«(...) el debate acerca del destino de la radio ha tenido un gran número de vicisitudes y no se puede saber lo que en un futuro deparará»
(Carlos Ortiz de Landázuri in Martinéz-Costa, 2001: 182)
«Durante las últimas dos décadas muchos profesionales, expertos y estudiosos, hemos construido la prognosis sobre el futuro inmediato de la radio, a base de unos cuantos tópicos y bastantes lugares comunes. Los cambios anunciados los hemos fundamentado en la potencialidad de las nuevas tecnologías de producción y de difusión. Ya podemos decir que esta apuesta con el tiempo ha resultado bastante equívoca y ello por muchas razones. En primer lugar, porque la experiencia enseña que la apropiación social de las tecnologías se acostumbra a realizar de manera bastante diferente a como es concebida por aquellos que simplemente basan su análisis en la bondad intrínseca de las mismas. En segundo lugar, porque existen una serie de factores contextuales en torno a la radio digital que están evolucionando a un ritmo bastante diferente al esperado. Podemos decir que hemos construido unos escenarios de futuro que, visto lo visto, se alejan progresivamente de cualquier realidad plausible a medio plazo».
«Para McQuail es evidente que la aparición de las nuevas tecnologías han hecho posible la aparición de nuevas formas de interacción radiofónica hasta ahora desconocidas»
Carlos Ortiz de Landázuri in Martinéz-Costa, 2001: 172
(introdução: quais são as consequências do aparecimento das novas tecnologias? Elas não se limitam a garantir que a rádio sobreviva - ou não -; também têm consequências ao nível da programação e do comportamento do público)
«El deseo de la audiencia de recibir una programación de radio de calidad seguirá intacto. Se trata de algo inmutable. Las personas se seguirán sintiendo atraídas por la naturaleza personal, relevante e "interactiva" del medio y las nuevas tecnologías aumentarán las oportunidades de alcanzar una verdadera interacción. Cuanto más consiga "dialogar" una emisora con su audiencia, más segura será su posición en el mercado de los medios de comunicación. La identidad local que una emisora proyecta a través de su programación en las ondas y su página en la red la mantendrá viva durante mucho tiempo en el futuro (...) En 1938 Norman Corwin, el legendario escritor americano de la radio, publicó una obra titulada Seems Radio is Here to Stay para la Columbia Broadcasting System (CBS). Creo que no me equivoco al decir que la radio estará aquí para quedarse en este nuevo siglo de potencialidades y promesas, siempre que recuerde que debe centrarse en sus formidables virtudes y atributos únicos».
Keith, Michael C. La radio en mercado global, apud Martinéz-Costa, 2001:105)
"Es necesario no olvidar que: a) la tecnología es un flotador, no un salvavidas; y b) que un flotador no enseña a nadar." (Belau in Martinéz-Costa, 2001: 37)
mas - ao contrário do que muitos pensam - isso não se deve, na opinião desta autora, à tecnologia:
"Despite challenges from other media, radio continues to be popular because of its ability to adapt to changes. Technological determinists might claim that the changes are due to advances in technology like stereo broadcasting, the transistor radio and the use of FM and digital frequencies for better-quality sound. But a closer examination of these technological developments shows that most were available long before they were applied" (Fleming, 2002: 25).
Ou seja, "'radio's ability to survive in a competitive media environment has always depended 0n how well broadcasters tap into social, cultural and technological change" (Stephen Barnard, 2000: 17 apud Fleming, 2002: 25)
«More radio stations do not necessarily bring about more choice for listeners and sometimes the only way to distinguish between one station and another is the station ident (the jingle that identifies the station with its name and frequency). The majority of stations in Britain follow a very similar format dominated by music" (Fleming, 2002: 6).
