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Transistor kills the radio star?

Os tempos estão a mudar...

Reconheço que esta realidade é nova para mim e que, portanto, estou à descoberta. Mas nem por isso deixo de partilhar com os eventuais interessados esta realidade espantosa: Bruce Sringsteen tem um disco novo que sai a 26 deste mês. Mas vários temas já estão na internet. Alguns, como o tema-título, podem ser comprados no i-tunes. Mas outros estão complemente acessíveis. Aqui, por exemplo*.
No caso de BS o disco fará sentido (coleccionadores, fãs, uma longa carreira), mas na lógica do (novo) mercado dos singles, as coisas estão realmente a mudar - não será muito difícil registar esses temas no computador!

* Dos três temas, Devils and Dust tem uma gravação por cima (de 30 em 30 segundos) a dizer "AOL music; first listen"; os outros estão livres...

Pagar para ouvir música

Há quem defenda que a música continuará a desempenhar o seu papel na rádio porque não se paga, independentemente do "segundo choque" tecnológico.
Não concordo. Ou, pelo menos, desconfio: se os jovens britânicos gastam €220m (£150m) em toques de telemóveis e downloads de músicas via telemóvel, por que é não gastarão também em downloads para os seus ipods? («Young people in the UK will spend €220m (£150m) on ring-tones, ring-back tunes and downloading full songs directly onto their mobile phones, according to new research conducted by UK marketing consultancy Mobile Youth. With CD single sales still in decline, the consultancy argues that the ring-tone is set to become the number one marketing tool for record companies and artists to launch the CD album. As a result, the analysts believe that in future the playback of music on mobile phones will have a significant influence on how music is developed and marketed. The UK teenager spends on average €38 (£26) a year on music for their mobile phone, the group has also found.», UK youngsters increasing spend on mobile music
DM News Europe, 06/04/2005 by Leigh Phillips
 

(Origem)

"A Indústria Fonográfica Britânica publica relatório do primeiro trimestre de 2005 (BPI release 2005’s first quarterly review): o principal destaque do relatório vai para a entrada dos downloads na tabela de vendas de singles, o que, perante os primeiros resultados, parece representar uma nova “idade de ouro” para o mercado de singles, segundo os especialistas da indústria fonográfica britânica (BPI). No primeiro trimestre, as vendas de música digital registaram 300 mil downloads por semana, o que veio revolucionar as vendas, que há um ano atrás não atingiam os 20 mil downloads por semana." (Obercom)
Tudo aqui.

Comprar música na internet

"(...) segundo um estudo da Ipsos-Insight, os serviços de subscrição de música digital tem uma forte competição por parte das redes Peer-to-Peer e dos serviços pay-per-download. Dos 743 internautas norte-americanos que fazem downloads inquiridos pela Ipsos-Insight, 24% afirma que prefere comprar músicas individualmente e apenas 5% prefere serviços de subscrição" (via Obercom).
Aqui uma notícia sobre. E aqui o "press release" oficial

O primeiro e o segundo choques

Alguém me chamava a atenção para o facto de a terminologia aqui usada poder criar dúvidas. Na verdade, designar por o primeiro choque o "conflito" entre a rádio e a televisão (nas décadas 40/50/60 do século passado) é arriscar num nome sem agregação científica (por outras palavras, acho que nunca o vi em nenhum lado...).
Mas isso não lhe retira mérito (penso...): a ideia de um primeiro choque tecnológico só faz sentido se houver a perspectiva de um segundo. E o segundo choque tecnológico no universo da rádio está aí à porta...
Por isso, pelo menos por agora, manterei esta designação.

As playlists

O que pensa alguém que sabe o que diz sobre o papel das play lists nas rádios (portuguesas).
(obrigado Pedro)

Mais sobre o podcasting

Várias ligações aqui, aqui e aqui.

A rádio via satélite

"If you've been Christmas shopping in electronics stores recently, you've seen the displays for satellite radio gadgets and subscriber packages. The two providers are Sirius ($12.95 a month) and XM ($9.95 a month); both offer more than 100 channels of talk and music--with more than 60 of those commercial-free. More than 3 million Americans have subscribed."
Aqui

A ameaça

Listeners are losing interest in radio, with its poor reception and irritating commercials, and getting more interested in the digital gadgets that adapt to our listening habits as fast as those habits change
Tudo (http://www.indyweek.com/gyrobase/Content?oid=oid%3A23336)

Como que uma declaração de princípios

Não foram poucos os que previram a morte da rádio com o aparecimento da televisão. Mas a rádio sobreviveu. Mudou, de casa para o carro, da noite para o dia, da válvula para o transístor, mas sobreviveu ao primeiro choque tecnológico.
O segundo choque está aí à porta e a rádio ainda não percebeu os sinais. É o choque provocado pela banalização dos sistemas digitais de reprodução de música («ipods» e muitos outros), que ameaçam tirar a música da rádio; são os GPS, ligados a câmaras de vídeo, que dão a informação de trânsito em tempo real, especificamente para a minha rota; é a personalização das informações, em função dos meus interesses, enviada pelos telemóveis da terceira geração (trânsito, bolsa, meteorologia, etc.); é a possibilidade de ver, via UMTS, as transmissões dos jogos de futebol, onde não há um ecrã de televisão, em vez de ouvir o relato; é...
Como será a rádio sem a música, sem o trânsito, sem a bolsa, sem...?
O que fica para a rádio?

