1.0 Introdução
Como será ouvir rádio daqui a 10 anos (ou 20)?
A resposta é uma incógnita absoluta, porque coexistem as mais diversas hipóteses.
- deixaremos de ouvir rádio hertzianamente ou a rádio hertziana, existindo, será apenas um complemento de um serviço global oferecido via internet?
- a rádio digitalizada conseguirá afirmar-se (DAB, HD ou outro sistema), mantendo a rádio como acto sincrónico (uma determinada programação pensada por alguém e destinada a muitos, sem possibilidade de alteração)?
- acabarão os receptores individualizados de rádio e ouviremos não atraves de receptores FM mas de telemoveis, consolas, mp3... emissões streaming?
As respostas são uma incógnita na medida em que, mesmo tentando não olhar o presente pelo retrovisor, poderão aparecer novos desenvolvimentos tecnológicos que - pela suas características - irão condicionar tudo o resto, porque há movimentos e fenómenos (das diversas indústrias envolvidas) que não se conseguem controlar/antecipar, além de que cinco ou dez anos poderão ser muito ou pouco.
Mas há algumas coisas que parecem «certas»; sinais estruturais de desenvolvimento (e numa fase de grande incógnita/encruzilhada são essas a que nos devemos agarrar):
- a digitalização mudou dois paradigmas em que assentava a rádio convencional e nesse aspecto são duas novas ameaças: criou novos canais de acesso à música, deixando de ser a rádio o canal privilegiado, em muitos casos (para os jovens sem poder de compra, ou mais isolados dos grandes centros) único, de acesso a nova música; possibilitou o aparecimento de verdadeiras alternativas de escuta em acumulação, que antes pura e simplesmente se reduziam à rádio: podemos conduzir, correr ou estudar e ouvir, ao mesmo tempo, milhares de músicas, sem publicidade e a gosto, nos leitores de mp3/iPod. Como consequência imediata, e até porque são os mais atentos às novas tecnologias digitais, os jovens começaram a afastar-se da rádio;
-a digitalização é resultado da Internet e a Internet desenvolveu-se em tantas frentes que, numa delas, se constituiu como meio de comunicação social (como suporte alternativo aos meios convencionais); para se viabilizar precisa de publicidade e a publicidade é um bolo que antes era repartido pelos tais suportes convencionais. A partir do momento em que se constata o crescimento de interesse pela Internet (menos de 10 anos para atingir 50 milhões de utilizadores, contra os 15 anos da televisão, por exemplo), e que o bolo a distribuir não cresce, há desvio de receitas para a Internet. A rádio, como meio mais desvalorizado - o único a cujas audiências não corresponde um valor proporcional de publicidade -, foi o primeiro a sofrer. Sem as receitas habituais, viverá como a rádio?
- A internet/digitalização também significa uma oportunidade para a rádio - mas para que essa oportunidade se afirme a rádio terá de evoluir de tal maneira que deixará... de ser rádio. Será outra coisa qualquer, que ainda não tem nome, mas não será mais uma programação, pensada por poucos, e destinada a muitos, sem possibilidade de a personalizar.
