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Transistor kills the radio star?

3.0.1 Tendências do segundo choque

O (aparente problema do) excesso de escolha provocado pela Internet

«(...) será que alguém precisa de tanto por onde escolher? Seremos capazes de gerir isso? Esta é a pergunta que mais se ouve nos dias que correm, à medida que a abundância da Internet se expande. A visão convencional é a de que é melhor haver mais escolhas, dado que esse fenómeno atende ao facto de as pessoas erem diferentes umas das outras, permitindo-lhes encontrar aquilo que se lhes adequa. No entanto, no The Paradox of Choice, um influente livro publicado em 2004, Barry Schwartz argumenta que o facto de haver demasiada escolha gera uma situação não só confusa como também bastante opressiva. (...) (180). A solução, descobriram, é organizar a escolha de uma forma que realmente ajude os consumidores (183) (...). A sabedoria convencional estava certa: é realmente melhor dispor de uma maior variedade de opções. Mas agora sabemos que a variedade, só por si, não é suficiente; precisamos também de informação acerca dessa variedade e de saber aquilo que os consumidores que nos antecederam fizeram com o mesmo leque de opções. O Google, com a sua aparente capacidade omnisciente para ordenar o infinito caos da Internet de forma a que surja à cabeça dos resultados das pesquisas aquilo que nós pretendemos, mostra o caminho. O paradoxo da escolha acabou por ter mais a ver com a escassez de ajuda na tomada de decisão quanto à escolha do que com uma rejeição da abundância. Organize a escolha de forma errada e ela será opressiva; organize-a da forma correcta e será libertadora.  (Anderson, 2007: 184)

«As formigas têm megafones» (Anderson)

«Para uma geração de clientes acostumados a fazer as suas pesquisas de compras através de motores de buscas, a marca de uma empresa não é aquilo que a empresa diz ser, mas sim aquilo que o Google diz que é. Os novos criadores de referências somos nós. O "passa palavra" é agora uma conversa pública, levada cabo nos comentários dos blogs e nas avaliações que os clientes fazem dos produtos, exaustivamente analisados e comparados. As formigas têm megafones» (Anderson, 2007: 104) 

Pro-Am (Profissionais-Amadores)

«Este é o mundo da "produção entre pares", o extraordinário fenómeno possibilitado pelo voluntarismo e amadorismo de massa da Internet. Estamos no despontar de uma época em que a maior parte dos produtores, em qualquer domínio, não é remunerada e em que a principal diferença entre eles e os seus concorrentes profissionais é simplesmente a (cada vez menor) discrepância nos recursos que lhes estão disponíveis para ampliarem os objectivos do seu trabalho. Quando as ferramentas de produção estão generalizadamente disponíveis, todos se transformam em produtores» (Anderson, 2007: 77)

«A "produção colaborativa" criou a eBay, a Wikipédia, a Craiglist, o MySpace e forneceu à Netflix centenas de milhares de críticas a filmes. Simultaneanente, o self-service permitiu ao Google vender publicidade por uns centavos por cada clique e levou a que o Skype angariasse 60 milhões de utilizadores em dois anos e meio. Ambos são exemplos de como os utilizadores fazem alegremente, e de forma gratuita, aquilo que - de outra forma - as empresas teriam que pagar para ser feito pelos seus colaboradores. Não se trata de outsourcing, mas sim de crowdsourcing» (ANderson, 2007:234) 

Do 'consumerismo' ao 'producerismo' participativo (Doc Searls)

«(...) estamos a deixar de ser consumidores passivos para passarmos a ser produtores activos. E estamos a fazê-lo porque gostamos (a palavra "amador" vem do latim amator, "amante", de amare, "amar"). Este fenómeno é visível em qualquer parte - na amplitude em que os blogs amadores partilham da atenção que o público dispensa aos media da corrente dominante, na capacidade das jovens bandas lançarem música online sem possuírem uma editora discográfica e no facto de os consumidores dominarem a crítica online. É como se o parâmetro por defeito da produção tivesse deixado de ser "mereça o direito de o fazer" para passar a ser "o que é que o impede?" .