"Radio is a constantly evolving medium. Throughout the last century it has adapted to cultural and technological change to remain a popular and distinctive medium despite the growth of television, cinema, cable and satellite services, the ubiquity of recorded music, and even the Internet. So what makes radio so distinctive? The most obvious answer is its availability. Nine out of ten people in the UK listen to radio every week for an average of three hours a day, representing over one billion listening hours a week. It is available in homes, shops, workplaces, cafes and cars and even to individuals walking in the countryside plugged into their personal steroes". (Fleming, 2002: 1)
O risco da análise prospectiva, as dificuldades que um trabalho como este pode apresentar; as previsões que estão condenadas? Todas as previsões que envolvam, directa ou indirectamente, tecnologia correm o risco de ficar condenadas; todas as cautelas são poucas: ou como o telemóvel permite um conjunto de especializações que põem em causa a certeza desta afirmação: Radio has managed to evolve to survive through technological advancements and is now relied upon for news, traffic updates and weather reports in a way that TV is not. In a traffic jam the radio is your only companion, in hospital it is the same, and in the middle of the night when the whole world appears to be asleep your radio with the late-night broadcaster's soothing voice is your sole companion. (Hollingsworth, Mike, How to get into Television, Radio and New Media, Continuum, Londres, 2003pág 23)
- a rádio poderá ser só voz? A rádio contra a solidão (característica, cada vez mais marcante, da nossa sociedade?)? Recurso a formas mais eficazes e ricas de comunicação, conjugando a construção efectiva de uma oralidade com formas mais capazes de combater o ruído?
- como seria um fórum sem participação de um moderador (um caos)? Seria possível? Alguém quer participar num assim?
- o computador está a matar a rádio ou só a reposicioná-la? Tornará a voz/palavra mais importante, as pessoas?
- o que é que vai desaparecer, da rádio actual, e o que é que fica? Fica a edição, o editorial, a decisão, a moderação, o equilíbrio, a gestão dos excessos?
- a tecnologia, relativamente à rádio (só à rádio?), está a funcionar como filtro, como depuradora de tudo o que não é determinante; ela faz a limpeza do que não era essencial à rádio (mesmo que no presente isso parecesse); gorduras?
- depois da televisão ter tirado a rádio de casa (tirou?), a rádio barricou-se no carro e transformou-se numa espécie de gira-discos (mais ou menos personalizado); o computador vai fazer o quê à rádio: fechá-la ainda mais no carro? Diminuir ouvintes? Há que ter em conta, pelo menos num espaço de 20 anos, a realidade do transporte individual, que obriga a uma atenção de base e impede outra visualização. A rádio manterá uma característica de acumulação e locomoção, mas a tecnologia permitirá substituir a rádio como elemento único (o CD nunca foi verdadeiramente uma alternativa porque implica substituir os discos e limita muito as escolhas); já um leitor digital de música ou um telemóvel permitirão acumular centenas (milhares ) de músicas e ligá-las ao sistema áudio do carro.
- as pessoas continuarão (cada vez mais a viajar sozinhas), mas em transportes colectivos, necessitando de companhia auditiva (visual também?). E nesses (autocarros, barcos, aviões) a rádio nunca foi opção, pelas suas dificuldades de propagação (que só o satélite poderá eliminar). Continuará a não ser? Os dispositivos pessoais (recusados em aviões), como telemóveis, leitores digitais de música, serão alternativa? Quanto mais eles se impuserem, menos hábitos de escuta de rádio
- os profetas da desgraça também prenunciavam o fim da rádio quando a televisão explodiu. E a rádio sobreviveu, por causa do transístor. E agora? Quem vai salvar a rádio da tecnologia? A tecnologia? O regresso à condição essencial do homem, a sua voz?
- a rádio por satélite, sem publicidade, perfeita no som e super-segmentada, é o futuro da rádio? O que é que os seus assinantes esperam dela, que não encontrem por exemplo nos downloads de música (quem paga uma, paga outra )? Por facilidade (os downloads dão trabalho implicam vontade e acção, enquanto a rádio é só ouvir)?
