Passivos porque não tinham alternativa

«Cresci no auge da era da cultura de massas - os anos 70 e 80. Os adolescentes dessa época tinham acesso a meia dúzia de canais de TV e praticamente todas as pessoas assistiam à mesma mão-cheia de programas televisivos. Havia três ou quatro estações de rádio em qualquer cidade, que ditavam em grande medida o tipo de música que ouvíamos; apenas alguns miúdos ricos com mais sorte faziam colecções de discos um pouco mais ousadas. Todos nós víamos no cinema os mesmos êxitos de bilheteira no Verão e as notícias que recebíamos tinham origem nos mesmos jornais e emissoras. Os poucos lugares onde podíamos explorar o que estava fora da corrente dominante eram a biblioteca e a loja de livros de banda desenhada. Tanto quanto me recordo, a única cultura disponível sem ser a cultura de massas era a dos livros e aquilo que eu e os meus amigos inventávamos, e isso não ía além dos nossos próprios quintais» (Anderson, 2007: 3) 

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