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Transistor kills the radio star?

Receptores de rádio via satélite funcionam como LAD

A XM e a Sirius anunciam o lançamento no mercado dos EUA (e do Canadá?) de receptores que funcionarão como leitores de audio digital, o que já está a ser visto como uma ameaça à indústria musical: "the arrival in stores of new satellite-radio receivers that mimic iPods in their ability to store and organize hundreds of songs".

"New receivers from XM and Sirius, subscribers can record far more music from satellite-radio broadcasts and manage songs as if they had bought them individually, for instance by setting up playlists and deleting songs they don’t like. Because both services offer niche channels, it becomes easy for users to quickly find artists or songs they want and store them. Sirius, for instance, offers channels such as Rolling Stones Radio and Elvis Radio".

Outro excerto:

"The new receivers, which are just coming to market, greatly expand what a satellite radio can do. Sirius's S50, which retails for about $330, can store one gigabyte of music, enough space for about 750 songs. That's more than a comparable iPod, because the song files hold less information than an Apple song file. The Sirius device allows users to record long stretches of programming, and then edit and organize songs much like an iPod. It also has functions helping users navigate recorded material to locate music by a particular artist. The device has been a hit since being introduced a few weeks ago and is sold out at many stores."

A rádio por satélite afirma-se, entrando no campo da indústria discográfica. Esta pretende renegociar os contratos (favoráveis) que acertou com a XM e a Sirius.

O grande obstáculo é que estes (apenas estes?) receptores ainda não são verdadeiramente portáteis: para receberem a emissão têm de estar ligados aquilo que chamam uma "docking station"; depois de recebidas e gravadas as emissões, são autonomos e podem funcionar como um iPod. Para serem verdadeiramente portáteis têm de receber o sinal satélite em qualquer lugar.

A notícia do Wall Street Journal chama-se "Music labels see new threat from satellite radio" (por assinatura; possivel ligação aqui), por Sarah McBride, 8/12/05

Comentários aqui.

(dica: Clube de Jornalistas)

As consequências da revolução digital na música

"listening to music is no longer a pastime but has become more of a habit. People are taking music for granted."

Esta é uma das conclusões de um estudo feito por um grupo de investigadores da Universidade de Leicester, que inquiriram 350 pessoas de várias ocupações e idades. O texto original saiu no jornal Scotsman: "New research on the listening habits of music fans has revealed that many now plug in their ear-phones out of habit rather than for enjoyment".

(só) 28 por cento dos portugueses usam a net para ouvir rádio (ou ver TV)

É muito? É pouco?

Os resultados aparecem num inquérito do INE que mostra que 31,5% dos lares portugueses têm acesso à net a partir de casa.

31,3% utilizaram a internet para consultar portais de saúde. E só 28,1% para ouvir rádio ou ver tv na internet.

(via DN de hoje, sem ligação)

A rádio através da televisão!

Por acaso cheguei à página da BBC, Radio Wales, e deparei-me com uma realidade bastante diferente daquela que temos por cá: além da emissão hertziana (FM e AM) e da transmissão pela internet, este canal da BBC tem a difusão digital, via DAB; até aí nada de novo. O que faz a diferença são as três formas alternativas de emissão, através da televisão: uma aproveitando a televisão digital terrestre , outra através do satélite digital e outra junto com o cabo (digital).

Não há aqui nada que a rádio portuguesa possa explorar?

"Wherever you are in Wales or the world, you can listen to Radio Wales:
Online
You’ll need to install Real’s free players to listen online. Get help on installing RealPlayer, and watching/listening to BBC clips online.
In FM stereo
Listen to Radio Wales in FM stereo. Find out the FM frequency where you are.
On medium-wave
Throughout Wales on 882 and 657 AM
Via DAB digital radio
Radio Wales is available on digital radio if you have a radio with the DAB logo. For more information on DAB digital radio, visit the BBC’s Digital Radio site.
Via Freeview - digital terrestrial television
Tune your Freeview box to 719 and listen to BBC Radio Wales. (This changed from channel 89 on Tuesday 18 October - you may have received an automatic update on 18 October, or you may need to retune your box - find out more.)
Via digital satellite
Tune your digital satellite receiver to channel 867, and listen to Radio Wales, wherever you are in the UK.
Via digital cable
Radio Wales can be received via digital cable television on NTL channel number 870.»