- a rádio só fará o que não tiver sentido noutros meios? O teatro, por exemplo, que é essencialmente visual. Porquê ouvi-lo na rádio se posso vê-lo na televisão? Por outras palavras, a rádio especializa-se no seu core ou compete? Por outro lado, até que ponto a rádio pode limitar-se a apenas fazer aquilo que a tv não faz? O carro não permite ver ecrãs? É curto e redutor! A televisão e o jornal não permitem acumular e circular? Mas a rádio deixou de ser o único meio. Com um telemóvel posso correr e ouvir música; jogar e ouvir música; a rádio tem concorrência na única área que era sua. Ou é mais sensato, evitar comparações, braços-de-ferro, apostando na complementaridade? Mas há produtos que não funcionam bem na televisão a rádio poderá tirar partido? Um homem, só, no estúdio, a conversar com ouvintes. Parece ser um produto radiofónico. Há outros formatos não-visuais? São os que pressupõem pessoas a falar? Uma leitura de um poema
- a rádio terá vantagens (ou conseguirá continuar a) em tirar partido de alguma arrogância (dominadora) da televisão? Muito formatada, muito presa, refém da imagem, sem margem para outras abordagens? Enquanto a televisão continuar a imitar modelos da rádio (dando-lhes imagem) a rádio terá o seu espaço garantido?
- a concorrência da rádio deixou de ser a televisão e passaram a ser os telemóveis? A existência de um meio mais absorvente não significa que não haja espaços para outros (os telemóveis excluem o argumento que a rádio chega onde a televisão não chega; a televisão passa a chegar a todo o lado; só a acumulação a impede)
- a rádio tornar-se-á num produto minoritário (público e receitas)? Dirigido a minorias ou elites? Será viável?
- o próprio conceito de rádio está em causa: as rádios na Internet, que cada um pode programar, são gira discos personalizados ou rádios? Qual é a essência básica de rádio para que se possa perceber o que fica e o que passa? É rádio se tiver alguém lá dentro, alguém que fale? Os downloads não são rádio;
- a música tem lugar na nova rádio? A música, se representar alinhamentos incaracterísticos, se não encontrar diferenças com o computador, se não surpreender, se não for contada/explicada/humanizada, não. A tecnologia faz o mesmo com mais ganhos, eficiência e rigor. GPS e o trânsito a música explicada (os leitores digitais dizem o nome da musica, o autor e o ano e até podem incluir a letra , portanto explica-la é mais do que anunciá-la), relacionada? Novos formatos?
- a tecnologia também vai tirar à rádio uma das suas características básicas, a imediatez na informação? Um telemóvel pode transmitir imagens e permitir pôr um repórter no ar (numa televisão) ao mesmo tempo que numa rádio Se há uma crise e o fornecimento de energia é interrompido, as pessoas viravam-se para a rádio (na origem a funcionar com gerador); agora podem ver no telemóvel, enquanto a bateria durar (no caso da rádio, enquanto as pilhas )
- estão em causa uma série de lugares-comuns, de ideias-feitas, que alimentaram a rádio durante décadas? Por exemplo, antes entrávamos numa loja e havia rádio; hoje há a televisão; antes, num escritório, os funcionários ouviam rádio (ou musica pré-gravada em CD); hoje podem ouvir a sua selecção na Internet ou leitores digitais ou musica no computador; antes íamos correr e levávamos o rádio; hoje os leitores digitais de música ou os telemóveis se eu for ao estádio ver um jogo de futebol e o jogo estiver a ser transmitido na televisão (e no meu telemóvel), eu ouço a rádio ou vejo a televisão? A televisão obriga-me a acumular e isso não é possível. Mas permite ver os lances em repetição ou mais polémicos. A rádio permite a acumulação mas tem mais-valia?
(o que o computador puder fazer, fará melhor)
A rádio vai ficar à espera do fim, à espera que o fim não chegue tão cedo? Ou vai perceber que só estará condenada se não conseguir encontrar diferenças (potenciando-as) com a televisão e as novas tecnologias? È uma perspectiva pessimista ou apenas inquieta sobre o futuro da rádio?
