Blogia

Transistor kills the radio star?

Os dois problemas da rádio via satélite

- Má qualidade de som ("Satellite radio sound is, at best, barely passable")

- falta de imaginação face ao FM, copiando os formatos, programas e vozes ("Satellite radio companies have hired famous FM radio programmers from the past.  In some cases, these are the same geniuses who are responsible for perfecting today’s horrible broadcast radio formats. That means satellite music streams, while diverse, can also be monotonous, repetitive and just plain boring")

Citações de Gary Krakow, da MSNBC. com, "New radio formats sacrifice sound quality", 17/3/05

Primeiros resultados (experimentais) do PPM

Os sistemas actuais de medição de audiências em rádio variam entre as entrevistas aleatórias, ainda que representativas da amostra nacional, como é o caso de Portugal, e o sistema de “diário” (uma amostra pré-seleccionada preenche diariamente uma folha de um caderno, dando conta da rádio que ouviu e quando ouviu).

É fácil de perceber que estamos perante sistemas baratos mas sem rigor, aproximativos, que não permitem leituras diárias ou semanais (nos Estados Unidos, como em Portugal, a Arbitron faz como a Marktest, quatro leituras anuais). Não admira, também, que anunciantes e as próprias rádios já tenham contestado diversas vezes os sistemas vigentes – até pelo contraste com a audimetria.

Também por causa disso, têm sido anunciados alguns sistemas de medição electrónica, com especial destaque para o “Portable People Meter”, da Arbitron (uma pequena caixa que se transporta no bolso ou ao cinto e que identifica e regista as rádios que vão sendo ouvidas; ao fim do dia esse aparelho faz a descarga para a central, sempre sem qualquer intervenção humana).

Prometido diversas vezes, nos últimos anos, tem agora lançamento comercial marcado para 2006. O que tem atrasado o seu desenvolvimento não se sabe (fala-se na dificuldade de conseguir jovens que o transportem); sabe-se, isso sim, que nos EUA já foram feitos, pelo menos, dois grandes testes, o primeiro em Filadélfia, em 2002, e o segundo, este ano, em Houston. E que estas duas cidades serão as primeiras a experimentar comercialmente o PPM – um dos grandes operadores de rádio dos EUA, a Clear Channel, desesperada com os atrasos, prometeu avançar sozinha com um sistema alternativo, tendo desafiado outros construtores a candidatarem-se.

Dos testes feitos até agora algumas ideias podem ser sistematizadas:

- afinal ouve-se menos rádio do que a estimativa existente (que era de 15 horas e 15 minutos por semana, contra as 10 horas e 45 minutos apuradas agora);

- há mais gente a ouvir rádio do que se pensava (93 por cento contra os 86 anteriores);

- os ouvintes de rádio ouvem duas vezes mais estações do que aquilo que se sabia;

 (principal fonte:Kafka, Peter, “Is Radio’s signal getting stronger?”, Forbes, 20/09/05)

 

Na ressaca do primeiro choque (as consequências do aparecimento da televisão)

“La aparición de la televisión y el rápido incremento del número de emisoras de radio luchando por la audiencia local y por los anunciantes, tuvo un efecto devastador en las compañías de radio.» «Las programaciones de radio habían perdido la habilidad de atraer grandes audiências y, como resultado, recibían menos dinero de los anunciantes» (BLUME, D., Making it in radio, Continental Media, Connecticut, 1983, pág. 45 apud Martí i Martí, Josep, Modelos de programación radiofonica, Feed back Ediciones, Barcelona, 1990, pág. 98/99).

 

A perspectiva amadora das audiências

(na perspectiva amadora, que ainda hoje vigora, nomeadamente em Portugal)

Los programadores de las emisoras empezaron a ver qué clase de audiencia tean, es decir, cómo les afectó la programación, y sabiendo que diferentes clases de gente responderían a la programación de formas diferentes, empezaron a aprender cómo situarse respecto a sus competidores según el método del intento y del error cambiando su programación para dirigirse a grupos de edad y sexo determinados" (HENABERY, R. Radio USA, Instituto de Estudios Americanos, Barcelona, 1984, págs. 4/2 apud Martí i Martí, Josep, Modelos de programación radiofonica, Feed back Ediciones, Barcelona, 1990, pág. 97/98)

Sirius e XM chegam ao Canadá

O Canadá vai ser o primeiro país a experimentar aquele que parece ser um bom negócio para a rádio do futuro: a rádio via satélite (paga).

Ninguém quer ficar de fora no mercado de música digital

Agora é a AOL que se posiciona!