PS - a resposta à pergunta dos especialistas do DRACE diz-nos que «by 2015 most Europeans would have digital terrestrial radio» e que «FM radio will continue to play a significant role in both Europe and Canada», e isto porque « This is attributed to the strengths of linear radio, including mobility, ease of access and localism, as well as powerful journalistic and artistic content». Não penso que assim vá ser. Para mim será mais «an increase in personalized and on-demand radio, with more listener sovereignty, personalization options and the gradual disappearance of schedules. Radio will be available when and where listeners want it»
A música continua a ser muito importante para os jovens; e isso é importante para a rádio
«Music remains one of the seminal influences in the lives of young people, though we also discovered that less than one out of flve teens lits that music impacts their thinking or behavior. The » (Barna, 2001: 104)
Uma espécie de declaração de intenções
Notas metodológicas (a quem se dirige o trabalho)
«The term Net Generation refers to the generation of children who, in 1999, will be between the ages of two and twenty-two, not just those who are active on the Internet. Most of these children do not yet have access to the Net, but most have some of degree of fluency with the digital media. The vast majority of adolescents report they know how to use a computer. Nearly everyone has experience with video games. The net is coming into households as fast as television did in the 1950s» (Tapscott, 1997: 3)
«Globally, most children of the new generation are not growing up digital. In fact many of them will not grow up at all. One billion people were born over the last lecade - the biggest increase in human history. However, 97 percent of them were born in developing countries that often lack the ability to feed, house, and educate them[Data from a presentation by Rick Uttle, president of the International Youth Foundation, cited at World Economic Forum. Davos. Switzerland. 1997]. More than half of the 1.2 billion children in the world aged six to eleven have never placed a phone call [As cited in a column entitled "2B1" by Nicolas Negropome in Wired, June 1997, p. 184]. There is also a growing gap between have and have-not nations. Most net users are in the United States, Europe (excepting Scandinavia) and Japan are far behind. But the real gap comes between the developed and developing world. Most people in the latter don't have telephones, let alone the digital media.» (Tapscott, 1997: 12)
A geração iPod e a neteconomia
Será possível compreender o fenómeno associado à geração iPod sem o relacionar e integrar numa área mais vasta, a da neteconomia?
A necessidade de reflectir sobre o futuro
Um risco a tentar evitar neste trabalho
Necessidade de relativizar as previsões («adopção hesitante»)
«Although having the right kind of access and device is clearly a prerequisite for new media experiences, and very often an incentive to try new experiences, it is in no way a guarantee of actual consumer uptake. When a device enters the market, consumers may initially ignore some of its advanced features or use it in surprising ways. If the device is not easy to use, has limited functionality or does not really fit the user’s lifestyle, it will likely sit idle or underutilized. Examples of hesitant adoption are plentiful. Of the 15 million U.S. households with highdefinition television (HDTV) sets at year-end 2005, only 50 percent subscribed to HDTV content service plans. Likewise, of the 270 million Internet-enabled mobile phone users in Western Europe, only 20 percent were using their phones’ Internet capabilities.» NOTA: não se aplica ao iPod...
fonte: «Navigating the media divide», IBM Institute for Business Value, 2007
Sobre a geração iPod (digital divides)
Terá de se ter em atenção que estamos a falar de sociedades industrializadas, onde as taxas de penetração dos meios de comunicação de social são elevadas. De acordo com as Nações Unidas, «For example, 331 out of every 1,000 people in Europe use the Internet, but the same is true for only around 92 per 1,000 in Latin America and the Caribbean, 37 per 1,000 in the Middle East and North Africa, and 15 per 1,000 in South Asia and sub-Saharan Africa. Although these data are not age-specific, young people are among the principal users of computers and are likely highly represented in these figures. It is important to note that the disparities are not as great for the use of older forms of technology such as radio and television, which makes these media extremely useful for information distribution. For xample, rates of radio ownership are 813 per 1,000 in Europe, 410 per 1,000 in Latin America and the Caribbean, 277 per 1,000 in the Middle East and North Africa, and 198 per 1,000 in sub-Saharan Africa (World Bank, 2004)».
A rádio de conversa vai sobreviver? (optimismo)
«With the emergence of iPods, WiFi, satellite radio, and other new media, is radio in danger of losing younger listeners?
Jason Wolfe, director de programas da WEEI, rádio de conversa e desporto de Boston, líder de audiências: I don't think we are, and I don't think radio is in general. If you look at specific formats, nothing can take the place of a local program - if it's compelling and entertaining enough. One of the great things about the growth we have achieved is that we're gaining younger people. If our core demo is men 25-54, every time one of those 54-year-olds turns 55, we pick up two who are 25. We've done exceptionally well with those younger demos, largely because they want the local programming. These new media will never supplant the great power of terrestrial radio and the personality and passion that goes with it. In that respect, as an industry, we're in good shape. There will be “competitors” so people can to go other places for news and entertainment, but at the end of the day they'll stick with radio because that's what they know and love.» (At WEEI, Jason Wolfe Is King Of The Red Sox Nation (Radio Ink, 10/17/05)
41 dias por ano a ouvir rádio
nos EUA.