O podcasting pode ser um bom negócio (com publicidade)?

Há quem diga que sim:

"While podcasting was originally embraced by radio as simply a convenience to listeners, the medium is proving itself to be a new, incremental revenue stream, Mediaweek writes. For example, Premiere Radio Networks, which offers subscription podcasts of high-profile radio personalities such as Jim Rome and Rush Limbaugh at $60-$70 a year, has landed an advertising deal with Starburst. The deal will see Starburst paying six figures to sponsor a three-minute, customized podcast based on the Ryan Seacrest American Top 40 show.

Premiere is also the first major radio broadcaster to embrace direct delivery of video to the new iPods, offering one-minute video segments of the Rush Limbaugh Show to subscribers.

Clear Channel is seeing local radio podcasts catch on with advertisers, with companies like Virgin Mobile in New York, the Apple Store in Dayton, and a Mercedes-Benz dealer in Phoenix purchasing 15-second spots before the airing of the content."

(28/11/05 Radio Embracing Podcasts as Revenue Stream)

DAB é a segunda forma de ouvir rádio na GB

Este estudo mostra que o DAB é uma coisa cada vez mais séria. Não sei se é definitiva, mas que está a crescerm não há dúvida. É na GB que o DAB está mais avançado. (agradeço ao Obercom os dados).

"O total de horas de audição de rádio via receptores digitais (DAB) superou pela primeira vez o total combinado de horas de audição através da televisão digital e da Internet

De acordo com os dados recentemente publicados pelo RAJAR, o total de horas de audição através de DAB cresceu cerca de 165%, aumento substancialmente superior ao registado pela televisão digital (42%) ou pela Internet (84%). Além disso, o DAB totalizou também o maior crescimento em termos de alcance (95%), em comparação com os outros dois suportes de audição em análise (Televisão digital, 28% e Internet, 30%).

 

Os quadros seguintes permitem-nos avaliar a situação do DAB no Reino Unido:

Audição de Rádio por Tipo de Suporte – Duração

 

Ano 2004

Ano 2005

 

Horas (000)

%

Horas (000)

%

Total Rádio

440781

100

592768

100

DAB

23675

5,4

62790

10,6

Televisão Digital

23115
5,2
32820
5,6
Internet
11026
2,5
20333
3,4
AM/FM

360542

81,8

443393

74,8

Fonte: RAJAR

 

O total de horas de audição por ouvinte aumentou, passando de 24,4 em 2004, para 26,6 em 2005, sendo o DAB o suporte que registou um maior crescimento.

 

Audição de Rádio por Tipo de Suporte – Alcance

 

Ano 2004

Ano 2005

 

milhares

%

milhares

%

Total Rádio

17911

93,9

22266

93,7

DAB

2470

12,9

4819

20,3

Televisão Digital

4577
24
5872
24,7
Internet
2738
14,4
3553
15
AM/FM

17527

91,9

21203

88,8

Fonte: RAJAR


De notar também que este aumento do consumo de rádio digital via DAB é confirmado pelos dados publicados pelo DRDB (Digital Radio Development Bureau), que relatam um aumento de 257% nas vendas deste tipo de suporte, e prevêem uma taxa de penetração de cerca de 40% nos lares do Reino Unido em 2009. Note-se que o total de indivíduos que possuem um sistema DAB passou, de acordo com o RAJAR, de 4,5% em Setembro de 2004, para 10,5% em Setembro de 2005.