"AOL recently purchased digital music store MusicNow from Circuit City. A-la-carte downloads will be offered at 99-cents each, and there will be two subscription music services — a $9.95/month PC-based service and a $14.95/month service that adds support for 'PlayForSure' portable devices."

Emissão hertziana (ou em modulação)

A emissão hertziana é feita no sistema de modulação - que pode assumir uma destas duas vertentes: ou é em frequência (FM) ou em amplitude (AM). 
A Onda Média, Onda Curta e Onda Longa são comprimentos de onda, ou seja, as emissões são em amplitude modulada (AM), da mesma forma que o FM é a frequência modulada.
Na lista de temas do segundo choque, a coisa fica assim:
5.1 Digital (com DAB, HD, DRM e sistema japonês)
5.2 Satelite
5.3 Emissão em Modulação (FM/AM)

À descoberta do iRadio (the next big thing na rádio do futuro?)

A Motorola, fabricante norte-americano de telemóveis, prepara-se para lançar, no primeiro trimestre de 2006, o seu segundo ataque no mercado da música digital: depois do Rokr, vem aí o iRadio.

Nesta altura ainda não consegui perceber exactamente como é que vai funcionar, mas deixo algumas ideias (sem organização hierárquica):

- destina-se a concorrer com o iPod, ainda que num sistema diferente: o telemóvel é que será o centro de distribuição da música;

- a Motorola está a tentar fazer acordos com as multinacionais de música (já conseguiu a Universal) e convidou as editoras e artistas independentes a aderir. “This marries music distribution and radio. Traditional radio does not pay the artists. They pay the publishers. With iRadio every artist is being paid fairly,” said Dave Ulmer, director of marketing for iRadio. “Every time a song is played we pay the artist. We do not download and own the songs as you do with iTunes.”. (Não percebi se a ideia é criar estações de rádio baseadas na internet ou vender músicas individualmente);

- Falam em centenas de estações de rádio sem publicidade, ao gosto de cada um.  Com algumas características individualizadoras: "The music or talk programs are cached on to the cell phone for one-time play. It is erased after it’s played. Subscribers cannot rewind or fast forward. They can only pause the program. “It pauses if the phone rings. You can also pause it and pick up where you left off.”

- iRadio será ouvido em casa, no carro ou no LDM, via bluetooth e outros sistemas wireless;

- o preço da assinatura não está definido, nem os operadores que vão distribuir o serviço, mas fala-se em menos de 10 dolares por mês. "“Radio is great, but if I can just create my own playlist, like iPod, if it’s cheaper, I would prefer to do that."

(citações retiradas de "Moto Tunes to iRadio", 4/10/05)

O futuro dos podcasts como meio secundário

Nesta altura não falta quem considere que os podcasts são nuvens passageiras, uma moda que morrerá com a próxima invenção (o videocast?).

Mas também há quem - como eu - admita que se trata mais do que uma moda. Números recentes de interesse em downloads e sobretudo o facto de haver cada vez mais áreas cobertas pela lógica do podcast, fazem-me pensar que poderá ser mais do que uma moda.

O podcast caseiro, de amador, pode estar condenado, mas a possibilidade de usar o audio para transmitir diversas mensagens tem muitas potencialidades - há cada vez mais professores a deixar as suas aulas em podcast para os alunos poderem consultar, por exemplo.

Dir-se-á: mas mal seja possível fazê-lo em video, o audio não vai perder importância? É aqui que entra uma reflexão que gostaria de partilhar: talvez o maior trunfo do podcast seja o facto de ser - como a rádio - uma mensagem secundária. Uma coisa é ter de ler uma palestra/entrevista/aula durante uma hora, outra é poder ouvi-la, enquanto faço outra coisa. Haverá circunstâncias em que tenho mesmo de a ler, mas há outras em que posso fazê-lo enquanto corro, descasco as batatas ou leio outra coisa!

É apenas uma ideia...

O futuro é a voz e a informação?

a propósito deste artigo, Can Radio Save Itself?, que enumera as fraquezas de um e de outro, algumas notas:

-A rádio dominou até aparecerem os leitores de mp3;

- A rádio é portátil e portável e não tem imagem; os leitores digitais de música também;

- A rádio tem muita música, mas publicidade; os LDM podem suportar mil músicas, sem publicidade (que, criativa ou não, nunca é agradável);

- A rádio é de borla e não dá trabalho; os LDM custam dinheiro, obrigam a transferir as músicas (piratas ou pagando) e exigem alguma organização interna;

- A rádio não tem o exclusivo da selecção variada e da surpresa; o shuffle dos LDM também permite isso;

- A rádio não tem melhor qualidade de som do que os LDM e estes não falham num túnel ou quando a emissão fica mais fraca;

- A rádio não é só música; é voz, é companhia, é informação. E isso os LDM não têm...

