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Transistor kills the radio star?

Transição dos hábitos lineares para não-lineares

Bardoel e d'Haenens (2008: 342) explicam que as estratégias dos operadores têm passado por ir acrescentando conteúdos que permitam aumentar os hábitos não-lineares, à custa dos - ainda maioritários - hábitos lineares. «IN order to maintain a reasonable level of audience reach, broadcasters will decide to extend their portfolio of platforms and channels». dos canais temáticos às estratégias cross-media, que visam «try to keep the viewer's and listener's attention as long as possible» 

BARDOEL, Johannes e d'HAENENS, Leen, (2008), Reinventing public service broadcasting in Europe: prospects, promises and problems. Media Culture Society; 30: 337-355

O desafio digital da rádio pública

«The most battlefield for a public broadcasting is the new media platforms that offer interactivicty and a more targeted supply of programmes. Although the commercial sector has tried, and continues to trym to limit public broadcasting to the provision of a free programme offering via open, analogue networks, both national and EU politics allow public broadcasting to operate on new platforms as well, provived that the new services fit with the public remit and do not distort competition» (Bardoel e d’Haenens, 2008: 342) 

Mais sobre a questão da percepção

Há um problema de percepção. Mas provavelmente não da forma que a industria está a considerar. Ou com a importância que lhe dá essa mesma industria:

«But industry executives say Americans still want to listen to the radio. And rather than fear threats from new technology, the industry is looking to use the technology to improve its product. "We found out [from consumer surveys] people love radio. But it's free and so accessible, they take it for granted," said David Rehr, president of the National Association of Broadcasters, a trade association that represents 8,300 radio and television stations. "We're the technology that's been around for a long time," he said. The NAB and several other industry groups banded together last month to start a new promotional program called "Radio Heard Here," which they hope will change perceptions that radio is a tired old medium. "We've got to push forward. We've got to be about tomorrow," Rehr said.

BASCH, Mark «Radio is working with, not against, iPods», Jacksonville.com,  19/05/08

Digitalização e iPods permitem descobrir 'toda' a música, até a dos pais

Um dos fenómenos mais interessantes, a merecer estudo que foge deste âmbito, é a possibilidade de fazer coincidir grupos e estilos musicais com gerações, como sempre aconteceu. Aproveitando a abundância de música permitida pela digitalização e disponibilizada pelos iPods/mp3, há lugar à descoberta de velha música, ou, como dizia, o USA Today «Kids are listening to their parents; Their parents' music, that is», By Edna Gundersen, USA TODAY, 30/04/03 

A música na net não é apenas pop/rock; música clássica

«O propósito do MusOpen é tornar pública toda a música que já não esteja abrangida pela protecção de direitos de autor. E o serviço online adicionou recentemente novos títulos ao seu repertório: as 32 sonatas para piano compostas por Beethoven disponíveis para download gratuito e ilimitado.

Muitas das partituras escritas pelos grandes compositores da história da música fazem parte do domínio público desde há muito - os direitos expiram ao fim de 70 anos depois da morte do respectivo autor. Mas esta condição não torna acessíveis as obras gravadas para serem utilizadas em remisturas ou bandas sonoras. Às edições discográficas estão associados direitos conexos, que recaem sobre os intérpretes que executam as obras. E na Europa, a sua duração é de 50 anos desde a edição comercial. Tais direitos impedem a utilização livre dos registos.

O MusOpen propõe a regravação destas obras por músicos profissionais. Para tal, convoca os seus utilizadores para o apoio nos custos que suportam tal processo. As doações feitas online servem para pagar as gravações, que posteriormente são colocadas no site à disposição de qualquer pessoa. Por exemplo, para gravar as 32 sonatas de Beethoven foram recolhidos dois mil dólares em doações. De acordo com o próprio MusOpen, são necessários cerca de cinco dólares por pessoa para que uma gravação deste género seja concretizável (menos de cinco euros)»
 (ou seja, à margem das editoras, um modelo de viabilização alternativo ao dos sites de pop/rock)

Outras opções, aqui sistematizadas por Paulo Querido.

