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Transistor kills the radio star?

Permite armazenar 100 faixas e liga-se ao iTunes

Motorola e Apple juntam telemóvel e música num só
«Chama-se Rokr, foi desenvolvido pela Motorola e pela Apple e junta as funções de telemóvel e de leitor de áudio portátil. Com capacidade para guardar até cem faixas de música, foi apresentado esta semana como o primeiro telemóvel com ligação ao iTunes, o mais famoso serviço de compra de música on-line. Já disponível nos EUA, onde custa 250 dólares, o Rokr chegará brevemente a vários países da Europa e da Ásia.
Poder telefonar e ouvir música a partir de um só dispositivo portátil foi o objectivo que levou a Motorola e a Apple a juntarem-se para desenvolver o Rokr (ou rocker, como se deve pronunciar). As duas empresas apresentaram-no em conjunto com a Cingular Wireless, uma operadora de telecomunicações norte-americana que, para já, será a única a possibilitar, nos EUA, as comunicações móveis a partir do Rokr.
As suas características são idênticas às de muitos outros telemóveis: possui uma autonomia que permite conversar durante cerca de nove horas, ecrã a cores, câmara integrada e pesa 107 gramas. A novidade está no facto de ter sido criado a pensar num fácil acesso ao serviço de música iTunes e numa simples passagem das funcionalidades de telemóvel para as de leitor de áudio. O Rokr integra auscultadores e microfone e os ficheiros de música podem ser transferidos do computador para este equipamento através de ligação USB (Universal Serial Bus).»

excerto de um texto da ultima pagina do Publico de ontem, assinado por Isabel Gorjão Santos

A digitalização da Onda Média no Brasil

Excerto de um texto de Higino Germani (in Clube de Jornalistas):
"Com estas características, perguntamos : Porque insistir em sistema “in band” ?
Os ouvintes não terão que adquirir um novo receptor para ouvir os sinais digitais ? Como a resposta é obviamente afirmativa, cremos que boa parte das argumentações da opção “in band” cai
por terra.
Será verdadeiramente viável que, após um certo período de transição, o sinal analógico deixará de ser transmitido,
permanecendo apenas o digital ? Ou será que, para cobrir deficiências da cobertura digital teremos que manter no ar permanentemente trambolhos de dezenas de quilowatts com alto consumo de energia elétrica ?
Nos vemos em situação semelhante ao advento da máquina a vapor nas embarcações : inicialmente as instalaram em veleiros com resultados obviamente desastrosos; ou então com o advento do motor a combustão interna : não foi projetado um automóvel e sim instalado o motor em carruagens, no lugar dos cavalos ...
Estaríamos agora colocando turbinas em veleiros ou em carruagens?!
Não será possível criarmos uma Nova Radiodifusão em todos os sentidos e não apenas inserir as técnicas digitais no Rádio existente?
"

A digitalização da Onda Média

in NetFM:
"O mundo digital apresenta novos desafios para a rádio. Muito se tem falado da digitalização do sinal FM, das rádios por satélite ou através da Internet mas, outro aspecto que também pode ser explorado é a digitalização do AM e da Onda Curta, recuperando e revitalizando dois sinais relegados para segundo plano. Em Espanha, a cadeia de rádios la Cope tem estado a realizar testes de emissão digital em onda média, com DRM.

Os testes de emissão simulcasting com a Digital Radio Mondial (DRM) em Onda Media foram realizados em Zamora e tiveram a participação da Universidade Politécnica de Vigo. Este teste usou uma frequência de rádio já ocupada e procurou emitir um sinal de qualidade digital que não interferisse com o sinal original, no mesmo âmbito de cobertura.

O resultado não correspondeu às expectativas iniciais e será necessário usar outros parâmetros de emissão e uma planificação mais ajustada para não produzir qualquer interferência. Este teste, tal como outros que já têm sido feitos, comprova o AM como um segmento de negócio interessante para as empresas de rádio que, com o sinal digital, recupera a qualidade do seu sinal, factor que de alguma forma, afastou os ouvintes.