Será este blogue demasiado tecnológico, se partirmos do pressuposto que apenas se dedica a pensar a rádio do futuro? O que é que a tecnologia de que aqui venho falando há diversos meses tem a ver com a rádio? Enfim, para ser o mais concreto possível: o que é que, por exemplo, os iPods ou genericamente todos os LDM têm a ver com o futuro da rádio? Várias coisas: - uma constatação básica quanto mais música digital se ouvir, menos rádio se ouvirá; - os leitores digitais de música (LDM) s(er)ão compatíveis com os sistemas áudio dos carros, juntando-se à rádio e ao CD. Mas mais do que este, representam uma alternativa válida de escuta em condução, que a caixa de CD ou, mesmo, a cassete nunca foram (deixando a rádio reinar); - estes aparelhos limitam-se a potenciar um fenómeno recente mas que parece irreversível: a música já é digital e será cada vez mais (a ponto de se acabar por desmaterializar na origem); - a partir do momento em que a rádio deixar de ser o que é agora, a melhor forma da indústria discográfica promover, sobretudo, as novidades, a rádio musical terá de procurar um novo posicionamento.
Por isso é que não é de mais falar, neste âmbito, de tecnologia, de música digital e de iPods. No fundo (acho eu ) analiso o fenómeno na origem para compreender melhor as suas consequências.
Um amigo, que me tem estado a ajudar e promete não desistir, alertou-me para uma entrevista de um dos mais míticos realizadores de rádio em Portugal, António Sérgio (AS), no suplemento do DN de sexta-feira passada. Do ponto de vista desse meu amigo, AS dizia algumas coisas sobre a rádio que me poderiam interessar para este trabalho. Uma frase, em concreto, despertou-lhe o interesse ("Sobre o actual estado da rádio em Portugal, António Sérgio diz que «( ) aquela magia da música que vem do éter, é um hábito que se está extinguir ( ) a rádio enquanto escuta caseira é um hábito que faliu e que nos fugiu, e não há maneira de voltar».") e proporcionou-me a possibilidade deste ponto da situação. Aqui vai, ao correr do teclado: 1) Este trabalho não é sobre a rádio de hoje. É, sobretudo, sobre os desafios (problemas?) que as novas tecnologias estão a criar à rádio, tal como a conhecemos hoje; 2) Este trabalho não pretende ser um lamento sobre o estado da rádio em Portugal, embora vá centralizar a sua atenção no panorama radiofónico português; a frase de AS é um exercício saudosista, que partilho, mas irrepetível: a rádio deixou de ser ouvida em casa porque a rádio sofreu um forte choque com o aparecimento da televisão (o primeiro...) e, menos, porque deixou de ter conteúdos apetecíveis; 3) A história repete-se com o segundo choque: a televisão tirou público à rádio, mas esta conseguiu manter uma massa crítica suficiente para sobreviver; agora, com a perda previsível de mais público, que terá outras formas de consumir música, por exemplo, a rádio conseguirá manter essa massa crítica de ouvintes em quantidade suficiente para anunciantes se interessarem, para se gerar receitas que permitam investimentos (técnicos e humanos)? 4) A rádio do futuro será sobretudo voz (à mistura com outros conteúdos) e será ouvida basicamente no carro? A segunda tendência confirma o que vem acontecendo; mas a primeira será uma autêntica revolução, por exemplo, em Portugal (onde a rádio é basicamente música).
Nos EUA, "98 percent of adults listen to an average of 21 hours of radio every week. This is on a par with cable TV (19 hours/week) and broadcast TV (15 hours/week)." A fonte é a empresa de consultoria Veronis Suhler Stevenson. A desenvolver
"Para Marshall McLuhan (1911-1980), os media são tecnologias que alargam as percepções sensoriais humanas. Ao propor que o meio é a mensagem, argumenta que o significado cultural dos media não reside no seu conteúdo mas no modo como altera a nossa percepção do mundo. O impacto de qualquer tecnologia está na "mudança de escala, momento ou modelo que introduz nos assuntos humanos". O impacto particular das tecnologias dos media está no modo como alteram os "modelos de percepção rapidamente e sem qualquer resistência". Daí se considerar McLuhan um determinista tecnológico, que define a história pela mudança tecnológica. A tecnologia da escrita induz uma mudança fundamental no modo como os seres humanos se relacionam uns com os outros, realçando a visão sobre o som, a leitura individual sobre as audiências colectivas (...)". Rogério Santos no Indústrias Culturaisde hoje