O escritor Doc Searls designa este fenómeno como a transição do "consumerismo" para o "producerismo" participativo: "A 'economia dos consumidores' é um sistema controlado pelo produtor, no qual os consumidores não são mais do que fontes de energia que transformam o 'conteúdo' em dinheiro. Este é o resultado absolutamente corrompido do poder absoluto dos produtores sobre os consumidores. (...) A Apple está a oferecer aos consumidores as ferramentas que fazem deles produtores. Esta prática transforma radicalmente tanto o mercado como a economia que prospera através dele» (ANderson, 2007: 67) 

Jovens querem o controlo (diz Murdoch)

«Os jovens não querem depender de uma figura divina e superior que lhes diga o que é importante. (...) Querem controlar os seus próprios meios de comunicação, em vez de serem controlados por eles", Rupert Murdoch, 2005 (Anderson, 2007: 38) 

Lealdade dos ouvintes

«Loyalty.

We ask listeners for it.

We ask them to join our "loyal" listener club - and in too many cases we actually call it that.

But that isn’t how loyalty works.

Your dog isn’t loyal because you ask her for loyalty. She’s not loyal because you enter her into a contest where she has a one-in-a-thousand chance of a doggie treat. Yes, she’ll jump through hoops for you, but she doesn’t do it because you demand loyalty. She does it because she loves you.
Loyalty, in other words, is earned. It’s not solicited. And it diminishes the concept of loyalty to imagine you can bribe listeners into being loyal. Loyalty is a two-way street. To get it you have to give it. And giving loyalty means delivering what listeners want the way they want it. It means uncluttering the airwaves. It means placing the needs of the audience ahead of the needs of the sales department under the assumption that growing the audience will grow sales, while selling out the audience will shrink it and, in the long run, sink sales. It means opening a dialogue with listeners, not delivering a monologue. Email "blasts" are monologue. But communities are about dialogue - feedback and communication in all directions. Loyalty is about growing a tribe of fans for your station. Not about commanding submission.» (Mark Ramsey, hear2.0, «About Loyalty», 18/08/07)

You can learn a lot about marketing from your dog.

Slivercasting - transmitir para um nicho

«Slivercasing, or narrowcasting, is the transmission of video programming to a niche audience, often through relatively inexpensive means like streaming video over high-speed connections. By this means, programming what would not generate enough interest or revenue for broadcast can be made available to a small but highly dedicated audience of viewers. Slivercasting can be profitable because it enables highly targeted advertising aimed at specific demographics or interest groups»

«As Internet TV Aims at Niche Audiences, the Slivercast Is Born», IHT, SAUL HANSELL, March 12, 2006



 

Premiar os que dão mais escolhas

«Os hits agora competem com um número infinito de mercados de nicho, de qualquer dimensão. E os consumidores estão a premiar cada vez mais aqueles que lhes dão mais escolhas. A era da uniformização está a terminar e no seu lugar está a surgir algo de novo, um mercado de diversidade» (Anderson, 2007:6)

A nova e a velha rádio

«A grande vantagem das emissoras [clássicas de rádio e tv] é que se pode levar um programa a milhões de pessoas com uma eficiência sem par. Mas não se consegue fazer o oposto - levar um milhão de programas a cada pessoa individualmente. No entanto, é exactamente isso que a Internet faz tão bem. A economia da era das emissoras exigia programas de sucesso - grandes êxitos - para conquistar grandes audiências. A economia da era da banda larga exige o inverso. Para uma rede de distribuição que está optimizada para as comunicações ponto-a-ponto é extremamente caro e é um desperdício servir o mesmo fluxo a milhões de pessoas ao mesmo tempo» (Anderson, 2007: 5-6) 

(5.0) Passivos porque não tinham alternativa

«Cresci no auge da era da cultura de massas - os anos 70 e 80. Os adolescentes dessa época tinham acesso a meia dúzia de canais de TV e praticamente todas as pessoas assistiam à mesma mão-cheia de programas televisivos. Havia três ou quatro estações de rádio em qualquer cidade, que ditavam em grande medida o tipo de música que ouvíamos; apenas alguns miúdos ricos com mais sorte faziam colecções de discos um pouco mais ousadas. Todos nós víamos no cinema os mesmos êxitos de bilheteira no Verão e as notícias que recebíamos tinham origem nos mesmos jornais e emissoras. Os poucos lugares onde podíamos explorar o que estava fora da corrente dominante eram a biblioteca e a loja de livros de banda desenhada. Tanto quanto me recordo, a única cultura disponível sem ser a cultura de massas era a dos livros e aquilo que eu e os meus amigos inventávamos, e isso não ía além dos nossos próprios quintais» (Anderson, 2007: 3) 

