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Transistor kills the radio star?

3.2 Downloads

A música digital nos EUA não é só o iTunes

"If you're finally getting into digital tunes with a portable player and songs downloaded from an online music store, your path seems clear, right? You'll go buy one of Apple Computer's popular iPods and then hit its market-leading iTunes Music Store - correct?
Think again. At least, several pretenders to Apple's digital-music throne want you to reconsider."
Um texto muito interessante (via Obercom), aqui.

O mistério Kazaa

Australian Industry Points to True Kazaa Owner
(fonte)
June 1, 2005

Just who controls Kazaa-owner Sharman Networks? The company is a shadowy one, with off-shore ownership and secretive practices the norm. That has prompted the Australian recording industry to heavily monitor the company, including intense surveillance of the residence of Sharman CEO Nikki Hemming. The surveillance has been conducted by Music Industry Piracy Investigations (MIPI), the enforcement arm of the Australian Recording Industry Association (ARIA). Now, MIPI representative Michael Speck has pegged Hemming herself as the true controller of the various Sharman properties, with Altnet CEO Kevin Bermeister believed to control the actual Kazaa application. That information came out as part of an ongoing legal battle between Australian major labels and the massive P2P application, with deliberations resuming June 8th.
The surveillance has not been limited to just Hemming, with other locations also falling under the MIPI eye. That is part of a continued effort to clearly define the enemy, and determine just what level of control Sharman has over the FastTrack file-sharing network. While Hemming and others have continuously maintained that they have no control over the network, major labels have asserted otherwise. Now, Hemming may have to take the stand, with the CEO potentially shedding light on a mysterious and complicated ownership structure.

Uma outra forma de negócio

Os downloads fazem-se sobretudo pela compra de música em armazéns virtuais, como o iTunes (a empresa da Apple tem o seu milhão e meio de músicas prontas a serem compradas), mas ainda prevalece uma forma alternativa de negócio, aquilo que é vulgarmente designado por peer to peer (e que não tem tradução em português).
Neste serviço, quem vende as músicas apenas estabelece a ligação entre dois pontos (peers), um que tem a música e outro que a quer receber.
Obviamente que é por aqui que a piratice prevalece, com empresas como a Kazaa ou a LimeWire a serem alvo de processos judiciais. A Napster já era.
Ora acaba de ser lançado um serviço, por um antigo fundador da Napster, que pretende viabilizar o peer to peer mas de uma forma legal (chamam-lhe "end-to-end solution"). Chama-se Snocap e permite ter disponíveis catálogos com milhões de músicas, assim as editoras os digitalizem (sendo que, de acordo com esta notícia da Reuters, três das quatro "majors" da indústria muscal já aderiram (a Universal, a Sony BMG e a EMI; falta apenas a Warner. Algumas independentes, como a TVT ou a Rykodisc, também).
Mais oferecerem-se para introduzir moralidade no sistema, com um sistema, baseado em impressão digital, que bloqueia as músicas piratas. Mas não são um serviço comercial, apenas um serviço de licenciamento legal.

O CD vai acabar

A revista Visão volta a um dos seus temas preferidos, pelo menos nos últimos tempos: o negócio da música, os downloads e - anunciam - o fim dos CD.
Algumas ideias do texto de Pedro Dias de Almeida, "A Industria Titanic?" (págs 137-148):
- A Transformadores, uma agência e promotora de espectáculos, vai criar na internet um sítio com a capacidade do iTunes, em que vai colocar catálogos de editoras independentes de todo o mundo;
- Alexandre Cortez, da editora: "Com o tempo, as edições digitais vão aumentar cada vez mais. O futuro da indústria está no negócio dos downloads";
- David Ferreira, da EMI: "Durante muitos anos, o futuro vai passar pela coexistência entre os suportes físicos e as vendas de música on line, estas ganhando sempre um papel cada vez maior. O problema é que estas só crescerão significativamente quando acabar a impunidade dos downloads ilegais, o que torna indispensável uma acção determinada das autoridades";
- Valdjiu, dos Blasted Mechanism, fala numa "média de 200 mil downloads semanais dos [seus] temas";
- o CD, na opinão de Inês Pereira, produtora do grupo The Temple: "Com o tempo, o CD tende a tornar-se uma peça de colecção, como são hoje os discos de vinil";
- "O próprio conceito de álbum, ou disco, pode desaparecer, quando o principal veículo de distribuição for o espaço digital, etéreo e sem fronteiras. Nada obrigará os artistas a fazerem 12 canções de uma vez ou a ocuparem os cerca de 80 minutos de um CD";

Hábitos de consumo de música digital

"Uma das principais conclusões do inquérito aplicado aos utilizadores de Internet é que 69% dos europeus inquiridos usam os seus computadores como meio para consumir música digital, sendo que 34% o faz frequentemente, sendo evidente o predomínio dos utilizadores mais jovens.
No que respeita às práticas de consumo de música digital adoptadas pelos inquiridos, a principal referência enquanto fonte de conteúdos não é a Internet, mas sim os CD's propriedade dos próprios inquiridos, sendo que as lojas on-line ainda não têm ainda relevância significativa enquanto fonte de conteúdos musicais. Apenas 29% dos inquiridos obtêem música digital em lojas on-line e apenas 9% o faz frequentemente.
(...) entre as opções, comprar uma música por 50 cêntimos que apenas possa fazer uma cópia ou comprar uma música por um euro que possa fazer com ela o que quiser, 63% dos inquiridos preferem a segunda opção. (obercom)
O estudo aqui.