 

(3.1) Não é apenas a 'geração iPod' que está a ouvir menos

O que mostra este estudo é que a queda nas audiências de rádio é genérica e não apenas na geração iPod; esta apenas radicaliza este afastamento (mas as queixas são genéricas e não específicas).

Todos os suportes, que não a net, são parte do problema

O Reino Unido, onde o DAB conseguiu algum sucesso, continua a apostar neste suporte para o lançamento de novos projectos, alguns deles ambiciosos. isto tem consequências negativas ao nivel da aposta, que deveria ser mais forte e consistente, na Internet. Isto é, quanto mais se aposta no DAB menos se olha para a net (até porque não se pense que os mesmos conteudos servem para diferentes suportes; a transição FM-DAB neste país provou-o). E estou a referir-me a tecnologia, dinheiro, meios humanos e criatividade. Claro que exitindo outros suportes seria absurdo não os aproveitar (o FM ainda é popular, o DAB na GB tem publico, mas assentar a estrategia no DAB ou, mesmo ,colocar as varias opções no mesmo plano é um erro tremendo; os conteudos a partir da net é que deveriam liderar).

O DAB, o seu irmão HD e todos os suportes, mesmo que digitais, não assentes na net, são transitórios e, nalguns casos (o FM), presos ao passado. «aquilo que há 15 anos parecia uma óptima ideia - o DAB -, é hoje parte do problema e não da solução. Visto a esta distância, o DAB é apenas um FM melhor, mas na Grã-Bretanha têm sido gastos milhões nessa tecnologia». Enquanto, por estas razões, a industria dá passos timidos relativamente à Net, «outros operadores, sem ligação à rádio, e que estão a fazer diversos negócios - como mostrou um dos fundadores da Last.fm (um dos maiores jornais da Europa, o Bild, tem um canal de rádio na net. Com quem? Com a Last.fm, claro).» São estes operadores que estão mais perto de encontrar os «públicos onde eles estão. E eles estão cada vez mais à volta do mundo digital

Por curiosidade, eis a pequena carta-aberta que dirigi ao director do novo projecto do Channel Four na rádio digital DAB, Bob Shennan, na sequência dessa conferencia em Londres Radio 3.0

«Don't do it, Bob
 
Dear Bob
I assisted yesterday to your presentation (as to all others, in Radio 3.0 conference) and allow me to say this: don't do 4Radio on D.A.B.!
Where I live, work and study there's no D.A.B. and his associated problems, so I think I can listen to you with some distance. I listened to you and to other people spoken about D.A.B. with very discomfort. I think nobody in radio broadcasting likes D.A.B., but it seems like the story of a friend we - long time ago - invited to our home and now have not the courage to send away (anyway, everyday family talks about it with no solution)...
What I have listened yesterday was something like this: D.A.B. was a mistake (a understandable mistake, 15 years ago), you have invested a lot on this, but now you have realized that is not the future. What to do? In portuguese we usually joke, saying someone is already dead, but nobody has courage to say this to him. That's what I'm trying to say to you: who, 10 years ago, invested has now problems to solve, but you, with a new project, must go direct to internet! Listen to UBC Simon Cole or Martin Stiksel, of Last.fm. They're already there. You, Bob, are, as McLuhan said, looking the future by the rear view mirror.
Put our friend out of home! The problem with D.A.B is double: when you invest money, time and ideas on this technology, you are not investing on content on Internet. That's why, with BBC exception, web content on british radio is so poor.
Believe me, Bob: D.A.B. is only a better FM. FM is gonna be switched off - you doubt it? (The same in US, with local D.A.B., HD)
.
 
Wishing all the best, without D.A.B, I'm
Joao Paulo Meneses»

A importância de ser ou não ser rádio

Quem é que, além dos que possam investigar estas matérias, se preocupa se sites como Last.fm são rádio? A própria rádio.