Contudo, e porque o simulcasting ainda interfere com o sinal FM e diminui a qualidade da emissão digital, muitos operadores estão a manter o seu sinal analógico AM e a usar a onda curta para emissões digitais."

Um software que já incorpora podcasting

É o triunfo do podcasting: uma empresa de software, que até agora lidava apenas com recolha de som na internet, lançou uma nova versão que já permite descobrir e descarregar podcastings.
um excerto:
"Finding and subscribing to Podcasts is done through the Media Guide. You can search by Top Rated shows, category, Podcast name, and other ways. Once you have found a Podcast you’re interested in, you can play it from within the Media Guide, download a particular show episode, subscribe to a Podcast by automatically moving it to iTunes, mark an episode as a favorite, convert automatically to iPod bookmarkable, burn podcasts directly to CDs and check for new shows at specified times or intervals.
Replay Radio is a premiere application suited to handle most any online and offline recording needs. The developers have been meticulous in correcting any bugs, adding fixes and continually making the product better.
The full version of Replay Radio is $49.95 and considering how much it offers, this is one software investment you don't have to justify."

Informação muito completa

(via Obercom)
"TV Portátil - A revolução tecnológica da televisão

A televisão portátil, ainda em fase de experiências, surge das evoluções tecnológicas no sector da televisão e irá trazer profundas alterações aos serviços disponibilizados e aos hábitos de consumo.
Brevemente, a televisão, tradicionalmente um meio de comunicação electrónica de recepção fixa, deverá atingir a sua forma nómada de alta tecnologia, tal como aconteceu com a rádio, o telefone e o cinema, graças ao leitor de DVD portátil.
Para que se possa falar verdadeiramente de televisão móvel, é necessário que o conteúdo disponível ao telespectador venha, em tempo real, de uma fonte exterior. Esta exigência pôde, durante algum tempo, ser satisfeita a um custo razoável através das tecnologias clássicas da televisão. Mas, pouco depois, surgiram várias evoluções tecnológicas que abriram caminho a produtos e serviços destinados ao grande público, agora sujeitas a experiências-piloto em vários países.
A aparição de novos formatos de codificação trouxeram as melhores perspectivas económicas. Em particular, o protocolo MPEG-4 que permite difundir uma imagem de tamanho reduzido com apenas uma parca quantidade de kilobits por segundo. Desta forma, pode difundir vários programas num multiplex móvel, o que melhora consideravelmente o custo de difusão por canal.
A portabilidade (vem da noção inglesa de handheld device), descreve uma nova forma de mobilidade à escala do indivíduo. Em portabilidade, o receptor funciona sem alimentação externa, sem antena e tolera as deslocações e velocidades seja a pé ou em trajectos com viatura. É uma nova forma de mobilidade e de consumo comparável àquela que se procura na telefonia portátil.
Existem duas formas de difusão. Uma por via terrestre, outra assegura a cobertura do território através de um satélite, complementada por retransmissores terrestres.
As principais tecnologias de difusão terrestre de televisão móvel surgem de quatro protocolos de transporte:
DVB-H;
MBMS;
Tecnologia FLO Qualcomm;
T-DMB.
Actualmente existem duas tecnologias de difusão por satélite:
S-DMB coreano;
S-DMB europeu.

Para mais informações consulte o estudo ““Télévision Numérique et Mobilité”, da DDM (Direction du Développement des Médias).

Hollingsworth, Mike

Hollingsworth, Mike, How to get into Television, Radio and New Media, Continuum, Londres, 2003

Martí i Martí

Martí i Martí, Josep Maria, Modelos de programación radiofonica, Feed-Back Ediciones, 1990

Formatos minoritários

Rádios nos hospitais (GB):Over 90 per cento of the UK’s hospital population has the benefit of the hospital broadcasting. This means that over 18 million people can hear specially produced local hospital programmes every year. The benents specially produced local hospital programmes every year. The benefits of hospital broadcasting services to both patients and staff are well recognized by the Department of Health” (Hollingsworth, Mike, How to get into Television , Radio and New Media, Continuum, Londres, 2003, pág 34)