Howard Stern estreia-se a 6 de Janeiro na Sirius

É a maior contratação de sempre feita na rádio: a empresa de emissão via satélite contratou Howard Stern por 500 milhões de dólares e o jock começa em 6 Janeiro a tentar justificar a aposta gigantesca.

Até lá a Sirius está a tentar tirar o máximo de proveito, com uma impressionante campanha de relações públicas e de publicidade, que visa conquistar o máximo de clientes/subscritores até lá. Um exemplo. Outro é o sítio de acesso ao novo estúdio de HS.

Claro que um investimento tão brutal tem de ser medido. Por isso Corey Deitz pergunta como é que será possível saber se HS continua a ser o rei da rádio nos EUA? Isso remete para a dificuldade de medir as audiências nos canais satélite. De qualquer forma, a Sirius diz que tem as suas próprias formas de o medir: através da entrada de novos clientes e , “SIRIUS measures listenership and customer satisfaction by using detailed, customized customer surveys, administered regularly.” Acresce o problema da comparação com as audiências anteriores, na rádio convencional. "After all these years of judgment by ratings, maybe SIRIUS will be an oasis for Stern; a place where ratings will personally mean little".

O mesmo Corey Deitz já tinha alertado para um outro problema: HS saiu da Infinity (o gigante da rádio dos EUA) devido a multas impostas pela autoridade norte-americana, a FCC. Irá Stern repetir os impropérios na Sirius? O melhor talvez, para um animador tão polémico, fosse dedicar-se ao podcasting - aí a FCC não poderia intervir (acredita-se que mais cedo ou mais tarde a FCC entrará no satélite). "If he really wanted to guarantee his artistic freedom, he just may have been seduced by the wrong technology".

ACT a 14/12: Amanhã, sexta, é o ultimo dia de HS na rádio terrestre. A Yahoo reforça o impacto: "As part of his grand exit, Yahoo will usher the jock into a Yahoo-branded double-decker bus, which will careen the streets of Manhattan. The outspoken radio personality will then be the center of an exclusive event at the Hard Rock Cafe, all of which will be streamed to Yahoo users"

Televisão e computador fundem-se (Viiv)

"O casamento entre a televisão e o computador ficou esta semana mais próximo quando a Intel, um dos maiores fabricantes de "chips" do mundo, revelou os seus projectos para usar uma nova tecnologia que funde os dois aparelhos. A Intel diz estar a trabalhar com mais de 40 empresas em todo o mundo, nas áreas do cinema, música, televisão, jogos e edição de fotografia para fornecer conteúdos a computadores usando uma tecnologia designada Viiv. Com saída marcada para 2006, computadores equipados com Viiv estão projectados para controlar toda a experiência de entretenimento doméstico. Transformam a televisão num ecrã de computador com a capacidade para realizar qualquer tarefa de um computador, incluindo fazer pesquisas na internet. Operado por controlo remoto, o sistema será capaz de mostrar um filme na televisão ao mesmo tempo que faz o download de músicas para ouvir mais tarde. Ligar-se-á automaticamente como uma televisão e possuirá a capacidade-extra para gravar programas de tv. Um centro de entretenimento operado por um computador com uma plataforma Viiv será capaz de se ligar a outros aparelhos, como reprodutores de DVD, portáteis ou não."

"Mais um passo na fusão do computador e da televisão",12.12.2005 - 10h34   Steven Levingston (Washington Post ) ; Público de hoje


 

O podcasting português começou a mexer?

"No início de 2006, a TSF vai disponibilizar conteúdos de seis programas para podcasting, revelou Luís Proença, director adjunto da rádio. Rui Pêgo, director de programas da RDP, gostaria de começar a produzir conteúdos específicos para podcasting antes do Verão. A rádio portuguesa está às portas de uma revolução digital que a vai tornar perene."

Também este texto: "Estamos perante a maior discussão dos últimos 20 anos, relativamente aos direitos sobre a música e a imagem." É com estas palavras que Pedro Oliveira, responsável pelo Gabinete do Direito de Autor (GDA), um serviço de apoio técnico do Ministério da Cultura, apresenta a problemática da protecção dos direitos autorais dos conteúdos divulgados para podcast."

