inane commentary by mediocre DJs), which is a good reason to cancel the subscription and continue to listen to free over the air radio»

iPod passa a ter rádio (wireless)

RAMSEY:«(...) Last week Apple's Steve Jobs announced that a software development kit will be made available for the WiFi-enabled iPod Touch (and iPhone) next February. What this means is that developers will be able to build third-party applications designed for the iPod (they can already do this via the web interface, but that adds another usability hurdle which will fall come February).And I have no doubt that very high on the list of priorities will be to empower the new iPods to provide radio via streaming.

So the good news is that radio will once again become portable in 2008.But the bad news is that the radio world will be flattened and thousands of choices from across the globe will have equal access to the ears of your audience.

If anyone has an edge here, what do you want to bet it's the streaming stations already indexed on iTunes? May the best radio brands win».

fonte: Hear2.0, «Radio on the iPod in 2008», 

DEL BIANCO, Nélia R. (2003), E tudo vai mudar quando o digital chegar, BOCC

http://www.bocc.ubi.pt/pag/bianco-nelia-radio-digital.pdf

Agregar valor à programação de rádio

«Ao conviver com outros serviços de áudio, texto, imagens e integrar cadeias de serviços de informação, entretenimento e comércio eletrônico, fatalmente haverá uma sinergia que estimulará o radiodifusor a buscar parcerias e alianças estratégicas com provedores de conteúdo para desenvolver serviços complementares e agregar valor à programação do rádio. Esse cenário que sugere ao radiodifusor abrir mão do conteúdo exclusivo para entrar no campo da troca de informação. Significa modificar a estrutura de trabalho dos produtores de rádio tradicionais adequando o seu perfil para mais próximo do provedor de conteúdo» (Nelia del Bianco, E tudo vai mudar quando o digital chegar, BOCC, ?)

SALOMÃO, Mozahir, «O suporte sonoro e as novas mediações», IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom, 2006

http://reposcom.portcom.intercom.org.br/dspace/bitstream/1904/17647/1/R0362-1.pdf

«a novidade está na forma de uso ou na natureza do registro?»

«Tome-se como exemplo um tipo de site que é bastante procurado pelos internautas, pois anunciando-se como altamente interativo possibilita aos usuários a criação de sua própria emissora de rádio. O funcionamento é simples: ao criar uma lista de músicas preferidas, o internauta – podendo estabelecer uma ordem para essas músicas ou ouvi-las randomicamente – dá um nome para esse conjunto de arquivos que se passava a chamar Rádio tal..... Assim, o usuário pode ouvi-lo sempre que quiser ao trabalhar em seu computador pessoal e estiver conectado à rede. Tendo condições para tal, o internauta pode até descarregá-lo em um disco de memória e ouvi-lo, no carro ou em qualquer outro lugar, em um aparelho que rode mp3. É uma possibilidade interessante, mas o que se faz atualmente com bits, os caminhos analógicos já proporcionavam.

Difícil imaginar quem, quando adolescente, não teve um walk-man e passeava pela cidade ouvindo fitas-cassete compradas ou gravadas. Pois essa seleção de músicas em K-7, que remetia os adolescentes aos seus sonhos e angústias comuns à idade, não eram também, à sua maneira, uma Rádio tal ? Enfim, a novidade está na forma de uso ou na natureza do registro? Entre o bit,da era eletrônica., e a fita magnética, certamente, houve avanço na qualidade de áudio do registro e nas possibilidades técnicas de seu uso. Mas, garantidamente, não houve distinção e avanço na forma de uso social de um e do outro

fonte: SALOMÃO, Mozahir, «O suporte sonoro e as novas mediações», 2006, pág 4

Será necessária uma nova linguagem audiovisual ou um novo estatuto para a audição?