Rádios nas faculdades (GB):
“Every large college and university that offers media courses as a campus radio station, and although you may not be promised the widest of audiences, it offers a great opportunity to get to grips with radio” (Hollingsworth, Mike, How to get into Television , Radio and New Media, Continuum, Londres, 2003, pág. 35)

O risco das previsões

O risco da análise prospectiva, as dificuldades que um trabalho como este pode apresentar; as previsões que estão condenadas?
Todas as previsões que envolvam, directa ou indirectamente, tecnologia correm o risco de ficar condenadas; todas as cautelas são poucas: ou como o telemóvel permite um conjunto de especializações que põem em causa a certeza desta afirmação:
“Radio has managed to evolve to survive through technological advancements and is now relied upon for news, traffic updates and weather reports in a way that TV is not. In a traffic jam the radio is your only companion, in hospital it is the same, and in the middle of the night when the whole world appears to be asleep your radio with the late-night broadcaster's soothing voice is your sole companion.” (Hollingsworth, Mike, How to get into Television, Radio and New Media, Continuum, Londres, 2003pág 23)

Napster

Surgiu em 1999, criado por Shawn Fanning.
Até agora podem ser distinguidas duas fases: na primeira, a partir de 1999, o Napster era um software que usava o mp3 para permitir a troca de ficheiros musicais na internet. Não os armazenava, mas permitia procurar e descarregar essas músicas em sistema de partilha, a partir dos discos rígidos de cada utilizador (o chamado P2P, peer to peer).
Obvimente este sistema favorecia (incentivava?) a pirataria e, mal ganhou dimensão, o Napster foi alvo de acções judiciais por parte de músicos e da própria indústria discográfica norte-americana. Nessa altura era o mais importante sistema de troca de ficheiros musicais na internet.
O Napster fechou e reabriu agora com funcionamento legal. E com o mp3
(em construção)

mp3

Trata-se de um formato digital de compactação de som, lançado em 1987 pela empresa alemã Fraunhofer-Gesellschaft (Instituto Fraunhofer), que consegue reduzir um ficheiro de música de um minuto de 12 MB para cerca de 1 MN, com pouca perda de qualidade. A solução passa por eliminar as frequências mais altas, a partir de 20 Khz, que já não são audíveis para os humanos.
É, actualmente, o formato de compressão de som mais usado, nomeadamente pelos LDM, e deve sua popularidade ao facto de ser um software de livre acesso (open source).
MP3 é abreviatura de MPEG Audio Layer III.

"Uma «exigência» por parte do público da rádio "

No âmbito das coisas que vou desenvolvendo aqui, enviei um mail ao director da Connect (talvez a melhor revista portuguesa nesta área das telecomunicações e novas tecnologias, mas com um serviço na net muito fraquinho, como se pode ver...): fazem análises aos modelos de telemóveis, mas não referem se estes incorporam, como equipamento extra, receptores de FM.
Para além da promessa de corrigir o "erro" proximamente, Luís Mateus enviou-me uma resposta que publico aqui na sua parte essencial:
"(...) integração de sintonizadores de rádio FM em alguns dos telemóveis mais recentes surge quase como uma inevitabilidade; uma “exigência” por parte do público da rádio que comunga das novas tecnologias. Não só os chamados "telemóveis multimédia" possuem rádio FM, como também possibilitam escutar as emissões em estereofonia, ou simplesmente por meio de um altifalante interno. Além disso, integram cartões de memória adicionais, nos quais podemos gravar ficheiros de música digital (ex: MP3, AAC, etc.), que são reconhecidos e lidos pelo software do telemóvel.
Paralelamente, assistimos actualmente ao lançamento (especialmente nos países nórdicos) de serviços complementares das emissões de rádio. O caso mais interessante será, talvez, o Visual Radio (desenvolvido pela Nokia), que permite acrescentar informações visuais ao conteúdo das emissões radiofónicas. Essas informações (textuais, gráficas, etc.) são descarregadas para o telemóvel a partir da Internet, encontrando-se em perfeita sincronia com o conteúdo das emissões de rádio, facultando explorar a interactividade com os ouvintes/utilizadores
."
(obrigado Luís)