A música. Qual música? Ah, a música...

Em complemento ao texto que dava conta do facto histórico de, pela primeira vez, um toque de telemóvel ter chegado ao primeiro lugar do top de músicas mais vendidas na Grã-Bretanha (aqui), deixo ficar um endereço onde arquivei a referida música. Para a posteridade!

Mais um serviço de downloads

No Yahoo: mais de um milhão de músicas, em dois serviços: O Engine (que vende temas a $99 centimos) e o Unlimited (a $79 cêntimos, embora a assinatura tenha de ser mensal ou anual). E também tem uma lista de rádios on line.
(dica NetFm)

Um toque de telemóvel lidera lista de musicas mais vendidas!

"Mobile tune makes history
(...) This milestone may make little sense to anyone who has never downloaded a ring tone, but with children as young as 10 years old personalizing the sound of their cellphones, it is a sign that digital music in all forms has become a major entertainment medium for the under-30 set."

Uma forma de combater a pirataria?

No Reino Unido, como forma de combater a pirataria, a comunidade dos negócios da música está alcançar acordo sobre a “iPod tax”, uma cobrança de direito de autor que será adicionada ao preço de cada leitor de música digital, revertendo as receitas para os autores das obras. (dica Obercom). Ou também aqui.

O mercado da música digital no Japão

Segundo um relatório divulgado pelo Nomura Research Institute, as receitas das vendas de musica por download, no Japão, deverão aumentar de 76,5 m de dólares, em 2004, para 841,1m de dólares, em 2008 (via Obercom).
"An increasing number of companies are entering the potentially lucrative market for online music download services, tipped by some to expand more than 10-fold in five years.
According to Nomura Research Institute, improved telecommunications infrastructure will help online music sales in Japan surge to 88 billion yen in fiscal 2009 from 8 billion yen in fiscal 2004."
A notícia aqui.

Vendas de discos continuam a cair (França)

As vendas de discos em França (Les Ventes de Disques 2005 - 1° trimestre): o Syndicat National de l'Édition Phonographique (SNEP) publicou o primeiro relatório de 2005, referente aos valores de vendas no mercado discográfico francês. Segundo aquele relatório, verificou-se em 2004 uma diminuição do mercado em 14,3%, valor semelhante ao registado em 2003. Em dois anos, o mercado discográfico francês perdeu 27% em valor, o que representa 350 milhões de euros (Obercom)

Acções da Warner Music caem

com as preocupações provocadas pela musica online.
A notícia da Reuters aqui.

O negócio alarga-se...

Agora é a Yahoo que lança um serviço concorrente do iTunes e similares.
A Yahoo promete, para já numa versão experimental, e por $4.99/mês se a assinatura for anual, um catálogo com mais de um milhão de canções.

A Apple, obviamente reage: melhorando o serviço e alargando o iTunes a outros países.

Sobre as redes (piratas) «peer to peer»

Mais de metade dos internautas espanhois usa as redes P2P para troca de ficheiros, diz este estudo. Mas como provavelmente quase todos esses ficheiros são ilegais, e a indústria discográfica está preocupada, apareceu uma solução que garante acabar os peer to peer. Aqui. Por isso não admira que o consumidor se sinta frustrado com as restrições - reacções curiosas...
(Aqui é possível traçar um perfil do "pirata digital".)
Certo é que, com ou sem piratas, há expectativas gordas para o crescimento do mercado de música digital: "mais 134 por cento este ano, atingindo os €780 milhões" (informação via Obercom).

2004: o ano da "revolução" digital na música

Texto fundamental do obrigatório Obercom:
"O ano de 2004 ficará na história da música, como o ano da "revolução" digital. Ao nível do consumo de música digital verificaram-se mais de 200 milhões de downloads autorizados nos Estados Unidos e na Europa. Por outro lado, registaram-se 870 milhões de downloads não autorizados. Segundo a IFPI, embora os números da pirataria sejam alarmantes, houve uma quebra de cerca de 30 milhões de dowloads não autorizados em relação a 2003, enquanto que o número de downloads autorizados decuplicou no mesmo período."
Tudo aqui.
Com esta actualização:
"As vendas de música digital cresceram exponencialmente em 2004 com o número de serviços de música on-line a aumentar cada vez mais. Actualmente existem cerca de 230 serviços disponíveis, dos quais 150 na Europa. Os catálogos de oferta musical on-line também aumentaram, com os maiores catálogos a contar mais de um milhão de temas musicais, segundo os dados da International Federation of Phonographic Industry (IFPI) publicados no estudo The recording industry World Sales 2005 (estudo pago)".