Isto é outra coisa que não rádio!

«Internet radio stations have long been popular because of the wide variety of music they offer and the relative lack of commercials. But for those who crave musical playlists tailored to their personal tastes, it might be difficult to find a service more useful than Last.fm.

Last.fm is an online radio site -- but with a twist. It works hand-in-hand with Audioscrobbler, a small software plug-in that works with popular software music players like Winamp and iTunes. The plug-in scrutinizes the music files on users’ computers and sends the information to a server. From that, Last.fm creates a personalized Internet radio station based on each user’s taste.

fonte: «Internet Radio, Without Drudgery, wired News, 2/8/04

Will Digital Kill The Radio Star?

TAMPA - Every day, Katie Swegle can be found with plugs in her ears and white wires dangling down to a credit-card shaped gadget clipped to her waistband.
The iPod mini, a $200 digital music player from Apple Computer Inc., is a constant companion of the 19-year-old University of Tampa sophomore.
(continua)
(via Ponto media)

É o fim?

"(...) Can you imagine civilized living without someone sending news, music and talk across the airwaves to your radio? Well start doing so because believe it or not radio has suddenly become a technological dinosaur – at least in any form looking like radio today."
Tudo.
(via A Rádio em Portugal)

Inquietações (mais...)

No Japão ou nos Estados Unidos (menos na Europa,penso) há cada vez mais pessoas a
ouvir música em casa, nos transportes publicos ou mesmo na escola, não,
já, através da rádio ou de «walkmans», mas em «Ipods» e outros
sistemas de musica digital (que permitem que eu ouça as minhas
musicas, apenas as que gosto e não as que a rádio quer que eu ouça);
nos táxis e em muitos carros particulares, os que conduzem já não
recebem as informações de trânsito pela rádio mas por sistemas de GPS,
associados a câmaras de vídeo que nas ruas informam por onde se pode
seguir ou não; isto para além dos serviços que os telemóveis de
terceira geração (UMTS) oferecem, com serviços personalizados (por
exemplo, se eu apenas circulo em determinada auto-estrada, não me
interessam outras informações; os telemóveis permitem a personalização
atraves de um SMS).

Parece-me haver aqui uma especie de "ameaça" aos actuais formatos da
rádio; ou pelo menos à forma como ela é concebida actualmente.

A rádio já sobreviveu ao choque da televisão (o primeiro choque), mas
isso obrigou a uma serie de mudanças (passar de casa para o carro, por
exemplo). Conseguirá sobreviver a este segundo choque que se prepara?
A tecnologia ameaça a rádio ou apenas a obrigará a reposicionar-se?
Que serviços estão os "gadgets" a oferecer, concorrenciais com a rádio?
Como a rádio poderá tirar partido desses "gadgets"? A rádio será, como
se percebe por aquilo que Negroponte diz, mais voz, ou o futuro da
rádio é... negro?

Uma lista de livros

aqui.

Rádio digital na Holanda

A Holanda tem planos para a introdução da rádio digital comercial (TDAB: Terrestrial Digital Audio
Broadcast). Com melhor qualidade sonora, a TDAB tem múltiplas vantagens, permitindo serviços especiais como informações de tráfego rodoviário ou previsões metereológicas, jornais
electrónicos e actualização de sistemas de navegação.
Texto original aqui

Determinismo tecnológico em Dan Gillmor

" (...) Gillmor traz também a marca de optimismo no seu texto. Se Toffler vinha de um domínio mais identificado com a economia e a antropologia e Rheingold da comunidade das ciências exactas, Gillmor apresenta-se como jornalista. Há, em todos os textos, um determinismo tecnológico que dá pouco espaço à compreensão da apropriação social e cultural das tecnologias por parte de quem as usa - como se encontra em Marshall McLuhan." (http://industrias-culturais.blogspot.com/2005/04/ns-os-media-de-dan-gillmor-o-livro-ns.html)

Downloads de música

"O mais recente estudo da Pew American Life Project “Podcasting catches on”, indica que nos Estados Unidos, mais de 22 milhões de adultos utilizam o iPod ou outros leitores de MP3 e cerca de 29% fazem downloads através da Internet, para a escuta das suas músicas preferidas, na altura que mais lhes convém. A este número, convém juntar os mais de 6 milhões de adultos que já experimentaram o Podcasting, a nova forma para descarregar emissões feitas na web para os dispositivos portáteis" (via Netfm)
O documento aqui.