BBC ofecere arquivos (tv e rádio)

Esta notícia ("La cadena pública británica BBC permitirá descargar a través de Internet sus programas de radio y televisión a partir del año próximo, según ha anunciado el director general, Mark Thompson. La BBC se sitúa por delante de otras cadenas públicas europeas sobre todo en Internet, medio por el que apuesta fuerte... Gracias al sistema ’MyBBCplayer’, los telespectadores que tengan ordenador podrán acceder a los programas emitidos en los últimos siete días y descargar los episodios que se hayan perdido de sus series favoritas...) merece algumas notas:
- não diz se o serviço será gratuíto (dá ideia que sim, mas...);
- mostra que a lógica do podcasting tinha mais virtualidades do que parecia;
- significa um maior aproveitamento das potencialidades oferecidas pela internet;
- finalmente, é uma forma da rádio - e da televisão, claro - se afirmar com conteúdos que possam interessar. Nesta luta pela ocupação do espaço de atenção do consumidor, todos os trunfos que - neste caso - a rádio tiver nunca serão de mais.

Uma nota ainda: concordo com Jorge Silva. A RTP/RDP anda a dormir (e a concorrência não aproveita...)

Desenvolvimentos desta informação:«De acordo com o responsável da BBC, este plano faz parte dos esforços para expandir os tradicionais media da estação britânica. Thompson referiu também que, se a BBC não passar de uma tradicional estação de TV e rádio, provavelmente não vai conseguir ter direito, no futuro, aos fundos públicos de rádio e televisão.
Mark Thompson reconheceu ainda que as exigências dos espectadores são cada vez maiores, o que muda o conceito de "broadcasting".
»

As ameaças

Este texto de Corey Deitz é revelador de algumas coisas que também aqui têm sido ditas:
"«Pay-for-Play», «Payola», «Bribery», or whatever you want to call it, has had a relationship with Radio practically since Radio had a relationship with listeners. The latest disclosures from Attorney General Spitzer’s office can only reinforce the disenchantment of some radio listeners who feel many radio stations provide little variety, music repetition, and unresponsive attitudes.
Is it any wonder the technologies of mp3 players, Podcasting, Satellite Radio, Streaming Internet Radio, radio on cell phones have been embraced so quickly by the public? Music companies will probably always try to influence radio stations to play songs. But, for the first time since Radio first captured the imagination of millions, the masses now have their own “Pay-for-Play” technology: an iPod, CD burners, and downloads. "

O inimigo é o telemóvel?

O adversário da rádio, neste segundo choque, não é a imagem, não são os videoclips, não é a televisão.Haverá sempre situações em que é preciso acumular tarefas e só um meio de sentido único o poderá fazer.
O grande adversário da rádio são os novos sistemas que permitem ouvir, acumulando com mobilidade, como acontecia, antes, quase em exclusivo, com a rádio. O telemóvel é o inimigo.

Um exemplo: o rádio despertador

Não sei de estatísticas, mas imagino que mais de 90 por cento dos portugueses que acordam com despertador têm um rádio sintonizado para eufemizar a dor (os outros 10 por cento acordaram com besouros/campaínhas ou têm música gravada associada).
A rádio era, assim, a primeira companhia ao acordar, por mérito próprio mas também por falta de alternativa (e ainda é).
Só que os telemóveis ameaçam mudar tudo. Também têm os seus despertadores. Com besouros mas também com música associada (toques). Mas sem rádio: mesmo os terminais que têm rádio instalado não permitem activar, ao despertar, esta função, até pelo problema da monição/amplificação.
Em resumo: da próxima vez que o despertador de casa avariar, vale a pena comprar outro? Não será melhor usar o telemóvel?

(A resposta pode passar por aqui: se a rádio tiver bons conteúdos, que interessem e prendam a atenção dos ouvintes, pode fazer a diferença face a um telemóvel)

(remeto eventuais interessados para este texto e este.

