(5.0 intr )Como nasce o consumo activo
depois de tantas décadas de consumo passivo dos meios de comunicação, como nasce o consumo activo?
A partir do momento em que os conteudos passam a estar na net, alojados e aí organizados, o poder do utilizador cresce enormemente: de ligar/desligar e mudar de estação (no caso da rádio), passo a poder optar dentro do que me é oferecido; passo a poder escolher; ao poder escolher os conteúdos nasce o consumo activo
«El ansiado feed-back de la comunicación ya es posible gracias a los medios interactivos basados en soportes multimedia y los usuarios pasivos se convierten en activos al poder elegir los contenidos que deseen. La radio por Internet ofrece al internauta la posibilidad de consultar y escuchar la programación e, incluso, autoprogramar la oferta radiofónica» (Peñafiel, 2007 24)
Carros da Chrysler terão acesso à net
«the consequences for the radio industry - both good and bad - are profound. There are at least five critical issues facing radio as a result of this unambiguous trend (and I'll consider these more thoroughly after I get a peek at the Chrysler system): First, an Internet enabled car will have an all-new user interface which may substitute for the radio. Will this interface provide one-button access to what used to be a separate radio? Or will it be installed above the radio and have nothing to do with it? (If I were designing it, it would be the former). If this new interface replaces the radio unit (while not eliminating radio reception) then automakers have essentially turned a radio into an entertainment tool where at least some of the driver's time will be spent off the radio dial (so to speak) and outside the advertising universe under the control of the radio industry. (...) Second, the fact that your station streams (and it does, doesn't it?) does not mean it will be easily accessed on these new systems. Just as low channels on Cable systems are prime positions with larger audiences, so will there be premium placement on these new Internet entertainment systems. Who, for example, is likely to strike a better deal with the Chrysler's of the world, your station, your group, or AOL Radio (and their friends at CBS), Slacker, Pandora, AccuRadio, and their kind? Third, what does it mean to be "radio" in a world where audio is fully integrated into an experience that includes video, text, interactivity, and personalization? The attraction to these services will not only be that they're supplemental to radio, but that they expand the definition of radio. And that expansion will benefit only those broadcasters and their partners smart enough to recognize that the advantage of a broadcast tower is non-existent in this context. Fourth, that tiny whimper you just heard was the final gasp of HD Radio. Time to move on to the real challenges, radio. Fifth, why do I want a satellite radio when an Internet-enabled device offers so much more?»
«According to Keefe Leung, a Chrysler engineer for this initiative, "There are no limitations in content." That's a quote that should be posted in cubicles and offices throughout our industry. The excuses for not streaming or for offering a substandard stream are coming to a swift end. Radio is in a great position to brand and market its streams because as mobile WiFi becomes as ubiquitous as wireless laptops, there will be no limits on access. The best known brands in local markets - KLOS, KBCO, WRIF, WMMR, KQRS - will have a decided edge. But only if radio realizes what's at stake and steps up. (Fred Jacobs)
iPlayer da BBC, a nova fase
Desligar o analógico (GB)
«A long-term plan should be developed to move all radio services over to digital, an interim report recommends - and migration of most content could be completed by 2020. The Digital Radio Working Group (DRWG) believes that traditional radio business models will be unable indefinitely to support increased costs of broadcasting on both analogue and multiple digital platforms. The group recommended switching all national, regional and large local stations to Digital Audio Broadcasting (DAB), with FM continuing to be used by small local and community radio stations. Its initial assessment was that migration could be completed by 2020. (...) Culture Secretary Andy Burnham said radio must have a digital future, insisting: "Millions of people are already enjoying the benefits of digital radio. I believe that radio must have a digital future if it is to remain relevant." » Fonte: Radio services 'must be digital', The Press Association, 24/06/08
Como será o relacionamento dos actuais ouvintes com aquilo que será a rádio do futuro?
Uma das questões de partida deste trabalho é tentar perceber como será o relacionamento dos actuais ouvintes com aquilo que será a rádio do futuro e com aquilo que já é hoje? (para uma definição mais exacta do objecto)
se se pensar que a rádio do futuro será basicamente o que é hoje (ontem, baseada no consumo passivo) então não é preciso pensar muito; mas se concedermos que há novas possibilidades abertas pela digitalização e concorrência em acumulação, então a rádio do futuro não será o que era ontem
dentro da questão musical, interessa saber como será a evolução da actual rádio musical no futuro (como evoluirá, como de desenvolverá); como serão os serviços de musica a partir do elemento sonoro/audio
(até que ponto algumas das reflexões deste trabalho serão úteis para além do seu proprio objecto? a partir do momento em que se consagram plataformas convergentes, a partir da digitalização, o que aqui se disser será valido para a transição de outros meios classicos para o consumo activo?)