É obvio que, por muitas referências que façam à tradição e herança hertziana, estes sites que disponibilizam (via streaming ou downloading) música não são rádio. Têm música e têm som. Mas ter música e ter som não faz rádio. O próprio conceito de «personalized radio» é anti-rádio, na medida em que rádio não pode ser personalizada.

A industria radiofónica, confusa com os novos tempos, tenta perceber se é ou se não é para se posicionar; provavelmente para aderir se for. Até que lhe digam que a questão é inutil, porque a resposta é evidente, a incerteza continuará.

Esta dicotomia acentuar-se-á, como veremos adiante, na forma de convergir com a internet: criando consumo activo ou mantendo-se baseados na ideia de consumo passivo (idiossincrático à rádio convencional)

Sobre o crescimento do nº de sites que oferecem música

Quase todas as semanas, em 2008, aparece mais um site que oferece música atraves da internet (streaming ou donwloading) e que se afirma 100% legal. Somando todos os que existem, em versões desenvolvidas ou apenas «beta», serão nesta altura perto de 100. Ou estarão a chegar a esse número. A centena, neste contexto, nada tem de especial (não é uma meta). É importante, contudo, perceber que quantos mais existirem mais esta 'industria' se desenvolverá e se afirmará. Mais gente os utilizará, mais eles ganham dimensão. E, perante a concorrência, mais se desenvolverão, mais afirmarão capacidades de fazer a diferença. Todos têm música. O que irá variar ´não é portanto esse conteúdo (eles têm «toda» a música) mas a relação que estabelecerem com os utilizadores (porque disso depende a sua viabilidade). Ora para construirem uma relação com os utilizadores parece certo que o caminho será o de dar-lhes mais poder. Um exemplo final: o Pandora foi durante alguns anos «the best killer application» (para usar o jargão informático) mas perdeu fulgor a partir de 2007/2008, com o aparecimento de programas concorrentes que oferecem muito mais oferta, mas sobretudo mais personalização e poder de controlo ao utilizador.

BOYD, Danah m. e ELLISON, Nicole B. (2007), Social Network Sites: Definition, History, and Scholarship, Journal of Computer-Mediated Communication, 13(1), article 11

BOYD, Danah m. e ELLISON, Nicole B. (2007), Social Network Sites: Definition, History, and Scholarship, Journal of Computer-Mediated Communication, 13(1), article 11 

Para uma compreensão dos sites de redes sociais

«While we use the term "social network site" to describe this phenomenon, the term "social networking sites" also appears in public discourse, and the two terms are often used interchangeably. We chose not to employ the term "networking" for two reasons: emphasis and scope. "Networking" emphasizes relationship initiation, often between strangers. While networking is possible on these sites, it is not the primary practice on many of them, nor is it what differentiates them from other forms of computer-mediated communication (CMC) [Computer Mediated Communication].

What makes social network sites unique is not that they allow individuals to meet strangers, but rather that they enable users to articulate and make visible their social networks. This can result in connections between individuals that would not otherwise be made, but that is often not the goal, and these meetings are frequently between "latent ties" (Haythornthwaite, 2005) who share some offline connection. On many of the large SNSs [social network sites], participants are not necessarily "networking" or looking to meet new people; instead, they are primarily communicating with people who are already a part of their extended social network. To emphasize this articulated social network as a critical organizing feature of these sites, we label them "social network sites."

While SNSs have implemented a wide variety of technical features, their backbone consists of visible profiles that display an articulated list of Friends1 who are also users of the system. Profiles are unique pages where one can "type oneself into being" (Sundén, 2003, p. 3). After joining an SNS, an individual is asked to fill out forms containing a series of questions. The profile is generated using the answers to these questions, which typically include descriptors such as age, location, interests, and an "about me" section. Most sites also encourage users to upload a profile photo. Some sites allow users to enhance their profiles by adding multimedia content or modifying their profile’s look and feel. Others, such as Facebook, allow users to add modules ("Applications") that enhance their profile.» (boyd e Ellison, 2007: 2)