Actualização a 12/12/05: "E agora o podcast. Isto significa que os tradicionais ouvintes da Íntima Fracção terão um meio de subscrever os lançamentos dos programas, receber o objecto de áudio com o conteúdo e ouvi-lo quando e onde quiser. Mas também significa dizer que muitos novos potenciais ouvintes passarão a conhecer o IF através dos sites específicos de podcasts, principalmente através do iTunes Music Store, que tem milhões de utilizadores por todo o mundo. (...) o consagrado programa do Francisco Amaral, a Íntima Fracção, passará a ser distribuído como podcast através do GavezDois, todas as segundas às 23 horas" (via http://www.gavezdois.com/)

Mais formulações para o segundo choque

Da notícia da Reuters "Tecnologias causam interferência no futuro do rádio" (5 de dezembro de 2005, 15h59) três razões que mostram que "O setor de rádio pode perder importância no mercado de mídia, dadas as ameaças que novas tecnologias acarretam para os seus negócios, disseram executivos de publicidade durante a Reuters Media and Advertising Summit".

1) As rádios via satélite, players digitais de música (iPod e outros) e a Internet estão lentamente desgastando o domínio das rádios sobre o entretenimento e publicidade locais. E estão a dar aos ouvintes a possibilidade de ouvirem o que querem quando querem.

2)  Os dois serviços de rádio via satélite (XM Satellite Radio Holdings e a Sirius Satellite Radio) estão a oferecer mais canais, a maioria dos quais sem publicidade, por uma taxa mensal de assinatura.

3) A comercialização excessiva. O crescimento de receita das rádios vem se desacelerando desde 2003, de acordo com o Radio Advertising Bureau.  Além disso, os anúncios para rádio também se tornaram menos memoráveis e criativos, disseram os executivos

CONCLUSÃO: "O rádio enfrenta uma tempestade de ameaças tecnológicas", disse David Verklin, presidente-executivo da agência de compra de mídia Carat Americas. "É preciso que o setor se reinvente."

(obrigado Edgard)

PS - o original da notícia (completa) está aqui: http://today.reuters.com/summit/summitarticle.aspx?type=summitNews&summit=MediaSummit05&storyid=2005-12-02T202107Z_01_FLE268238_RTRUKOC_0_US-MEDIA-SUMMIT-RADIO.xml&archived=true

Televisão no iPod; rádio quê?

Transcrevo esta notícia de hoje do DN, com o respectivo comentário pessoal (parece-me que isto não é novo, mas, a mais, não se perde...):

«A NBC chegou a acordo com a Apple para a distribuição de programas de televisão nos iPods e computadores. A televisão deixa, assim, de ter a exclusividade de ser o único ecrã a disponibilizar conteúdos de todos os géneros.
Ao anunciar o acordo, Jeff Zucker, presidente da NBC Universal Television, previu "dentro de um ano, vão ver-nos em muito mais plataformas. Seja num telefone celular, num iPod ou num computador. Não nos importa o ecrã".
A Apple já tinha assinado um acordo semelhante em Agosto com a ABC e a NBC esperou mais de um mês pelo resultado da experiência para se decidir.
A primeira experiência mostrou que a multiplicação de plataformas é favorável aos programas de televisão. No caso da ABC, desde que o seu principal noticiário passou a poder ser visto nos iPods, aumentou a audiência do programa transmitido pela televisão. O mesmo aconteceu com séries como Desperate Housewives.
O preço de cada programa é de 1,99 dólares. As séries estão disponíveis um dia depois da transmissão habitual, os noticiários três horas e meia mais tarde.
O acordo agora assinado disponibiliza programas da NBC, SciFi e USA Network e também antigas séries de culto como Alfred Hitchcock apresenta e Dragnet.
Diz Zucker que a principal vantagem é praticamente acabar com a pirataria. Programas como Batllestar Gallactica do SciFi que, com 428 mil tentativas de pirataria por semana, está no primeiro lugar de procura pelo mercado negro, "passam a estar agora disponíveis legalmente".
Os programas são passados nos iPods sem publicidade, o que pode ser considerado uma desvantagem para os anunciantes. Steve Jobbs, presidente da Apple, diz não estar prevista a inclusão de publicidade, "porque não é esse o nosso negócio. Mas nunca digas nunca...
".»

