Blogia
Transistor kills the radio star?

Objectivos: analisar a rádio sob que prisma

Embora escasseie a produção cientifica de analise teórica sobre a rádio, nomeadamente a rádio contemporânea, a verdade é que a rádio tem capacidade para gerar perspectivas diversas, em função dos objectivos que se venham a adoptar a partir da relação - global - do meio com a sociedade. A perspectiva estética (da valorização artística), onde a linguagem ocupa papel de destaque (e que poderemos incluir nas tecnicas e processos de construção da mensagem), é uma delas; outra - completamente diferente - é a da criação de audiências para viabilização de uma indústria ou mercado (provavelmente numa perspectiva crítica), que incluiríamos na linha que estuda o consumo (e recepção) da rádio. Outra perspectiva possível de análise é a dos sistemas de difusão.

A partir do momento em que o objecto deste trabalho é sistematizar aquelas que se apresentam como as tendências que marcarão a rádio do futuro, a partir dos usos que (sobretudo) novas gerações lhes estão a dar (ou não), há uma perspectiva que parece imediata: perspectivar uma rádio de futuro só faz sentido se se perceber o que era a rádio do passado (esta, que ainda hoje ouvimos); há, pois, a necessidade de lhe dar fundamentação teórica (não ignorando a abordagem sócio-política, na medida em que se a rádio não tem hoje uma vertente acentuadamente política, teve-a no passado; e essa vertente influenciou a leitura que a história e a teoria dela fizeram).

A produção de uma mercadoria cultural, chamada rádio (ou grelha de programas) não é determinante, na medida em que não haverá atenção a conteúdos em concreto, nem preocupações de análise cultural. Neste contexto, não é importante a preocupação com a rádio que produz cultura; claro que estaão mal os ouvintes que não encontrem quem lhe diga algo (Brecht) mas o conteúdo não determinará por si só, como hoje; é preciso juntar formas - tecnológicas - de permitir ao ouvinte controlar (o que significa organizar, personalizar e seleccionar) os conteúdos, para que o ouvinte deixe de ser um mero receptor e passe a ser alguem que controla.

Outra perspectiva importante, tanto quando se pode sistematizar hoje: se a evolução é tecnológica, se a nova rádio é condicionada por contributos e agressões tecnológicas, numa tecnologia que se chama informática, então esses fundamentos também devem ser convocados.

Tudo isto significa ignorar a globalidade do fenómeno comunicacional e do meio técnico de difusão chamado rádio? de maneira nenhuma. Ele é uma realidade, só que (mais uma vezs em função dos objectivos) não temos de o convocar neste contexto.

A perspectiva mais importante, em termos de futuro, será a da acção dos ouvintes (e das suas formas de participação)

0 comentarios