Rogério Santos: «Uma rede social é formada na internet com dispositivos de troca e partilha de mensagens e ficheiros, chats, grupos de discussão, blogues, música, álbuns fotográficos e vídeos e interactividade nos telemóveis, que ligam amigos e amigos de amigos. Angaria amigos físicos e virtuais, reunidos por um tema, agregando novos utilizadores por convite, e decalca a relação como se fossem convites para participar numa festa ou grupo. Exponencia o lado lúdico, com actualização como se fosse um noticiário de amigos – festas, férias, fotografias, ponto de encontro virtual. (...) Conforme as mesmas investigadoras (Boyd e Ellison, 2007), define-se a rede social como um serviço de internet que permite aos indivíduos: 1) construir um perfil público dentro de um sistema definido, 2) articulando outros utilizadores com quem estabelecem ligações, 3) atravessando a sua lista de ligações com outros utlizadores dentro do sistema. O que torna distinta a rede social, continuam Boyd e Ellison, não é tanto fazer contactos com desconhecidos mas articular e tornar visível as redes sociais a que um utilizador pertence. Em muitas das redes sociais, concluem os dois investigadores, a rede social serve principalmente para comunicar com as pessoas que já pertencem a essa rede.»

Q e NME lançam-se na rádio; o que significa?

Duas das mais importantes revistas britânicas da área musical (re)lançam-se na rádio, nomeadamente através do DAB («Two of Britain's biggest music magazines are getting into the radio business. First was Bauer-owned monthly magazine Q, Britain's biggest-selling music magazine (...) On June 2, it relaunched its Q Radio service -- previously a DJ-free automated playout service -- on DAB digital radio in London, digital TV platforms nationwide and online. On June 24, IPC Media-owned music weekly NME (circulation 64,033) will launch NME Radio on similar platforms, with additional temporary FM availability via limited local licenses»). O que é que isto significa?

Por um lado que estão a aproveitar a possibilidade de distribuir um conteúdo por várias plataformas - pelo menos enquanto não houver uma que seja a dominadora e faça desaparecer as outras; essa será a Internet, até porque estas duas revistas, como se pode ler, têm, «"The potential for both is huge, because both brands are known worldwide," says Parlophone U.K. head of radio Kevin McCabe» (ou seja, estão a viver o tempo de transição actual, de hibridismo e de icerteza);  por outro, penso, se o estão a fazer agora e não antes é porque perceberam o potencial online que o áudio e a musica têm.

Ambas vão ter emissões ao vivo (a emissão rádio convencional) e blocos gravados.

fonte: SUTHERLAND, Mark, «UK music mags tune in to radio's power, Reuters, Jun 6, 2008

Porque é que não olham para o que querem os consumidores»? (Richard Laermer)

(o que a rádio convencional faz - OU NÃO FAZ - para se aproximar dos ouvintes, na actualidade)

MARK RAMSEY: «I’m always surprised, Richard, that in Radio, for example, folks will go out of their way to go to a radio convention, but will rarely attend any gathering focused on new media, when that is the industry Radio is now a part of.

Well, people don’t think about what their customers do. They think about their own industry, but they don’t think like their customers.

Radio stations are doing less research today, not more. Why is that? That drives me crazy. Why aren’t they looking at what their customers want out of their own lives, you know?

Just because your station has listeners doesn’t mean you’re connecting to them. In the book I talk about auditing and how you can find your listeners, users, or whatever, and get to know them. I mean it’s so easy to do that now. And I mean real audits – ask the hard questions, like “Why do you hate us?”» RAMSEY, Mark, Radio Trendspotting - an interview with marketing guru Richard Laermer», Hear2.0, 6/06/08

Quanto tempo durará a transição?

«The next decade or more will be a transitional time, as radio, like newspapers and television networks, forswears allegiance [renegar/recusar fidelidade] to any one means of distribution and declares itself platform-agnostic» [ou seja o autor defende que a rádio, no caso, deve aderir a uma plataforma - a Internet? - em vez de se posicionar como agnostica em relação às que existem]

fonte: FISHER, Mark, Weakening Signals Washington Post, 1/06/08

O que será a Internet no futuro?