Comentário: O que é isto mexe com a rádio?

Desde logo deve ser tido em conta um hipotético desvio da atenção da rádio (do audio, genericamente) para a imagem, a partir do momento em que a televisão deixa de ser fixa e pode ser vista em movimento (até agora a televisão precisava de estar agarrada a uma ficha eléctrica e sempre que nos movíamos deixávamos de ter contacto com ela). O audio (em musica gravada ou via rádio) não sofria concorrência. Agora há, portanto, mais um elemento a competir.

Depois, sobretudo nas gerações mais jovens, há a questão dramática da perda de hábito. A partir do momento em que a rádio não converge com os novos produtos (não há receptores de FM nos iPods e em muitos telemóveis), e estes são agarrados pelas novas gerações, a rádio deixa de contar. Em contrapartida, a televisão converge e cria hábitos ainda mais fortes.

Isto significa o quê? Estamos a falar do tal segundo choque que marca a rádio do século XXI. E nesta altura só vejo uma saída: a rádio posicionar-se como meio secundário em absoluto, criando produtos para serem ouvidos enquanto se faz outra coisa - porque continuaremos todos a poder libertar a audição enquanto os olhos ou as mãos desempenham um tarefa primária. O futuro da rádio passará (também) por isto.

"La radio, reinventada"

Através de um texto (postal?) de Rogério Santos cheguei a um artigo da edição de domingo do La Vanguardia, chamado "La radio, reinventada" (que, já agora, adquiri por 3 euros, via net).

O que é que este texto tem de interessante? Basicamente fala dos podcasts e dos conteúdos audio em mp3. Mas - sobretudo através do feliz título - reforça uma ideia que também aqui tem andado a ser tratada: os podcasts, com este ou com outro nome (num depoimento que dei ao DN defendi a lógica de microcasting), vão mudar a rádio.

Ela deixa de ser instantânea, irrepetível, em corrente contínua ("streaming"), para passar a ser audível onde e quando se quiser. Mais: é possível personalizá-la ao ponto de, com conteúdos de diversas origens/rádios, eu poder construir a minha rádio. A minha rádio já não será aquilo que um director de programa quis que fosse, mas aquilo que eu quero ouvir no meu computador ou leitor de audio digital (e não no receptor transistorado).

Quer isto dizer que a rádio convencionar acabará? Não necessariamente, o fluxo hertziano poderá manter-se como elemento gerador de conteúdos, aproveitando o carácter instântaneo e imediato da actualidade informtiva (o directo...), mas sem carácter exclusivo do ponto de vista dos ouvintes. (tenho a certeza de que voltarei a este tema muitas vezes nos próximos anos...).

A publicidade on line vai condicionar o investimento na rádio através da internet

Retirei estes dadosde uma notícia do DN de 3/12/05 ("Publicidade do portal Cotonete cresceu 30%") e que penso não ter regsitado neste espaço até agora:

"Estudos recentes indicam que, nos EUA, a publicidade online feita desde 2000 suplantou já o investimento em outdoors e representa o equivalente a 80% dos valores registados nas revistas, embora os cibernautas mostrem cada vez mais propensão para ignorar ou mesmo bloquear  as formas convencionais de pubÍicidade na Internet.