«Consumidores inconstantes» (Chris Anderson)

«(...) se bem que continuemos obcecados com os hits, eles não são propriamente a força económica de outrora. Então, para onde estão a ir os consumidores inconstantes? Para nenhum lado em particular. Estão espalhados pelos quatro ventos, numa altura em que os mercados se fragmentam em nichos incontáveis. A área de grande crescimento é a web, mas trata-se de uma imensidão incategorizável de um milhão de destinos, cada um deles desafiando, à sua maneira, a lógica convencional dos media e do marketing» (Anderson, 2007: 2) 

(5.1) Estamos a viver um novo mundo... (via Chris Anderson)

«Estamos a deixar um mercado de massas para regressarmos a uma nação de nichos, desta vez definida não pela nossa geografia mas pelos nossos interesses» (Anderson: 2007: 42) 

«Ainda há procura para os grandes êxitos culturais, mas estes já não são o único mercado. Os hits agora competem com um número infinito de mercados de nicho. de qualquer dimensão. E os consumidores estão a premiar cada vez mais aqueles quc lhes dão mais escolhas. A era da uniformização está a terminar e no seu lugar está a surgir algo de novo, um mercado de diversidade» (ANderson, 2007: 6)

«O novo mercado de nichos não está a substituir o tradicional mercado, apenas a partilhar o palco com ele pela primeira vez. Ao longo de um século, desprezámos tudo o que não fosse um best-seller, com o intuito de darmos o mais eficiente uso ao dispendioso espaço nas prateleiras, ecrãs e canais, bem como à atenção dos consumidores. Agora, numa nova era de consumidores ligados em rede e a tudo o que é digital, a economia desse modelo de distribuição está a mudar radicalmente, à medida que a Internet absorve cada indústria em que toca, tornando-se uma loja, um cinema e um canal de emissão cujo custo é apenas uma fracção do custo tradicional» (Anderson, 2007: 7)

«Mas e se houver espaço infinito? Talvez os hits sejam a maneira errada de olhar para o negócio. Afinal de contas, existem muitos mais não-hits do que hits e actualmente ambos estão disponíveis em pé de igualdade. E se os não-hits todos juntos - desde o saudável produto de nicho aos mais completos fiascos - contribuíssem para criar um mercado tão grande, se não mesmo maior, do que o dos próprios hits? A resposta seria clara: isso transformaria de forma radical alguns dos maiores mercados do mundo» (Anderson, 2007: 9)

«Os grupos relacionam-se mais por afinidades e interesses comuns do que pelos horários fixos das emissões. Actualmente, os nossos 'dispensadores de água" são cada vez mais virtuais - existem muitos e diferentes, e quem se reúne em torno deles é auto-seleccionado. Estamos a deixar um mercado de massas para regressarmos a uma nação de nichos, desta vez definida não pela nossa geografia mas pelos nossos interesses» (Anderson, 2007: 42)

«Actualmente, tanto a realidade em torno dos canais de TV como a natueza efémera da televisão são resultado do estrangulamento da distribuição na área da emissão por cabo. A TV continua a viver na era do espaço de prateleira limitado, ao passo que a lição da Cauda Longa é a de que mais é sempre melhor.» (Anderson, 2007: 209)

A chave são os conteúdos

«There's a lesson here, and we've written about it before:  content is everything, and distribution is secondary.  Whether it's HD Radio, satellite radio, or anything else, it's all about the content» FRed Jacobs, in «A Positive Story About Radio», 17/08/07 (Jacoblog)

Mais do multitasking

«Young people are so used to multitasking they can't imagine life any other way. They visit with their friends while they download music, check MySpace and text message other friends who are visiting with friends, downloading music and checking MySpace. It makes us old folks wonder if they are truly doing any of those things. Or perhaps what they are doing is something we don't have a word for yet. The compilation of those activities creates a new activity.»

fonte: «Multitasking in a 'right now' kind of world», InsideBayArea.com, 12/08/2007

Consumo de meios em simultâneo (multitasking)

«Researchers estimate that 25-30% of total media time is spent multitasking, and the more media a person consumes, the more likely they will consume several channels at once. Why should marketers care? Because multitasking has a profound impact on consumers' ability to absorb and remember ad messages. (...) However, as more media floods into consumers' lives, they are finding ways to make room for them. Multitasking is a necessity. As a result, for marketers, "breaking through" to consumers is more difficult than ever. (...)