A revista Visão de 2/6/05 apresenta, na página 92, um artigo muito interessante sobre o fim dos relógios de pulso, substituídos pelos telemóveis. Fim? Veremos depois. A questão é importante para este âmbito porque é mais um exemplo de uma tecnologia tradicional, devidamente implantada a nível mundial, que é ameaçada por uma outra tecnologia que chega agora, mas com vantagens. Quais? A concentração num só aparelho de várias utilidades uma das quais o relógio. A reportagem conta o caso de uma miúda de 10 anos que deixou de usar relógio pouco depois de aprender na escola a ler as horas. É que o seu Nokia 3200 tem, além de relógio, o Bounce, o seu jogo preferido. Outro caso que ali é contado: um estudante de 24 anos mantém os relógios numa gaveta de casa e só recorre ao telemóvel: Não acordo sobressaltado com o barulho do meu relógio-despertador posso escolher, para isso, uma música mais soft, no telemóvel. A propósito, a rapariga também conta que grava sons da sua aparelhagem para o telemóvel, para pôr a tocar na manhã do dia seguinte. Será uma moda, resultante do impacto dos telemóveis, e tudo voltará a ser como dantes, com o relógio a reocupar o seu espaço no pulso (um pouco como quando apareceram os relógios digitais e se previa o fim dos mecânicos, o que não aconteceu)? Ou o relógio, com o tempo, passará a ser apenas um objecto de decoração, como uma pulseira, um colar ou um piercing? São semelhantes os desafios que se colocam à rádio tradicional: como conseguir captar a atenção para a rádio perante um aparelho que tem, além do próprio receptor de rádio, um leitor digital de música, máquina fotográfica, Internet e televisão? Quem quererá ouvir a rádio? O que terá a rádio de fazer para sobreviver? Ou a rádio está condenada a acantonar-se, definitivamente, ao carro, por ausência de alternativas (sendo que nem isso é pacífico, uma vez que os leitores digitais e portáteis de música também podem ser ligados à aparelhagem do carro e, assim, substituírem a rádio)? Nesse caso, o mais preocupante é que a rádio passará a ser para uma imensa minoria, deixando de ter viabilidade económica (os anunciantes deixarão de investir ), de receber investimentos humanos e tecnológicos e ficando a marcar o seu próprio fim
«Internet radio stations have long been popular because of the wide variety of music they offer and the relative lack of commercials. But for those who crave musical playlists tailored to their personal tastes, it might be difficult to find a service more useful than Last.fm.
Last.fm is an online radio site -- but with a twist. It works hand-in-hand with Audioscrobbler, a small software plug-in that works with popular software music players like Winamp and iTunes. The plug-in scrutinizes the music files on users’ computers and sends the information to a server. From that, Last.fm creates a personalized Internet radio station based on each user’s taste.
No Japão ou nos Estados Unidos (menos na Europa,penso) há cada vez mais pessoas a ouvir música em casa, nos transportes publicos ou mesmo na escola, não, já, através da rádio ou de «walkmans», mas em «Ipods» e outros sistemas de musica digital (que permitem que eu ouça as minhas musicas, apenas as que gosto e não as que a rádio quer que eu ouça); nos táxis e em muitos carros particulares, os que conduzem já não recebem as informações de trânsito pela rádio mas por sistemas de GPS, associados a câmaras de vídeo que nas ruas informam por onde se pode seguir ou não; isto para além dos serviços que os telemóveis de terceira geração (UMTS) oferecem, com serviços personalizados (por exemplo, se eu apenas circulo em determinada auto-estrada, não me interessam outras informações; os telemóveis permitem a personalização atraves de um SMS).
Parece-me haver aqui uma especie de "ameaça" aos actuais formatos da rádio; ou pelo menos à forma como ela é concebida actualmente.
A rádio já sobreviveu ao choque da televisão (o primeiro choque), mas isso obrigou a uma serie de mudanças (passar de casa para o carro, por exemplo). Conseguirá sobreviver a este segundo choque que se prepara? A tecnologia ameaça a rádio ou apenas a obrigará a reposicionar-se? Que serviços estão os "gadgets" a oferecer, concorrenciais com a rádio? Como a rádio poderá tirar partido desses "gadgets"? A rádio será, como se percebe por aquilo que Negroponte diz, mais voz, ou o futuro da rádio é... negro?