Sobre a PSP e a ausência da rádio

Parece-me que há duas formas de ver a questão: a consola portátil da Sony que esta semana é posta à venda na Europa não inclui um sintonizador de FM porque isso não faz qualquer sentido nem há tradição disso acontecer. É normal, portanto.
Mas há outra interpretação para a mesma constatação: um sintonizador FM faria sentido a partir do momento em que a consola é muito mais do que uma estação portátil de jogos, é – como dizem os seus responsáveis e entusiastas – um «conceito de entretenimento» (um “media center»). É que, além dos jogos, inclui ligação à Internet e ao computador e leitores de media em diversos formatos, de imagem e de som (mp3, nomeadamente). Mas não rádio.
Ou seja, a consola da Sony permite duas situações de que a rádio fica afastada: ocupar o tempo, com entretenimento (e aqui o risco é de perda de hábito, sobretudo para as gerações mais novas, de ouvir rádio – habituam-se a outra coisa e a rádio deixa de ser uma actividade primária) e a possibilidade de acumular a escuta com outra função: até agora, a rádio era o principal meio secundário, jogava e ouvia rádio, consultava a Internet e ouvia rádio. Agora, se quero acumular, usando a PSP, não o posso fazer. Tenho a alternativa da música em formato digital, guardada na memória da play station.

Características do...

Ao contrário do que aconteceu com o primeiro choque, a tecnologia que ameaça também pode ajudar. Isso pode ser um bom sinal (1) :permite novos meios de transporte do conteúdo radiofónico (usando LDM, telemóveis, computadores, consolas), se a rádio souber aproveitar a boleia; também cria novas formas de rádio (internet ou satélite). Mas a tecnologia não tem apenas um carácter amigável. Gera novos meios de consumo, concorrenciais, que retiram à rádio o seu papel exclusivo (até agora...): a capacidade de acumular, em movimento - com um telemóvel ou um LDM faço o mesmo que antes, verdadeiramente, só a rádio me dava... (2)

(1) E daí talvez não. Se pensarmos que a tecnologia do primeiro choque (a televisão) era apenas ameaçadora, e que a rádio conseguiu sobreviver, mais hipoteses terá com uma que lhe abre a porta, embora a empurre para fora...
(2) o walkman com cassetes ou CD nunca foi verdadeiramente uma alternativa. Limitava muito a capacidade de escolha (uma cassete de cada vez) e obrigava a mudanças. Até o CD no carro, mesmo que multiplicado por 10, é uma escolha redutora (que obriga a tirar a caixa, mudar os discos, voltar a colocar a caixa e ficar sujeito a essa oferta)

Hipóteses

-a rádio ainda serve para alguma coisa?

- a rádio poderá ser só voz? A rádio contra a solidão (característica, cada vez mais marcante, da nossa sociedade?)? Recurso a formas mais eficazes e ricas de comunicação, conjugando a construção efectiva de uma oralidade com formas mais capazes de combater o “ruído”?

- como seria um fórum sem participação de um moderador (um caos)? Seria possível? Alguém quer participar num assim?

- o computador está a matar a rádio ou só a reposicioná-la? Tornará a voz/palavra mais importante, as pessoas?

- o que é que vai desaparecer, da rádio actual, e o que é que fica? Fica a edição, o editorial, a decisão, a moderação, o equilíbrio, a gestão dos excessos?

- a tecnologia, relativamente à rádio (só à rádio?), está a funcionar como filtro, como depuradora de tudo o que não é determinante; ela faz a limpeza do que não era essencial à rádio (mesmo que no presente isso parecesse); gorduras?

- depois da televisão ter tirado a rádio de casa (tirou?), a rádio barricou-se no carro e transformou-se numa espécie de gira-discos (mais ou menos personalizado); o computador vai fazer o quê à rádio: fechá-la ainda mais no carro? Diminuir ouvintes? Há que ter em conta, pelo menos num espaço de 20 anos, a realidade do transporte individual, que obriga a uma atenção de base e impede outra visualização. A rádio manterá uma característica de acumulação e locomoção, mas a tecnologia permitirá substituir a rádio como elemento único (o CD nunca foi verdadeiramente uma alternativa porque implica substituir os discos e limita muito as escolhas); já um leitor digital de música ou um telemóvel permitirão acumular centenas (milhares…) de músicas e ligá-las ao sistema áudio do carro.