A rádio, os LDM e o «shuffle»

Um dos principais argumentos da rádio face aos aparelhos que reproduzem música é que esta permite uma grande variedade e diversidade na escuta. Por outras palavras, o ouvinte nunca sabe o que vem a seguir (mas com play lists tão reduzidas e repetitivas, quase pode adivinhar...). Em contrapartida, um leitor de CD reproduz os temas como estão alinhados no disco, sempre os mesmos, pela mesma ordem.

Esse argumento - teoricamente favorável à rádio - acaba com a presença nos LDM de um botão de busca aleatória, "shuffle", que vai buscar do universo de músicas guardadas em cada leitor uma qualquer, sem qualquer ordem prévia. Com a vantagem de evitar, ainda, os intervalos de publicidade.

"Some radio proponents point out that part of the excitement of radio is the unknown, and the fact that you never know what they’re going to play next. MP3 player owners, however, point to the little button on their devices labeled ’shuffle’ and point and laugh at the radio proponents, ceasing only to walk away and listen to the music they love while the radio proponents wait patiently through a 15-minute string of Buick commercials"

Por isso é que há quem, nos EUA, fale num novo formato radiofónico, chamado "Jack" como resposta ao iPod e ao fenómeno do "Shuffle": é um formato com uma play list muito larga e extensa, que pode surpreender a qualquer momento. 

O telemóvel vai ser o rádio do futuro?

Há quem defenda que sim ("next-generation mobile phones are going to become the most important future delivery platforms for audio material, even eventually supplanting terrestrial radio as the medium of choice for listeners", diz Harry Helms, do Future of Radio), mas também quem ache que não.

Um deles é Jeff Duntemann, que - no seu diário on line (24/10/05) culpa as empresas de telemóveis, no caso norte-americanas - pela incapacidade em desenvolver o mercado: "I have a very capable phone, but the carrier will do almost anything to keep me from connecting it to my computer and playing around with its advanced features. Furthermore, the audio quality is still hideous, and this is what, 2005? I’ve given up on flying cars, but sheesh, I’d have expected CD-quality cellphone communication by now."

A luta das rádios de satélite parta se imporem nos auto-rádios

Agora é a Sirius:

"Sirius Satellite Radio will keep a major auto manufacturer in its corner, at least through 2012. The satellite underdog recently extended its exclusive deal with DaimlerChrysler, covering all Jeep, Dodge, Chrysler and Mercedes-Benz vehicles, as well as Freightliner Trucks. Sirius projected that the deal will generate an additional 750,000 subscribers in the next year alone, though some critics have questioned the company’s methodology for counting new customers. As part of the deal, all Jeep, Dodge, and Chrysler cars will continue to offer factory-installed receivers, and new buyers will enjoy a one-year trial subscription. The deal extension is part of a much larger satellite radio embrace by auto manufacturers. That support is likely to make the difference for both Sirius and XM Satellite Radio, and help both push far beyond the first-mover crowd. Already, satellite radio subscriber levels have doubled in the last year alone, and are expected to hit 10 million by Christmas. Meanwhile, auto giant General Motors recently extended its commitment to XM, and will rollout 1.55 million new XM-enabled dashboards in 2006. Honda also continued its XM deal, and is expected to deliver 550,000 factory installs next year. Sirius will release its earnings on Tuesday."

As origens do segundo choque também estão na própria rádio

Por outras palavras, a rádio foi evoluindo, ao longo de décadas, para um ponto em que quase obrigou os ouvintes a procurar alternativas, nomeadamente de música. A oferta era tão reduzida e repetitiva e os ouvintes queriam mais:

Corey Deitz, "Maybe Commercial Radio Didn't Know JACK All These Years", Jul 20 2005:

"Some stations had libraries of 130, 140, maybe 200 songs. Imagine that: out of all the music created over the years, it was all strained down to the safe stuff, the songs that “tested” best. These were the only songs anyone liked. Yep! Researchers and consultants were quite sure. After all, they were tested! So stations played a select amount of songs – often – to the increasing dismay of listeners who inevitably heard those same songs on similarly formatted stations with similar names from city to city. There was no escaping it.

Listeners began to wonder if there was a better way for them to obtain variety in their music. This problem was partly solved through the advent of the first portable cassette player in 1964 by the Norelco Company which begot the 8-track player in 1966 from Motorola which begot the Walkman in 1979 from Sony which begot CDs and portable CD players in 1982 from Phillips. "

Outro excerto:

"Well, I think it’s obvious who was right all along: The listeners.