A participação far-se-á mais por escrito por que por voz
Quanto mais investimento uma rádio fizer em ferramentas de interactividade mais necessidade terá de levar até elas os públicos. Não chega criarem recursos, mecanismos de utilização, se os consumidores não os conhecerem e forem até lá.
Por isso o próprio promotor - a indústria - tem a responsabilidade (a obrigação) de levar o público. E vai fazê-lo. Porventura de forma agressiva, na medida em que a concorrência é e será gigantesca, na disputa pela atenção do público. Se se faz um grande investimento em video, por exemplo, é preciso levar os publicos a rentabilizar esses investimentos.
é que em simultâneo se assiste à vontade, ao desejo, do consumidor de intervir (ainda que dentro da malha disponibilizada pelo editor). O consumidor - genericamente - e alguns consumidores quererão sempre mais, sempre mais longe, experimentar, ser criativo (desde que lhes dêem condições/autorização)
Mas mesmo que ele queira ser passivo, a rádio dir-lhe-á para fazer alguma coisa, quererá que ele seja o menos passivo possivel.
Na base está a vontade da humanidade em comunicar, em participar
(se é verdade que o telemóvel se tornará no meio d comunicação por excelência - abrindo teoricamente mais possibilidade para a participação generalizada via telemovel - a verdade é que já vimos que o sistema convencional de edição/filtragem não o gosta/permite; com a net generalizada, com mais net por exemplo do que telefones fixos, e barata, a possibilidade enviar um email será um acto de grande facilidade e espontâneo - ou seja, em muitos casos, os proprios consumidores tambem vão querer participar mais via email do que expor a propria voz)
O velho problema de mais escolha ou 'melhor escolha'
James Cridland, depois de ter defendido que os ouvintes de rádio querem sempre mais escolha, começa a concordar com quem - como Ramsey e eu, por exemplo - entende que excessod e escolha é perigoso e que controlar a escolha é fundamental.
«(...) because screens aren’t the first thing you think of when it comes to a radio, radios are very poor when it comes to navigation. The 50-odd stations I can pick up on my DAB Digital Radio are sorted in nothing other than alphabetical order. The only thing I know about these stations is the name. Now, I know what most of these brands stand for - but I wonder how many people, unpacking their DAB Digital Radio, have the faintest idea what these stations play? Life clearly gets worse if you’re skipping through XM Radio’s 170 channels - and don’t even get me started on the user interface of a typical internet radio, where a great demonstration is to try tuning into WBUR (which is helpfully near the top of the ‘W’s, after the bottom of the ‘K’s, and therefore if you’re tuning in alphabetically using one tuning knob it’ll take you a number of minutes to find); and what’s “WBUR” as a descriptor of what I could find there? For radio listeners, there’s no doubt that choice is good, in my mind. But we need better ways of navigating through this choice» (fonte CRIDLAND, James, The Perils of choice on radio, James Cridland's blog 23/06/08
A experiência da Microsoft na «rádio» não tem sido feliz
«MSN RADIO DROPS PANDORA AND SIMPLY SHUTS DOWN: Pandora and MSN Radio have ended their partnership, causing the latter service to shut down. MSN Radio had been powered by Pandora. Ending the partnership — which was enacted in November 2006 — was a “mutual” decision, reports Pandora founder Tim Westergren. He revealed that Pandora’s “limited resources” need to be consolidated in their flagship site, and that any partnerships “have to really be substantial…having been [on MSN Radio] for a while and been in front of their audience, it was no longer contributing that level.” For more on the story, read the Seattle Times’ coverage here. RAIN ANALYSIS: Radio has not been easy for MSN. MSN Radio has had a checkered history: In 2000, Microsoft acquired a company called MongoMusic in a $65 million stock deal to build stations called “Sounds Like” that matched artists or moods. In 2003, MSN experimented with a $29.99 subscription service called MSN Radio Plus. In 2004, they launched a set of 900 “Local Sounds” stations that tried to mimic local-market FM stations (more coverage here). One flaw in the “MSN Radio — Powered by Pandora” plan may have been the fact that if an MSN user sampled and liked the product, it was probably easier for them to go to Pandora.com directly, rather than to radio.msn.com, thereafter. — KH» (fonte: HANSON, Kurt, «RAIN 6/20: MSN Radio gives up; Edison on covering spot breaks» Jun 20, 2008)