«Com esta tendência de crescimento de utilizadores e de conteúdos multimédia que sobrecarregam as redes, para onde vai a Internet? Segundo a operadora AT&T, sem novos investimentos nas infra-estruturas, o limite de capacidade física será atingido dentro de dois anos. O alerta não é novo e o apocalipse da Internet tem sido avançado várias vezes desde os anos 90. Jim Cicconi considera que o vídeo e os conteúdos gerados pelos utilizadores estão a pressionar as redes. "O vídeo será 80% de todo o tráfego em 2010, quando é 30% agora", refere o vice-presidente da AT&T» (FONSECA, Pedro, Está a Internet à beira do fim?, Diário de Notícias, 1/06/08)
Isto remete-nos directamente para o problema da 'net neutrality' e da relação com os investimentos (pesados) nas redes, para aumento da capacidade, redes essas que depois serão usadas por aplicações naõ apenas concorrentes como até inimigas, como por exemplo o Skype. Quem deve fazer os investimentos nas redes (de nova geração), de modo a que elas suportem os desafios que aí vêm?

Nenhuma tecnologia elimina a outra?

«(...) Contudo, a lógica da remediação, continuam Bolter e Grusin (2000: 225), sugere que nenhuma tecnologia elimine as outras. É o caso dos videojogos, que podem ser jogados numa consola de videojogos ou num computador mas igualmente num televisor» , escreve Rogério Santos, a partir do livro de Jay David Bolter e Richard Grusin, Remediation. Understanding new media (2000).

Rogério Santos também explica que «relativamente às tecnologias, eu não sou eufórico ou optimista (promessas tipo - a internet traz conhecimentos novos, torna obsoletos todos os media anteriores, os jovens aprendem rapidamente e apropriam-se dela). Igualmente, não sou disfórico ou pessimista (ameaças tipo - uma nova tecnologia traz consigo desregulação, males, disfuncionalidades, vícios). Já o escrevi em 1998, num livro chamado Os novos media e o espaço público. Por isso, uso a internet mas não acredito apenas nas suas potencialidades harmoniosas (há defeitos, como a abundância de informação gerar bulimia e incapacidade de discernir o útil). A internet - e a digitalização - são, em primeiro lugar, tecnologias. Depois, são usadas por pessoas, cujo emprego é múltiplo. (...) como conclusão da leitura que faço do conceito de remediação em Bolter e Grusin, retiro que a internet não é "tudo ou nada" mas apenas relação com os outros media. Ou seja, a internet não provoca o esquecimento dos outros media ou os torna velhos próprios para a sucata».

Nesse mesmo espaço escrevi que «estou convencido de que, ao contrário, a Internet vai tornar obsoletos os outros media. Não é coisa para uma geração nem duas, mas os mais novos já começam a «testar» isso, eles conhecem conteúdos não conhecem meios (se os entendermos como distribuição); O YouTube não é televisão; para eles é. podcasting não é rádio, para eles é»

Rogério Santos, num texto anterior: «Os estudiosos dos media aceitam o mito moderno do novo: as tecnologias digitais como a internet, a realidade virtual e os gráficos de computador estabelecem um divórcio face aos media anteriores, com novos princípios estéticos e culturais. Jay David Bolter e Richard Grusin põem em causa esta concepção, oferecendo uma teoria da mediação na idade digital. Bolter e Grusin argumentam que os novos media encontram significado cultural precisamente porque prestam homenagem e renovam os media anteriores como a pintura de perspectiva, a fotografia, o filme e a televisão. Ao processo de renovação, eles chamam "remediação", referindo que os media anteriores se renovaram face a media ainda mais antigos: a fotografia remediou a pintura, o filme remediou a fotografia, a televisão remediou o filme, o teatro de revista e a rádio (da contracapa do livro de Jay David Bolter e Richard Grusin)» Concordo com esta perspectiva (menos a questão da 'homenagem'), a partir do momento em que se assiste à utilização por parte da Internet, como canal de distribuição, de conteúdos dos meios clássicos, incorporando-os, misturando-os, e adaptando-os: o video, os graficos, os canais de audio, etc.