«As múltiplas perspectivas para o futuro do suporte áudio revestem de incertezas as reflexões a respeito de como o som se constituirá enquanto ferramenta e meio, enquanto emissão preponderante no que poderá vir a ser o rádio e articulado com letterings (texto), imagens fixas e imagens em movimento em possíveis novas configurações para o que habitou-se a chamar, até então, de linguagem áudio-visual»

«A defesa de um novo estatuto para a audição nada tem de saudosismo ou nostalgia. Ao contrário, quer antes problematizar as os limites e possibilidades da presença do som em novas mídias, podendo assim escapar a antigos vícios e mitos que passaram a envolver a produção de sentido pelo som. Um novo estatuto para o ouvir diz respeito à revalorização da força sígnica do som. Trata-se da recuperação do sonoro enquanto elemento constituinte ativo da significação dentro do processo enunciativo. Um novo estatuto para a audição significaria, assim, a recuperação da emissora sonora enquanto efetivo momento de vivimento de experiência estética. De ativação, pelos sentido da escuta, de memórias, imaginários e representações. Estimular o receptor a ser, sempre, um co-autor na construção do sentido na enunciação, na privilegiada condição de sujeito ativador desses protocolos»

fonte: SALOMÃO, Mozahir, «O suporte sonoro e as novas mediações», 2006,

«Todos estes novos elementos [linguagem que apresenta textos aninações e video, a existencia de informações complementares e simultâneas à emissão em directo, etc], em conjunto, contribuem para a construção de uma nova estrutura discursiva para a mensagem radiofónica, que assim pode potenciar a busca de novos conteúdos e o desenvolvimento de novas linguagens. Este facto estabelece as bases para a construção de uma nova estrutura discursiva para a mensagem radiofónica, que assim pode potenciar a busca de novos conteúdos e o desenvolvimento de novas linguagens. Este facto estabelece as bases para a conversão do ouvinte em utilizador multimédia, que se serve da interactividade para configurar a estação em função dos seus interesses específicos e impulsiona a oferta de canais dedicados que fragmentam a audiência e criam novos paradigmas de consumo radiofónico. (...) Com estas características, a rádio na internet passa a ser um meio em que a multimedialidade, hipertextualidade e interactividade são factores determinantes na sua linguagem específica. Para além disso, a co-autoria do receptor no processo de enunciação transforma-o numa espécie sofisticada de ouvinte, num “realizador de hipertexto” (Guàrdia, 2001), com responsabilidades acrescidas na condução dos mecanismos comunicacionais» (Tese de Mestrado de Pedro Portela, pag 57)

«A Rádio em Crise de Identidade?»

«A pergunta torna-se inevitável para quem assiste ao processo de crescente adaptação da rádio ao espaço aberto pela internet: a partir do momento em que o texto e a imagem se imiscuem noseu universo, terminando com a exclusividade da expressão sonora que historicamente a caracteriza, e em que ocorre toda uma série de outras mudanças significativas, haverá motivos para encarar esta transformação como o fim da rádio e o nascimento de algo ainda inominável, mas que configura um eventual novo meio?

Esta dúvida está na base de um debate pertinente, em que vários autores têm vindo a participar, balizado por dois pólos opostos, ainda que não necessariamente irredutíveis: de um lado, estão aqueles que se recusam a aceitar como sendo rádio um meio que desvirtuou algumas das suas características constituintes; do outro, encontramos os entusiastas da mudança em curso, que aceitam com naturalidade a alteração daquele que durante anos a fio constituiu o paradigma radiofónico e encaram as novas morfologias como consequência directa da sua adaptação às novas necessidades, ditadas não só pela crescente influência social da internet, mas também por um público progressivamente adaptado a mediações mais interactivas, impulsionadas pelo online.» (Tese de Mestrado de Pedro Portela, pág 52)

 

A websocial e uma nova democracia?

«A web-social (ou web 2.0), designação adoptada para caracterizar todo um conjunto de aplicações online que promovem a participação individual e a auto-expressão, de que o myspace será, porventura, o caso mais paradigmático, parece querer dotar os seus utilizadores da capacidade de “fazerem parte de, influenciarem, mudar e de algum modo representar um papel mais activo, ou mesmo de criar conteúdos próprios” (Leonhard, 2006)», rumo a «uma nova democracia e uma nova cidadania”» (Tese de mestrado de Pedro Portela, pag. 23)

Seres “tecnologicamente hipercomunicados, mas socialmente isolados”?

Mário Kaplún fala em seres “tecnologicamente hipercomunicados, mas socialmente isolados” (Kaplún, 1998). Com a extinção da prática social e de cidadania, a estes seres para quem as possibilidades de interacção são maiores que nunca, nada restará para comunicar senão pobres relatos das suas pseudoexperiências virtuais (Kaplún, 1998). (tese de mestrado de Pedro Portela), pag 23