Passar a nossa colecção de música para um site
(uma tendência que se acentua: em vez de termos a nossa colecção de musica no computador - como o iTunes - podemos passa-la para um site na net e assim estar sempre online, mesmo sem computador, desde que haja ligação)
«I have a music collection on my computer that is in excess of 30 GB and tonight I discovered a way to access it from anywhere. Orb streams songs straight from your PC to nearly any Internet-connected device -- including some mobile phones. This free service turns your PC into a media server, streaming not only songs, but also video, photos, and even TV, to just about any Web-connected device. That means you can tap your music library from your work PC, your Palm Centro, your Nintendo Wii, or your iPhone -- to name just a few of the supported gadgets. Orb is also compatible with all major gaming consoles -- the Wii, PS3 and Xbox -- so you can now enjoy your media on your TV screen as well! (...) With the Orb client up and running, you're ready to stream. The hitch, of course, is that you'll need to leave your computer on at all times. To listen to your tunes, fire up the Web browser on the device you're using and then head over to mycast.orb.com. When you install the software and create your account, your content is indexed on your personal Orb page. It is then accessible anywhere that has an Internet connection; you simply log in and access your files. After downloading the software, it took about half and hour for my whole collection to be available online. Orb even lets you invite friends to share your collection and you can blog on the site. A very cool tool indeed! (fonte: Access Your Music From Anywhere Toni's Corner of the world, 20/06/08)
BRECHT, Bertolt, Teorias do rádio Teoria do rádio (1927-1932),
A importância de estudar este público
«Quem já viu um adolescente num computador sabe que o jovem hoje encontrou maneiras próprias de interatividade com a máquina, pois, ao fazer uma pesquisa escolar, acessa, ao mesmo tempo, um novo vídeo no YouTube, conversa com os amigos pelo Messenger, escuta sua canção favorita no rádio, verifica seus scraps no Orkut, posta uma fotografia em seu blog e consulta um verbete na Wikipedia, enquanto navega tranqüilamente pelos sites de busca à procura do tema escolar. Será que este adolescente, ao chegar à juventude e idade adulta, irá querer ouvir nossas programações de rádio tradicionais e estáticas? Certamente que não» (Prata, 2008: 229-230)
A lenta adaptação da rádio à digitalização
Nair Prata na sua tese mostra como é lenta e difícil a evolução da rádio convencional para a realidade digital, apresentando ela própria uma lista de possibilidades, que cruzam a lógica passiva com a nova realidade activa (2008: 213)
«Numa webradio prototípica, poderíamos encontrar os antigos gêneros hertzianos reconfigurados para o meio digital, mas também uma nova tessitura genérica e novas formas de interação. A reportagem, um dos mais relevantes gêneros radiofônicos, na web pode vir ancorada com vídeos, fotografias dos participantes e do cenário do evento comunicativo, textos e hipertextos com dados sobre o assunto em questão e infografia colorida e esclarecedora. Por meio de um serviço de busca, o usuário pode encontrar ainda mais informações acerca do tema. Nos programas musicais, são muitas as novidades a serem oferecidas pela webradio. O usuário passa a ter informações completas e detalhadas sobre a canção, seus autores e cantores a um simples clicar do mouse. Pode também ver um clipe da música, se desejar, ou imprimir a letra cifrada para tocar no violão. E, se o violão estiver desafinado, rapidamente o usuário encontra um afinador o
n-line , uma versão digitalizada do velho diapasão. As webradios também oferecem as listas das canções mais tocadas da programação e a opção do pedido de música via rede. Na entrevista, além de ouvir, o público pode também ver os participantes da interação e conferir virtualmente outras discussões sobre o mesmo assunto. Também pode, se desejar, buscar a biografia do entrevistado e seu posicionamento em outras entrevistas. Numa notícia de utilidade pública, o público pode visualizar, por exemplo, a fotografia de uma pessoa desaparecida, acompanhar o depoimento de alguém que pede doação de sangue ou conferir, na tela e na versão impressa, as melhores opções diante de um desvio numa rodovia. No programa policial, sempre líder de audiência nas emissoras onde há esse tipo de transmissão, o usuário pode, ao ouvir o relato de um crime, acessar a opção para visualizar uma simulação da ação dos bandidos. Também é possível digitar o nome do assaltante e saber o que já foi publicado sobre ele. Pelo chat, o usuário pode interagir com o locutor do horário e ambos podem se ver pela webcam. A programação não é determinada pela emissora, mas sugerida e construída a cada dia com a participação do público. Por sua vez, o ouvinte tem incontáveis opções de canais de áudio, demonstrando a força da segmentação»