Também em Inglaterra, a publicidade online suplantou, no ano passado, por uma reduzida margem de 0,1 %, o investimento feito na rádio tradicional. Os 968 milhões de euros gastos em anúncios na Web representaram 3,9 % de quota do mercado britânico"

Uma experiência importante na internet (Cotonete)

A decisão da Media Capital Radio criar, através do seu portal Cotonete, um conjunto de rádios na internet dedicadas às eleições presidenciais (ou seja, com uma duração máxima de três meses) é um passo em frente na utilização que tem sido feita em Portugal das potencialidades da internet na rádio (ou da rádio na internet?).

A ideia da MCR é criar sete rádios, aproveitando conteúdos da Comercial e outros próprios, para dar identidade própria aos canais (há música entre a informação), programas esses que também são disponibilizados como podcasts. Os debates televisivos serão transmitidos em directo, haverá um jornal de campanha (e notícias actualizadas), comentários e um fórum (a programação está aqui).

Acho que, se as coisas correrem como prometido, esta será a maior aposta da rádio on line em Portugal.

Paula Cordeiro, que já analisou detalhadamente a experiência, faz dois tipos de comentários. Um, que "A rádio presidenciais apresenta-se como uma iniciativa que pode complementar a cobertura e a informação dos restantes media, revela uma capacidade de organização e gestão de recursos que outros grupos de comunicação ainda não conseguiram ter". Noutro destaca aqui que lhe parece ser uma falha com alguma gravidade para quem pretende potenciar a própria internet: "não está a ser dada oportunidade aos ouvintes de participarem na construção da própria rádio, dado que as opiniões para o Fórum Presidenciais, um programa de antena aberta desta estação online, se faz apenas via telefone. " (o texto na íntegra aqui).

PS - "O portal Cotonete, que disponibiliza em cotonete.clix.pt a emissão de rádios exclusivamente online, conseguiu este ano mais 30% de anunciantes. A publicidade é sobretudo feita em banners no site, mas também existem spots áudio inseridos nas emissões.
O projecto, fundado em 2001 pelo grupo Media Capital Rádio, conseguiu no ano passado recuperar o investimento e, de acordo com o director-geral de multimedia, Carlos Marques, encontra-se já "acima da linha de água".
Carlos Marques explica que a publicidade áudio ainda é "residual", representante apenas cerca de 5% das receitas, mas que um dos objectivos passa por aumentar este valor. A maioria dos spots aúdio são também difundidos nas outras rádios do grupo, embora o responsável sublinhe que alguns anunciantes fizeram campanhas áudio exclusivamente para as emissões online.
O aumento de investimento publicitário no portal Cotonete segue as tendências dos EUA e Inglaterra, onde se tem verificado uma subida dos valores da publicidade na Internet, ao mesmo tempo que as tradicionais formas de anúncio na Web (como os banners e as janelas pop-up) tendem a perder eficácia." (fonte: DN)

(ACT) Todas as rádios europeias no digital até 2012

(via Obercom) "A Migração da Radiodifusão Analógica para a Digital

O Parlamento Europeu (PE) aprovou, no passado dia 16 de Novembro de 2005, uma resolução sobre o tema "Acelerar a Transição da Radiodifusão Analógica para a Digital", sendo que a data limite para o switch-off em todos os Estados-Membros está prevista para o início de 2012.

O processo de transição, que proporcionará o incremento da inovação e da concorrência nos mercados, a oferta de novas e melhores formas de radiodifusão e a libertação do espectro de radiofrequências, deverá ser conduzido pelo mercado, mas afigura-se necessário um trabalho coordenado entre os operadores e os poderes públicos relevantes.

Os Estados-Membros que ainda não publicaram os respectivos planos de transição deverão fazê-lo até ao final deste ano, sobretudo para que a União Europeia (UE) não se atrase em relação aos seus principais concorrentes, designadamente, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão. Os Estados-Membros são ainda chamados a reduzir ao mínimo o período do “simulcasting” e a assegurar que as suas iniciativas políticas sejam transparentes, não discriminatórias e proporcionadas.