- as pessoas continuarão (cada vez mais a viajar sozinhas), mas em transportes colectivos, necessitando de companhia auditiva (visual também?). E nesses (autocarros, barcos, aviões) a rádio nunca foi opção, pelas suas dificuldades de propagação (que só o satélite poderá eliminar). Continuará a não ser? Os dispositivos pessoais (recusados em aviões), como telemóveis, leitores digitais de música, serão alternativa? Quanto mais eles se impuserem, menos hábitos de escuta de rádio

- os profetas da desgraça também prenunciavam o fim da rádio quando a televisão explodiu. E a rádio sobreviveu, por causa do transístor. E agora? Quem vai salvar a rádio da tecnologia? A tecnologia? O regresso à condição essencial do homem, a sua voz?

- a rádio por satélite, sem publicidade, perfeita no som e super-segmentada, é o futuro da rádio? O que é que os seus assinantes esperam dela, que não encontrem por exemplo nos downloads de música (quem paga uma, paga outra…)? Por facilidade (os downloads dão trabalho… implicam vontade e acção, enquanto a rádio é só ouvir)?

- a rádio só fará o que não tiver sentido noutros meios? O teatro, por exemplo, que é essencialmente visual. Porquê ouvi-lo na rádio se posso vê-lo na televisão? Por outras palavras, a rádio especializa-se no seu core ou compete? Por outro lado, até que ponto a rádio pode limitar-se a apenas fazer aquilo que a tv não faz? O carro não permite ver ecrãs? É curto e redutor! A televisão e o jornal não permitem acumular e circular? Mas a rádio deixou de ser o único meio. Com um telemóvel posso correr e ouvir música; jogar e ouvir música; a rádio tem concorrência na única área que era sua. Ou é mais sensato, evitar comparações, braços-de-ferro, apostando na complementaridade? Mas há produtos que não funcionam bem na televisão – a rádio poderá tirar partido? Um homem, só, no estúdio, a conversar com ouvintes. Parece ser um produto radiofónico. Há outros formatos não-visuais? São os que pressupõem pessoas a falar? Uma leitura de um poema…

- a rádio terá vantagens (ou conseguirá continuar a) em tirar partido de alguma arrogância (dominadora) da televisão? Muito formatada, muito presa, refém da imagem, sem margem para outras abordagens? Enquanto a televisão continuar a imitar modelos da rádio (dando-lhes imagem) a rádio terá o seu espaço garantido?

- a concorrência da rádio deixou de ser a televisão e passaram a ser os telemóveis? A existência de um meio mais absorvente não significa que não haja espaços para outros (os telemóveis excluem o argumento que a rádio chega onde a televisão não chega; a televisão passa a chegar a todo o lado; só a acumulação a impede)

- a rádio tornar-se-á num produto minoritário (público e receitas)? Dirigido a minorias ou elites? Será viável?

- o próprio conceito de rádio está em causa: as rádios na Internet, que cada um pode programar, são gira discos personalizados ou rádios? Qual é a essência básica de rádio para que se possa perceber o que fica e o que passa? É rádio se tiver alguém lá dentro, alguém que fale? Os downloads não são rádio;

- a música tem lugar na nova rádio? A música, se representar alinhamentos incaracterísticos, se não encontrar diferenças com o computador, se não surpreender, se não for contada/explicada/humanizada, não. A tecnologia faz o mesmo com mais ganhos, eficiência e rigor. GPS e o trânsito… a música explicada (os leitores digitais dizem o nome da musica, o autor e o ano e até podem incluir a letra…, portanto explica-la é mais do que anunciá-la), relacionada? Novos formatos?