(5.1) Trabalho de campo: observação empírico-dedutiva
McLUHAN, Marshall (2008 [1964], Compreender os Meios de Comunicação - Extensões do Homem, Lisboa: Relógio d'Água
Brecht e McLuhan
O que têm em comum estas duas frases
«O rádio seria o mais fabuloso meio de comunicação imaginável na vida pública, um fantástico sistema de canalização. Isto é, seria se não somente fosse capaz de emitir, como também de receber; portanto, se conseguisse não apenas se fazer escutar pelo ouvinte, mas também pôr-se em comunicação com ele. A radiodifusão deveria, conseqüentemente, afastar-se dos que a abastecem e constituir os radioouvintes em abastecedores» (Bertolt Brecht, Teoria do rádio (1927-1932))
«Um meio quente é aquele que estende ou prolonga um único sentido em “alta definição”. A alta definição é o modo de ser plenamente saturado (...) E a fala é um meio frio e de baixa definição, porque nos dá muito pouco, exigindo do da parte do ouvinte um processo de preenchimento. Os meios quentes [como a rádio], por seu lado, não deixam tanta coisa a ser preenchida ou completada pelo público. Como tal, os meios quentes requerem uma baixa participação, ao passo que os meios frios exigem uma elevada participação com completamento por parte do público.» (MM, [1964] 2008: 35).
separadas por 30 anos estas duas frases relatam duas ideias diferentes (mesmo antagónicas) de rádio, a primeira antes de rádio se afirmar como é hoje e a segunda relatando no que ela se transformou; Brecht queria uma rádio aberta ao público, McLuhan retrata-a como fechada. de alguma forma, o primeiro inaugurou uma ideia de rádio que nunca se concretizou, uma especie de utopia, o segundo fechou-a, sentenciou-a. Até a digitalização aparecer Brecht era utópico, McLuhan o visionário. A digitalização veio mostrar que Brecht tinha mais razão do que o conformismo de McLuhan. Pelo meio, outros pensaram a rádio, ajudando-a a tornar-se naquilo que M descreveu; nenhum, curiosamente, se inspirou em Brecht...
Porque é que o consumo activo já não é rádio
Se McLuhan explica as diferenças entre meios quentes e frios com, entre outros, o argumento da possibilidade de preenchimento pelo ouvinte de espaços (a rádio é um meio quente porque há pouco espaço a ser preenchido pelo ouvinte), então quando falamos de um novo meio em que o consumidor tem o poder de preenchermuito mais, já estamos perante um meio frio «Um meio quente é aquele que estende ou prolonga um único sentido em “alta definição”. A alta definição é o modo de ser plenamente saturado (...) E a fala é um meio frio e de baixa definição, porque nos dá muito pouco, exigindo do da parte do ouvinte um processo de preenchimento. Os meios quentes, por seu lado, não deixam tanta coisa a ser preenchida ou completada pelo público. Como tal, os meios quentes requerem uma baixa participação, ao passo que os meios frios exigem uma elevada participação com completamento por parte do público.» (MM, 2008: 35).
A internet «es la puerta abierta a una renovación de las posibilidades de la radio» (Herreros, 2006, 66)
A net faz perder poder à voz (ao jornalista e ao locutor)
ver Nair Prata -112-114
«O endeusamento, o sucesso e a fama dos comunicadores do rádio são pilares importantes na construção da audiência, nem que para isso seja preciso transformá-los em personagens» (114); nunca mais será assim?
5.2 «O microfone não se abre à participação do ouvinte»
Prata concluiu, no seu estudo de 30 webradios brasileiras, aquilo que Campos e Pestano (2004) já concluiram com uma amostra de webradios brasileiras: que nestas rádios há multiplas formas de participação mas que o microfone não se abre à participação do ouvinte.
Se ao nível do consumo activo isso dificilmente acontecerá - e não é apenas por razões tecnicas, que podem ser sempre ultrapassadas - pela necessidade de mediação e arrumação 'plástica' desse caos sonoro, já ao nivel do consumo passivo-activo, como diz Prata, não é uma realidade, mas uma possibilidade (120). A mesma autora admite que «De posse do microfone, o ouvinte talvez pudesse criar novos conteúdos e novas maneiras de se fazer rádio» (207) Caso contrário, teremos apenas aquilo que GIlda Chaves descreve como «uma comunicação falada pelas pontas dos dedos» (apud Prata, 2008: 17)