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Transistor kills the radio star?

(intro) O debate sobre o futuro

Ninguém que escreva sobre a rádio desde , pelo menos 2000, pode ficar indiferente ao que a digitalização está a fazer, neste caso, à rádio. Por outras palavras, mais claras, que a internet está a mudar a rádio tal como a conhecemos. Sobre isso todos concordam. A discordância começa quando se analisa ou projecta aquilo em que a rádio se está a transformar. É a questão que atravessa todos os estudos contemporâneos que falam na rádio. Todos os que se atreveram a projectar uma resposta fechada falharam, o que se compreende porque esse objectivo é irrealizável. A tecnologia(s) tem-nos arrastado para novas realidades, novas possibilidades, que desmentem as certezas arrumadas anteriormente (por recentes que sejam). Não correremos esse risco, neste contexto. Englobamo-nos, de preferência na ideia descrita por Prata de «conceituar este novo modelo de radiofonia» (2008: 19). Vivemos um período de debate, mas já passámos algumas fases, já não estamos nem na fase do espanto ou da negação, tal como temos obrigação de avançar relativamente à fase das interrogações puras, como as descritas por Meditsch em 2001 (1): «Agora, a ameaça se chama internet, o fenômeno que parece querer subjugar o mundo nesta virada do milênio, devorando todas as mídias que o antecederam, até mesmo a televisão, até há pouco tão garbosa no seu domínio sobre a civilização. Diante de tal poder e voracidade, quem tem chance de sobreviver? Alguém é louco de apostar no rádio?». O debate continua; incorporamo-nos nele.

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