Key questions the "Multitasking Consumers" report answers:

  • How often do teens and adults use two or more media simultaneously?
  • Which media are most often consumed simultaneously?
  • How is multitasking affecting TV networks and online video sites?
  • Are consumers still engaged with media and advertising when they're multitasking? »
  • Fonte: «Multitasking Consumers: Distracted or Connected?» eMarketer, Janeiro 2007

Como atrair gente para os sites (de rádio)?

Mark Ramsey responde:

«So many people ask me what they can do to attract more listeners to their websites. And the answer is to give listeners what they want that relates to your station that they can't get or do as a unified community in any other place

Ainda outra ideia: «Just because YouTube is hot, for example, doesn't mean YOURtube will be hot. Just because I can share photos on Flickr doesn't mean I'll want to share them on my favorite radio station's website. Economy of effort is part of the media economy, so your site will win my web traffic only because you invite it in a way that is unique to you and compelling to me»

O exemplo que inspira Ramsey: http://www.xponentialmusic.org/885/index.php

Digitalização faz poupar no tempo consumido com meios de informação?

«For the first time since 1997 consumers spent less time with media in 2006 than they did the previous year, as media usage per person declined 0.5% to 3,530 hours, due to changing consumer behaviors and digital media efficiencies. This is according to data released by Veronis Suhler Stevenson (VSS), a private equity firm specializing in the media, communications, information and education industries.  (...) The drop in consumer media usage was driven by the continued migration of consumers to digital alternatives for news, information and entertainment, which require less time investment than their traditional media counterparts. For example, consumers typically watch broadcast or cable television at least 30 minutes per session while they spend as little as five to seven minutes viewing consumer-generated video clips online. »

fonte: «Research Reveals: US Consumer Media Usage Declines For The First Time In A Decade», Radio Ink, 08/08/07

Novos operadores oferecem produtos concorrentes

Uma das tendencias de futuro é a banalização de operadores que, entre outros serviços, oferecem canais áudio - em concorrência com a rádio (que assiste, impávida mas não serena...). Agora é a National Gegraphic...

«LOS ANGELES (Reuters) - National Geographic Ventures, the media wing of the venerable science and exploration society, is launching a music and radio division to accompany its existing TV, film, magazine and digital units.The new enterprise comprises a record label, a music publishing house, a live-concert branch and a radio unit that will produce syndicated shows for over-the-air radio stations and Internet outlets, David Beal, the division's president, said on Friday. The radio venture is launching with several distribution partners, including commercial radio giant Clear Channel Communications, National Public Radio and leading Christian broadcaster Salem Communications Corp. Beal said specifics of those deals would be unveiled in the fall. "We'll be making an announcement very soon, which you'll see makes us very hungry for programming," he said. "It's more than a few hours, or a hundred hours -- it's a lot of programming." (...)»

fonte: «National Geographic launches new music, radio unit», Reuters, Aug 3, 2007

Ganhar mais dinheiro com os novos meios

A frase é de Triton Media President Mike Agovino:

"If we’re not making more money OFF the air than we are ON the air 10 years from now, we’re in trouble."

Mark Ramsey: «his absolutely correct perspective on what the future holds for Radio and how to navigate our way to success as our competition and clients dramatically change. Our industry is in the midst of transformation, and it is going to happen very, very quickly. Agovino walks through the steps you and your group should take NOW to surf these changes rather than getting swallowed up by them»

E há quem ache 10 anos demasiado tempo...

A nova relação entre música e rádio

«If you want to see the irrelevance of commercial radio to music fans, these two nights at Sydney's atmosphere-free barn would be enough. Two English bands - both two albums into their careers, both on their second tours of Australia - with relatively little presence on radio, sold out this 5000-6000 capacity room on consecutive nights»