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Transistor kills the radio star?

4.0 A convergência digital

Protecção mediática faz existir (III)

Mas, afinal, se a convergência nunca sairá da imaginação de autores como Alvin Toffler, Nicholas Negroponte ou Bill Gates, por que é que se fala tanto?
Os autores explicam: “Nenhum produto convergente, não importa quão trivial, é lançado sem uma rajada de relações públicas favoráveis” (seja pela primazia na oferta dos últimos modelos seja por que a “loucura acumula-se por detrás de uma barreira chamada «convicção»”). Além disso, “não há nada que prejudique mais o pensamento objectivo do que a loucura dos media” (pág. 81) e “com a imprensa, os peritos e virtualmente toda a comunidade ligada à alta tecnologia a apoiar firmemente o conceito de convergência, quem poderá duvidar que um dia tudo isso não vá realmente acontecer? (pág. 87)”.

A tecnologia HSPDA

Dizem que é a nova paixão tecnológica e que chegará a Portugal no final deste ano. Chama-se HSDPA (High Speed Downlink Packet Access) e junta o acesso em banda larga à Internet a conteúdos em vídeo ou música.
Um exemplo.

Telemóveis e televisão são compatíveis?

No suplemento de Economia do último Expresso dois artigos sobre - genericamente - a converg~encia tecnológica e - em concreto - a compatibilidade entre televisão e telemóveis: "Diário de Sofia no telemóvel" conta a experiência de um programa, concebido para a internet mas que passou para a televisão e está agora nos telemóveis. Na página seguinte, uma reportagem feita em Cannes, no MIPTV, dá conta da aparente dificuldade em compatibilizar os dois formatos. Cito do autor: "Mas, no mínimo, é duvidoso que as pessoas queiram assistir à TV no pequeno ecrã portátil da mesma forma que o fazem num ecrã normal. Tirando alguns usos muito particulares e breves (...) não se imagina a viabilidade da ideia, pelo menos por agora".

Comentário: esta ressalva final é importante. O próprio autor (Luís Coelho) conta a experiência da Coreia do Sul. E recordo que, muito recentemente, vi no aeroporto de Hong Kong um enorme anúncio dando conta de "roaming" para emissões de televisão em telemóveis (qualquer coisa como: "vai para o Japão ou Taiwan e quer continuar a acompanhar os seus programas de televisão favoritos? Active o «roaming» para os poder continuar a ver em directo nesses países...).

Video clips de música

Até agora tenho falado do risco que representa para a rádio (melhor dizendo, para os formatos clássicos da rádio, assentes em música e em play lists) os downloads de música.
Mas o risco é ainda maior se lhe juntarmos a capacidade de - não apenas ouvir música - também ver os video clips. Se eu, a caminho da escola, no transporte público ou no carro do pai, tiver no meu telemóvel 100 ou 200 video clips, devidamente seleccionados, vou ouvir rádio?

A rádio ficará confinada à sua especifidade de único meio acumulativo (só ouço rádio quando não estou a fazer outra coisa que me ocupa os olhos)?

A tecnologia é a concorrência

"(...)Or comme pour la presse ­ qui doit en outre faire face à l'arrivée des gratuits ­, indiquent plusieurs cabinets d'experts, la grande concurrente est bien sûr la Toile. Non pas qu'on écoute encore beaucoup la radio sur Internet, mais parce que depuis 2002, les loisirs numériques connaissent une forte progression.
Qu'il s'agisse d'Internet, de ses messageries et forums ; qu'il s'agisse de la télévision, qui offre de l'information en continu dès le matin et de nombreuses chaînes musicales, clips en plus ; qu'il s'agisse enfin de la téléphonie et de tous les services ludiques et médiatiques qu'elle commence à offrir, le numérique s'impose.
D'où l'impérieuse nécessité, pour les généralistes, dont les auditeurs sont souvent âgés, d'apprendre à s'adresser aux jeunes ; et, pour les musicales, de s'engouffrer dans toutes les nouvelles formes d'échange numérique que les jeunes plébiscitent.
Sans parler de phénomène de fond en radio, modèrent des experts, un signe ne peut cependant qu'alerter les dirigeants des stations : en Grande-Bretagne les investissements publicitaires sur la Toile sont aujourd'hui supérieurs à ceux réalisés en radio."
Le Monde 18/4/05

Comentário: eis um artigo que se relaciona com as preocupações que venho partilhando/organizando neste blogue: de acordo com esta notícia, a queda das audiências na rádio francesa deve-se à concorrência "tecnologógica", a outras solicitações que os potenciais ouvintes têm. Já tenho mais dúvidas que aquilo que a notícia diz sobre a necessidade das rádios generalistas se dirigirem aos jovens seja viável.