  

Controlar a escolha... a partir do Google

«(...) teremos excesso de oferta. 30 ou 40 mil 'streamings' sonoros, por exemplo, à espera da nossa escuta. Como resolver? A resposta está no Google. Quanto maior a oferta, mais necessidade haverá de controlar a escolha. O consumo será mais activo, porque exigirá kais de nós, mas parece-me que tão importante como ter os conteudos é conseguir controlar a escolha, de modo a que consumidor consiga... consumidor» (Meneses, João Paulo, «Convergir na recepção», Meios & Publicidade, 06/06/08, pág. 10)

Caminhos para a rádio musical

 

«Visto desta forma fatalista, a rádio, sobretudo musical, estará condenada. Mas há caminhos que a rádio pode tomar para tentar sobreviver – conciliando a sua característica gratuita com a forte implantação histórica e cultural [até que ponto isto é relevante para quem não a conhece?]:

Deixar, de uma vez por todas, de entender a Internet como rival e potenciar-se através dela, criando múltiplos canais de difusão musical, chegando a nichos esquecidos e possibilitando uma lógica de diversidade e de repetição, palavras inconciliáveis na rádio convencional (mas não para os canais áudio que transmitem em streaming); Para Elsa Moreno Moreno a especialização musicalpode não ser a única resposta à pergunta sobre os novos conteúdos da rádio “pero sí la más extendida y probablemente lo siga siendo durante los próximos años a través de los diferentes soportes de producción y distribución ante los que converge el médio10. O mesmo caminho é apontado por um estudo da TechnoMetrica Market Intelligence:O futuro da rádio musical reside provavelmente em entretenimento altamente especializado e em apresentar novos artistas e produtos musicais a mercados altamente especializados11. A Internet também permite as tais expressões de interactividade, um dos segredos da web social, e que não há razão para a rádio não incorporar;

O sucesso desses canais de áudio é explicável pela desatenção da rádio convencional – que tem o know how, mas se limita a repetir fórmulas. Poderia ter sido ela a promovê-los. Ou seja, ganha quem tiver conteúdos que façam a diferença e se, quem os tiver, os adaptar aos novos tempos Se isso não acontecer, não faz sentido concorrer quando a perda é evidente;

Mais do que apostar em inovações tecnológicas que parecem condenadas a médio-prazo (como o HD, que permite o multicasting, mas obriga a novos aparelhos e a novas lógicas de convergência), o esforço da indústria deveria ser para convencer as marcas que operam os novos suportes a integrar a rádio como funcionalidade standard (uma entre várias); ou seja, estar onde estão, e onde estarão cada vez mais, os potenciais ouvintes (o receptor de rádio, tal como o conhecemos hoje, está condenado a convergir ou a desaparecer);

E, finalmente, não se limitar à conectividade em telemóveis, consolas ou leitores de áudio, mas encontrar programas, serviços e conteúdos que estas plataformas – por serem apenas distribuidoras – não contemplem; a espontaneidade da voz humana parece um valor determinante.

(...) há algo que parece abrigado de qualquer futurologia: só com novos conteúdos a rádio musical pode sobreviver. É que o ambiente não é mais o mesmo: do offline passamos, todos, para uma realidade online. Com outras características, exigências e possibilidades» (MENESES, 2007: 11-12)

 

 

10

Elsa Moreno Moreno, s/ título, http://www.unav.es/fcom/jornadas2000/Ponencias/Ponencia%20Elsa%20Moreno%20Final%20.htm (cons. a 06/01/07)

11

Music Radio Stations Hard Hit By Personal Digital Music Revolution”, Music Industry News Network, 08/06/05 (cons. a 06/01/07)

Quando a rádio era o único meio disponível (e grátis) a oferecer

música (e música nova) os jovens ouviam; hoje já não é...