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Transistor kills the radio star?

Mais sobre a interactividade (o que é e o que não é)

«Vende-se tudo hoje como interativo. Como se a simples presença desta palavra nos anúncios demonstrasse um comportamento de vanguarda; um exemplo a ser seguido. (...) Criou-se, desta forma, uma espécie de “terra de ninguém lingüística” na qual o termo interatividade e seus correlatos – interativo, interação... – passaram a ser ampla e livremente utilizados tanto pela linguagem oral e popular como pelas escrita e acadêmica. (...) Se interação significa “ação entre entes” (inter + ação = ação entre), então há de se pressupor que esta represente uma relação entre, no mínimo, dois agentes;  uma ação mútua. Porém, muito do que se tem classificado como interativo, tem se mostrado, na verdade, apenas reativo. 

Note-se que a presença marcante do prefixo inter nas palavras em questão traz consigo o “por em comum”,  o diálogo que é posto em jogo pelas palavras ação e atividade. Temos então uma “ação entre entes”; uma relação entre agentes;  uma ação mútua. 
Gianfranco Bettetini (3) define a interatividade como “un diálogo hombre-máquina, que haga posible la producción de objetos textuales nuevos, no completamente previsibles a priori”. (4) Completando o raciocínio, Arlindo Machado (5) , lembra que há que se notar a bidirecionalidade deste processo, onde o fluxo se dá em duas direções. Um processo bidirecional de um media seria aquele onde “os pólos emissor e receptor são intercambiáveis e dialogam entre si durante a construção da mensagem”, o que não se tem podido observar na maioria de nossas relações com as novas tecnologias, ou com outros homens através destas.

Partindo desta proposta de bidirecionalidade e do conjunto de definições apresentadas, pode-se sugerir a existência de três Níveis de Interação.  (1, 2 «A interatividade se dá, nestes casos, na medida em que o usuário participa de alguma atividade oferecida pelo site como cursos online, listas de discussão, salas de chats, ou outros serviços oferecidos ao visitante. Os sites que exploram os recursos multimídia da rede oferecendo, por exemplo, uma rádio online ou também a possibilidade de personalização da visita, também podem ser enquadradas neste nível»e 3) «que haja uma troca entre o produto e o usuário/consumidor. Em outras palavras, são aqueles em se pode participar ativamente da construção do produto final, sendo possível interferir em seu conteúdo»)

« Enquanto máquina, o computador, não é, pois, agente em qualquer processo.  Logo, poderia haver interação entre homem e computador?  A resposta é sim. Os softwares, a alma dos computadores, através de suas interfaces (21) é que interagem com o usuário. Nesse sentido, a interatividade digital ocorre quando um programa de um equipamento é utilizado para modificar um comportamento.» (...)
«É hora de se  por em prática a superação do velho paradigma do emissor, receptor, meio e mensagem. Temos um ambiente comunicacional no qual, mais do que em qualquer outro, processos de feedback são vitais pois, como vimos, nada acontece na Web que não seja uma resposta a um estímulo de um usuário ou de outra máquina»

fonte:PRODUTOS INTERATIVOS PARA CONSUMIDORES MULTIMÍDIA, Maira de Moraes Em PreTextos desde 25/11/1998

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