Quer a Comissão Europeia (CE), quer os diferentes Estados-Membros, deverão garantir um nível adequado de harmonização das abordagens da regulação do dividendo espectral, com vista a satisfazer futuramente a procura de serviços no espaço pan-europeu.

É ainda sugerida a criação de um Grupo de Trabalho Digital Europeu que ficará incumbido de coordenar a regulamentação a nível comunitário, os objectivos, as estratégias e os calendários dos Estados-Membros. A fiscalização dos progressos efectuados no processo de transição para o digital, assim como o auxílio à harmonização das abordagens respeitantes ao dividendo espectral, são outras das missões deste Grupo de Trabalho.

Por outro lado, compete à Comissão divulgar práticas de excelência no que concerne aos aspectos ligados ao financiamento e estabelecer orientações claras em matéria de auxílios do Estado e em questões ligadas à lei da concorrência, nomeadamente, impedir a constituição de constrangimentos verticais e de monopólios horizontais. 

Cumulativamente, a Comissão deverá salvaguardar a distinção entre a regulamentação de redes e serviços de comunicações electrónicas e o quadro legal aplicável aos conteúdos (incluindo os audiovisuais), respeitando determinados princípios de interesse geral, em particular a salvaguarda do pluralismo e da diversidade.

Outras questões afloradas respeitam ao desenvolvimento de serviços interactivos destinados a aumentar a competitividade da sociedade europeia e o nível de conhecimentos digitais; o fomento de medidas técnicas para a filtragem de conteúdos "

(N.V) 30-11-2005

ACT a 19/12/05: "Realizou-se, entre 1 e 5 de Dezembro de 2005, uma reunião do Conselho dos Transportes, Telecomunicações e Energia da União Europeia (UE), que resultou num conjunto de conclusões no âmbito da transição da radiodifusão analógica para a digital." O Conselho Europeu recomendou que todos os Estados-Membros publiquem, em 2006, propostas de transição para a radiodifusão digital e tentem completar o switchover em 2012. Contudo, alguns países terão concretizado a migração para o digital, à escala regional ou nacional, antes de 2008. A diferença de calendários deve-se às divergências referentes ao desenvolvimento do mercado da televisão, à disponibilidade das frequências apropriadas e à importância atribuída às diversas plataformas de distribuição em cada Estado-Membro. (Obercom; Conclusões do Conselho Europeu sobre a transição da radiodifusão analógica para a digital; NV 16-12-2005) 

Os jovens preferem o MP3 à rádio

Alguns excertos deste texto

"A whopping 85 percent of music listeners between the ages of 12 and 24 would rather listen to their MP3 players than to terrestrial radio broadcasts, according to a recent finding by Bridge Ratings.

The report, titled “How to Make Music Radio Appealing to the Next Generation,” polled 2,000 younger listeners across the United States. Survey participants all grew up with the internet, which included easy availability to music in digital formats.

While it appears that the next generation has responded negatively to traditional radio, the reasons are rooted in radio’s abandonment of the 12-24 year old over the last 10 years,” explained Bridge Ratings president David Van Dyke to Mediaweek. "

Mais aqui e aqui.

O empurrão que faltava ao HD (ou dois)

Sete dos principais operadores de rádio terrestre nos EUA associaram-se para dar força ao HD.

Entre os seus objectivos estão: "coordination of formats on new multicast channels known as HD2. The bloc will also push to secure coveted dashboard positioning among top automotive retailers, and work closely with receiver manufacturers to increase marketing on new product releases. To the end, the group pledged to commit $200 million in HD-specific advertising on their stations. The group estimates that over 600 stations are delivering their primary programming signal in digital quality. The announcement is happening against a backdrop of steadily increasing satellite radio subscriptions, which are now closing in on 9 million."