- a tecnologia também vai tirar à rádio uma das suas características básicas, a imediatez na informação? Um telemóvel pode transmitir imagens e permitir pôr um repórter no ar (numa televisão) ao mesmo tempo que numa rádio… Se há uma crise e o fornecimento de energia é interrompido, as pessoas viravam-se para a rádio (na origem a funcionar com gerador); agora podem ver no telemóvel, enquanto a bateria durar (no caso da rádio, enquanto as pilhas…)

- estão em causa uma série de lugares-comuns, de ideias-feitas, que alimentaram a rádio durante décadas? Por exemplo, antes entrávamos numa loja e havia rádio; hoje há a televisão; antes, num escritório, os funcionários ouviam rádio (ou musica pré-gravada em CD); hoje podem ouvir a sua selecção na Internet ou leitores digitais ou musica no computador; antes íamos correr e levávamos o rádio; hoje os leitores digitais de música ou os telemóveis… se eu for ao estádio ver um jogo de futebol e o jogo estiver a ser transmitido na televisão (e no meu telemóvel), eu ouço a rádio ou vejo a televisão? A televisão obriga-me a acumular e isso não é possível. Mas permite ver os lances em repetição ou mais polémicos. A rádio permite a acumulação mas tem mais-valia?

(o que o computador puder fazer, fará melhor)

A rádio vai ficar à espera do fim, à espera que o fim não chegue tão cedo? Ou vai perceber que só estará condenada se não conseguir encontrar diferenças (potenciando-as) com a televisão e as novas tecnologias? È uma perspectiva pessimista ou apenas inquieta sobre o futuro da rádio?

Rádio via satélite mais forte

Agora é a Sirius que apresenta um novo serviço, importante para fidelizar ouvintes.
A notícia da Reuters (Thu Aug 25, 2005 12:31 PM ET):
" Sirius introduces portable unit that stores music
Sirius Satellite Radio Inc. on Thursday said it will introduce a small portable device for its subscription radio service that can store 50 hours of music, news and programs from Sirius channels, a move to narrow the gap with its larger rival XM Satellite.
The new player, roughly the size of a deck of playing cards, is the company's first device to be used outside the confines of cars and trucks. The automotive market accounts for the vast majority of satellite radio usage. XM has had a portable device on the market since last fall.
Sirius's player, dubbed the S50, underscores the trend of the converging consumer electronics devices, specifically satellite radio with digital music players.
With the success of Apple Computer Inc.'s (AAPL.O: Quote, Profile, Research) iPod digital music player, many consumer electronics makers have been looking for ways to add digital music as a feature on other devices such as cellphones and other handheld devices.
One of the key features of the S50, which will be available in October, is the ability to create digital music files from satellite radio broadcasts that can then be transferred to PCs, other players or burned to CDs.
But how much the S50, which has a suggested retail price of $360, narrows the gap with XM is subject to debate. S50 cannot independently receive a satellite signal the way that XM's portable MyFi device can.
The S50 has to be attached to a docking device that is not portable in order to receive signals. That device costs an additional $100.
"One thing that disappoints me is the pricing," said Legg Mason analyst Sean Butson said. "To pay close to $500 for this strikes me as too much." MyFi costs about $300.
Sirius' device comes a month after Korea's Samsung Electronics Co. Ltd. said it would sell a digital music player that can receive satellite signals from Sirius' larger rival XM Satellite Radio Holdings Inc. (XMSR.O: Quote, Profile, Research) . XM also has a deal with Napster Inc. to start a service that allows users to buy music they hear on XM stations.

A FNAC entra no mercado dos downloads

Chama-se Fnacmusice é uma loja de música virtual.
Como as outras?
Provavelmente sim, embora haja sinais de que o toque Fnac está lá.
Ou seja - e é uma das virtualidades da internet aliada às capacidades da música digital - junta a agilidade de vender alguns temas de um novo disco de um grupo a inéditos - que dificilmente poderiam ser editados. É o caso do novo disco dos dEUS.

Duas certezas para um filho meu: ser jogador de futebol e músico. Profissões de futuro!