They just couldn’t prove it until technology gave them iPods and other mp3 players so they could finally program their own portable stations and turn off the ones that refused to play the variety they really wanted to hear."

E para ouvir a rádio em HD? Já há aparelhos no mercado

Where Are The HD Radios?
Sep. 23, 2005
By Paul Heine
PHILADELPHIA -- If a 5.1 surround-sound tree falls in a digital forest, does anyone hear it?
iBiquity director of broadcast marketing Don Kelly offered an update on the most important question in the digital radio discussion taking place at the National Assn. of Broadcasters Radio Show here: Where are the radios?
Five different after-market car stereo HD receivers are currently available from a variety of manufacturers, he said, including JVC, Panasonic and Kenwood. A Boston Acoustics tabletop HD radio is expected in late October or early November.
Radiosophy will deliver portable receivers later this year and high-end units from Polk Audio will be available early next year. Kelly says at least another 15-17 manufacturers will have product coming to market.
“There will be hundreds of thousands of [HD] receivers in listeners hands in 2006,” Kelly said. 2500-3000 stations will beam digital signals within the next 18-24 months, covering 95% of the U.S. population, he added.
Noting that it took FM about seven years to achieve parity with AM, Kelly said the HD radio tipping point will occur sooner, because technology moves faster today than it did in the ‘70s.

Rádio pública dos EUA consegue 4 milhões de podcasts (isto merece atenção)

Em apenas dois meses, a NPR (serviço público de radiodifusão dos EUA) conseguiu que 4 milhões dos seus programas fossem descarregados via internet, para ouvir no computador ou no leitor digital (portátil) de música - os podcasts.

"According to the group, several NPR podcasts have ranked in the top 10 on both Yahoo and iTunes, helping to create the snowball effect. NPR delivers podcasts containing news, information and cultural programming, and also offers a music-based podcast called "All Songs Considered". That podcast is an extension of an online-only program that highlights artists, reviews, interviews and other music-related content"

O iTunes vai ter concorrência da Samsung

(via Digital Music News)

"Samsung Prepares iTunes Music Store Competitor

Apple flash memory partner Samsung Electronics now plans to create its own version of the iTunes Music Store. The news is confirmed by The Korea Times, and even comes from the horse’s mouth, company president Choi Gee-sung. “We are now in talks with our partners to debut a service like iTunes,” Gee-sung recently said. “Our number one priority is to help customers use our products with ease.” Gee-sung was speaking to journalists at a recent press call. He described China and Southeast Asia as potentially strong markets for such a service, as iTunes is not yet available in those territories.

Despite selling flash memory to Apple, Samsung is big enough to have its own intentions in the digital music market. The company is preparing to release several larger-capacity players, and aims to use its music service to grab 25-30 percent of the global MP3 player market by 2007. Samsung also revealed a new 36-story “digital product” research and development center during the press event, another indication of a very serious initiative ahead. But the timing is interesting: on October 15th, Apple and Samsung were reported to have been discussing a strategic $3.8 billion joint investment in flash memory manufacturing. A threat of regulatory review allegedly ended the talks. (Story by news analyst Jonny Evans)".

Podcasts no ensino

Mais do que a vertente lúdica...

http://ciberjornalismo.com/pontomedia/?p=163 

 

 

 

Audiências e publicidade (riscos)

"Cuanto mayor es la debilidad económica del medio, mayor es la posibilidad de que los mensajes publicitarios adopten formas más descaradamente persuasivas, enquistándose en el conjunto del discurso radiofónico sin apenas diferenciación de los contenidos formales del mismo. La radio todo publicidad es aquella en la que el oyente no distingue qué partes son las que incitan al consumo de determinados productos y cuáles responden a la lógica del discurso programático, algo así como si el lector de un periódico no viera con claridad cuál es el espacio redaccional y cuál pertenece al publicitario."

Josép Martí i Martí, pág. 78

Ainda a herança do choque televisivo

A rádio que sai da herança televisiva é marcada por diversos factores. Merayo Pérez (pág. 315) distingue cinco, como preparação para o segundo choque:

1) Las consecuencias de la intervención arbitraria de las Administraciones Públicas 2) La ruptura en el equilibrio de las estructuras de propiedad a favor de las emisoras públicas que, sin embargo, no tienen semejante predominio en cuanto al número de sus oyentes 3) La crisis por la que atraviesa la OM 4) La obsolescencia tecnológica de las emisoras y las deficientes estructuras empresariales y de gestión 5) La competencia de las nuevas ofertas televisuales”.