Parece-me de mais, mas...
«Nearly half of our lives are spent with TV, radio, Internet and newspapers, according to the U.S. Census Bureau. Its new “Statistical Abstract of the United States: 2007” indicates adults and teens will spend nearly five months — 3,518 hours — next year watching television, surfing the Internet, reading daily newspapers and listening to personal music devices. (There are about 8,760 hours in a year.)
Among the bureau’s findings: People will spend the equivalent of 65 days in front of the TV, 41 days listening to radio and a little over a week on the Internet in 2007. “Adults will spend about a week reading a daily newspaper and teens and adults will spend another week listening to recorded music.” Consumer spending for media is forecast to be $936.75 per person.»
fonte: «Your Radio Diet Next Year: 41 Days», 21/12/06, RWonline
O segundo choque é mais grave do que o primeiro (II)
Uma pergunta central em toda esta investigação
Ouvinte ou cliente? Cliente...
A rádio está pujante?
«-Más de 21O millones de europeos oyen la radio diariamente.
- Europa tiene más de 9.600 estaciones de radio.
- La radio es oída más de tres horas al día por persona.
- En cinco Estados miembros hay más individuos oyendo radio que viendo televisión.
En definitiva, la radio continúa siendo un medio pujante que mantiene altas cotas de credibilidad y aceptación en toda Europa. Además, se muestra culturalmente mucho más diversa que la cada vez más homogeneizada televisión, proporcionando servicios específicos para cada uno de los países, regiones y localidades».
Merayao Pérez, Martinéz-Costa, 2001, 282
Uma hipótese a confirmar
"Las nuevas tecnologías implican en el panorama de la radiodifusión sonora la aparición de nuevos sonidos y la multiplicación de los modelos de radio (...) la tecnología abre camino a la multiplicación de sus canales de comunicación"
Avelino Amoedo, in Martinéz-Costa, 2001: 205
«Hay una sociedad nueva que emplea un lenguaje nuevo y que marca un sendero nuevo para la radio»
Perguntas que ainda fazem sentido
«a) ¿Qué tipo de radio ofrece/rá el DAB?
b) ¿Qué tipo de radio ofrecemos/remos a través de Internet?
c) ¿Qué tipo de radio escuchamos/remos a través del teléfono móvil?
d) ¿Cómo converge la oferta de radio on air con la oferta on line?
e) ¿La especialización musical es la única respuesta a la pregunta de los nuevos contenidos de la radio? ¿La especialización musical es tipo de radio que más desarrollo experimentará con el DAB, con Internet, etc.?»
Elsa Moreno Moreno, Martinéz-Costa, 2001: 202
Características da nova rádio
Marti y Marti considera que se pode definir «la denominada nueva radio» a partir dos seguintes elementos:
- «Mayor posibilidad de elección» («un oyente medio de radio podrá tener a su disposición entre 100 y 200 programaciones diferentes de radio en directo»);
- «Hiperespecialización de contenidos» (para «diferenciarse y de conseguir la atención de los oyentes que navegarán por la jungla de las programaciones puestas a su alcance en los diferentes soportes»).
-«Nuevas estructuras programáticas» : («se caminará hacia una realización mucho más personalizada y (...) porque el contenido hasta ahora basado únicamente en el sonido se ampliará a los datos y a las imágenes»);
- «Nuevas formas de participación». («... el oyente actuará de una manera interactiva no únicamente sobre los contenidos, sino también sobre las estructuras programáticas»).
Marti e Marti in Martinéz-Costa, 2001, 189 (intervenção feita em 2000)
(o que leva Marti y Marti a falar em nova rádio e a fazer esta caracterização)