Acrescento isto, que me parece importante:

Um dos grandes problemas para o desenvolvimento do HD, como se pode ler por estes textos, é a substituição dos actuais rádios. Pois acaba de ser anunciado um dispositivo que permite utilizar os actuais rádios. «“We are pleased to offer solutions that allow customers to receive and listen to digital AM/FM signals without having to replace their factory radios. Customers can now enjoy true CD-quality digital broadcasts with their existing vehicles’ audio systems," Dice VP of sales Jim Lucas said in a statement
 

E isto: "A Clear Channel Communications, maior rede de rádio norte-americana, anunciou no mês passado que 95 por cento de suas 1,2 mil estações estarão transmitindo conteúdo digital em 2007. Se a iniciativa tiver sucesso, a empresa poderá oferecer programação gratuita capaz de rivalizar com a das rádios via satélite. "Por que pagar por alguma coisa que se recebe de graça?", pergunta John Hogan, presidente-executivo das divisões de rádio da Clear Channel, ecoando um lema do setor de rádio norte-americano."

A oposição vem da indústria discográfica dos EUA, acossada por vários lados. "In other words, instead of simply marking broadcast content for downstream protection as the flag system does, RIAA suggested that all IBOC broadcasts (or at least those that include copyrighted music) be mandated to include full-time encryption of the digital broadcast signal, and that these signals only be entitled for legitimate decryption under circumstances of which the RIAA approved."

Podcast é a palavra do ano

"NEW YORK, Dec. 5 /PRNewswire/ -- Only a year ago, podcasting was an arcane activity, the domain of a few techies and self-admitted "geeks." Now you can hear everything from NASCAR coverage to NPR's All Things Considered in downloadable audio files called "podcasts". Thousands of podcasts are available at the iTunes Music Store, and websites such as iPodder.com and Podcast.net track thousands more. That's why the editors of the New Oxford American Dictionary have selected "podcast" as the Word of the Year for 2005. Podcast, defined as "a digital recording of a radio broadcast or similar program, made available on the Internet for downloading to a personal audio player," will be added to the next online update of the New Oxford American Dictionary, due in early 2006." (via PontoMedia)

Mais da televisão no telemóvel em Portugal

A propósito desta notícia "TVI e TMN lançam no início de 2006 um projecto de «mobile TV»" (esta semana desmentida, pág. 18, Caderno de Economia), o Expresso de ontem volta ao assunto com uma nova notícia: "14 canais no bolso", dando conta do projecto da Vodafone de oferecer (por um preço que variaráentre €7,5 e €20) 14 canais por dia, em tempo real, através da tecnologia 3G. No fundo trata-se de um relançamento do mal sucedido projecto chamado "Mobile TV" (a partir do Vodafone Life), que actualmente disponibiliza o Euronews 24 horas dia e os noticiários da tVI, SIC e RTP.

Algumas notas:

- trata-se de um projecto condenado à partida, uma vez que não assenta na tecnologia que está a ser desenvolvida (DVB-H), mas limita-se a passar para o ecrã dos telemóveis normais um produto que é feito para ver em écrã largo (uma coisa é ver videoclipes da MTV, outra ver a serie 24 ou CSI e não conseguir ler as legendas...).

- tal como os visores, as baterias dos telemoveis não estão preparadas para estas recepções (descarregam mais facilmente);

- a sobrecarga da rede, a lentidão de transmissão e os cortes na recepção são outros problemas;

- a mesma notícia diz que, para além da 3G, a Vodafone está a desenvolver um projecto de Mobile TV, com base na tecnologia DVB-H, com a TVI e a Nokia (isto sim já a sério)

Notícias e música, conteúdos de futuro

"There are two kinds of content which seem ideal. The first is news, since as we noted from our investigations (...) news in any medium appears to be primarily verbal, and so the very latest events can be conveyed to the listener without requiring him to take his eyes from what is his primary activity). Second, we can infer (...) that music is highly suitable for a medium which receives fluctuating attention, for since it does not 'refer to' things in the way that words do it does not force, though it may encourage, the exercise of the listener's imagination".

CRISELL, Andrew, Understanding Radio, Routledge, Londres, 2005, segunda Edição, pág.229