"Top britânico de singles passou a incluir downloads"

"Pela primeira vez , o «top» britânico de «singles» passou a incluir os ficheiros de música adquiridos na Internet ao lado dos CD vendidos nas lojas (...). O top de «downloads», elaborado pela Official UK Charts Company, começaram a ser feitos em Setembro do ano passado, contabilizando os «downloads» legais de mais de 20 «sites», incluindo o «iTunes» e o «Napster» (...). «É um dia histórico para a indústria da música britânica», disse ontem o presidente da Associação da Indústria Fonográfica Britânica (BPI), Peter Jamieson (...)" (in Público de hoje)

O mercado dos "singles"

Quando eu era pequeno, um “single” era um disco mais pequeno, geralmente com apenas duas músicas (uma de cada lado do vinil). Antes do “LP” sair, as editoras lançavam um tema para tocar nas rádios, que também era comercializado.
Com a chegada dos CD, os “singles” perderam (algum) sentido.
Mas a música “on line” está a recuperá-los, ainda que com outro sentido: há cada vez mais grupos/músicos a lançar apenas um ou dois temas, em vez de se preocuparem em gravar dez ou 12 músicas para um “disco grande”.
Com as vendas e “downloads”, é possível comprar as músicas que se quer, sem ter que “levar” com o disco todo – a quantos de nós não aconteceu ter de comprar um disco só por causa “daquela” música e ficar desiludido com as restantes (o inverso também – mas nesse caso, será sempre possível comprar todas as músicas que existirem).

Os tempos estão a mudar...

Reconheço que esta realidade é nova para mim e que, portanto, estou à descoberta. Mas nem por isso deixo de partilhar com os eventuais interessados esta realidade espantosa: Bruce Sringsteen tem um disco novo que sai a 26 deste mês. Mas vários temas já estão na internet. Alguns, como o tema-título, podem ser comprados no i-tunes. Mas outros estão complemente acessíveis. Aqui, por exemplo*.
No caso de BS o disco fará sentido (coleccionadores, fãs, uma longa carreira), mas na lógica do (novo) mercado dos singles, as coisas estão realmente a mudar - não será muito difícil registar esses temas no computador!

* Dos três temas, Devils and Dust tem uma gravação por cima (de 30 em 30 segundos) a dizer "AOL music; first listen"; os outros estão livres...

Pagar para ouvir música

Há quem defenda que a música continuará a desempenhar o seu papel na rádio porque não se paga, independentemente do "segundo choque" tecnológico.
Não concordo. Ou, pelo menos, desconfio: se os jovens britânicos gastam €220m (£150m) em toques de telemóveis e downloads de músicas via telemóvel, por que é não gastarão também em downloads para os seus ipods? («Young people in the UK will spend €220m (£150m) on ring-tones, ring-back tunes and downloading full songs directly onto their mobile phones, according to new research conducted by UK marketing consultancy Mobile Youth. With CD single sales still in decline, the consultancy argues that the ring-tone is set to become the number one marketing tool for record companies and artists to launch the CD album. As a result, the analysts believe that in future the playback of music on mobile phones will have a significant influence on how music is developed and marketed. The UK teenager spends on average €38 (£26) a year on music for their mobile phone, the group has also found.», UK youngsters increasing spend on mobile music
DM News Europe, 06/04/2005 by Leigh Phillips
 

(Origem)

"A Indústria Fonográfica Britânica publica relatório do primeiro trimestre de 2005 (BPI release 2005’s first quarterly review): o principal destaque do relatório vai para a entrada dos downloads na tabela de vendas de singles, o que, perante os primeiros resultados, parece representar uma nova “idade de ouro” para o mercado de singles, segundo os especialistas da indústria fonográfica britânica (BPI). No primeiro trimestre, as vendas de música digital registaram 300 mil downloads por semana, o que veio revolucionar as vendas, que há um ano atrás não atingiam os 20 mil downloads por semana." (Obercom)
Tudo aqui.

Comprar música na internet

"(...) segundo um estudo da Ipsos-Insight, os serviços de subscrição de música digital tem uma forte competição por parte das redes Peer-to-Peer e dos serviços pay-per-download. Dos 743 internautas norte-americanos que fazem downloads inquiridos pela Ipsos-Insight, 24% afirma que prefere comprar músicas individualmente e apenas 5% prefere serviços de subscrição" (via Obercom).
Aqui uma notícia sobre. E aqui o "press release" oficial